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Pedro brilha e Flamengo vence clássico contra o Fluminense
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Em um clássico com pouca inspiração, mas com um desfecho emocionante, o Flamengo venceu o Fluminense por 1 a 0 neste domingo, pela 15ª rodada do Campeonato Brasileiro. O gol da vitória rubro-negra foi marcado por Pedro, que se tornou o centro das atenções na última semana por polêmicas internas, e garantiu os três pontos já na reta final do duelo.
Com o resultado, o Flamengo alcançou 27 pontos e subiu para a vice-liderança da competição. Já o Fluminense estacionou nos 20 pontos, caindo para a nona colocação na tabela. Na próxima rodada, o Rubro-Negro recebe o Atlético-MG no Maracanã, enquanto o Tricolor Carioca visita o São Paulo no Morumbis.
Um clássico de expectativas e ausências
O ambiente pré-jogo já sinalizava um clássico atípico. Pelo lado flamenguista, todos os olhos estavam voltados para o banco de reservas, onde Pedro figurava entre os relacionados após ser alvo de repreensões públicas do técnico Filipe Luís e ficar fora dos dois jogos anteriores. Para complicar o cenário do Flamengo, o atacante Gonzalo Plata sentiu um desconforto no aquecimento e foi cortado, abrindo espaço para a entrada do jovem Wallace Yan. Sem Bruno Henrique, suspenso, e outras peças importantes, a missão para o time de Filipe Luís era complexa.
No Fluminense, Renato Gaúcho surpreendeu a todos. Sem o artilheiro Cano (não relacionado) e o recém-despedido Arias, o treinador promoveu sete mudanças na equipe e escalou o time em um 3-5-2, com a clara intenção de fechar os espaços e explorar os contra-ataques.
Primeiro tempo amarrado e sem emoção
A estratégia tricolor funcionou à perfeição na primeira etapa. O que se viu no Maracanã foi um jogo amarrado e de baixa qualidade técnica. O Flamengo manteve a posse de bola e dominou territorialmente, mas esbarrou em uma muralha tricolor muito bem postada. A equipe de Filipe Luís rodava a bola de um lado para o outro, mas não encontrou brechas e, incrivelmente, foi para o intervalo sem dar uma única finalização na direção do gol de Fábio. O Fluminense, satisfeito com o cenário, se defendia bem e só levou algum perigo em um chute de longe de Bernal, defendido por Rossi, já no fim da primeira etapa.
A entrada de Pedro e o gol da redenção
O segundo tempo começou com o mesmo roteiro arrastado. O jogo parecia fadado ao zero a zero, até que, aos 26 minutos, o personagem central da semana entrou em campo. A entrada de Pedro mudou a atmosfera da partida. O Flamengo passou a ter uma referência na área, alguém para brigar com a defesa tricolor e oferecer novas opções ofensivas.
E o predestinado não demorou a aparecer. Aos 38 minutos, na melhor chance do jogo até então, Juninho achou um passe genial para o camisa 9. Com um drible de corpo espetacular, Pedro deixou Freytes para trás e bateu de canhota, parando em uma defesa espetacular de Fábio. Era o aviso. O gol estava maduro.
E ele veio no minuto seguinte. Aos 39, em cobrança de escanteio de Luiz Araújo, Léo Ortiz desviou na primeira trave. A bola viajou para o segundo pau, onde Pedro, como um verdadeiro centroavante, se esticou todo e, com a ponta dos pés, empurrou para o fundo da rede. Um gol de raça, de posicionamento, de quem sabe onde a bola vai cair, selando a vitória rubro-negra e o reencontro do atacante com as redes em grande estilo.
O gol solitário foi o suficiente. O Flamengo segurou o resultado, garantiu os três pontos suados e se manteve na vice-liderança, com a torcida celebrando a vitória e a estrela de seu artilheiro. Para o Fluminense, restou a frustração de um plano defensivo quase perfeito, que ruiu em um lance. Para a Nação Rubro-Negra, ficou a certeza de que, mesmo em dias difíceis, a estrela de um artilheiro predestinado pode brilhar mais forte e decidir um clássico.
FICHA TÉCNICA
FLAMENGO 1 X 0 FLUMINENSE
Local: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Data: 20/07/2025
Hora: 19h30 (de Brasília)
Competição: 15ª rodada do Campeonato Brasileiro 2025
Árbitro: Raphael Claus (SP)
Assistentes: Danilo Ricardo Simon Manis (SP) e Evandro de Melo Lima (SP)
VAR: Rodolpho Toski Marques (PR)
Gol: Pedro aos 39′ do 2° tempo
Cartões Amarelos: Léo Pereira, Allan e Pedro (FLA) e Canobbio (FLU)
FLAMENGO: Rossi; Varela, Danilo (Viña), Léo Ortiz e Léo Pereira; Jorginho, Allan (Everton Araújo) e Arrascaeta (Pedro); Luiz Araújo, Wallace Yan (Matheus Gonçalves) e Everton Cebolinha (Juninho). Técnico: Filipe Luís
FLUMINENSE: Fábio; Thiago Silva, Freytes e Ignácio (Soltedo); Guga, Bernal, Martinelli (Hércules), Lima (Nonato) e Renê; Canobbio (Serna) e Everaldo (John Kennedy). Técnico: Renato Gaúcho
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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