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Real Madrid vence Borussia em jogo eletrizante e garante vaga na semifinal do Mundial de Clubes

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O Real Madrid carimbou seu passaporte para a semifinal da Copa do Mundo de Clubes da FIFA ao derrotar o Borussia Dortmund por 3 a 2 em uma partida emocionante neste sábado, no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Os gols merengues foram marcados por Gonzalo García, Fran García e um espetacular voleio de Mbappé, enquanto Beier e Guirassy, de pênalti, descontaram para a equipe alemã.

Sob o forte sol da região metropolitana de Nova York, o Real Madrid não perdeu tempo e construiu uma vantagem de dois gols antes da metade do primeiro tempo. A etapa complementar elevou a intensidade do confronto, com ambos os times buscando o ataque, levando a torcida ao delírio com um golaço de Mbappé, uma reação do Dortmund, um pênalti e até uma expulsão.

Com a vitória, o Real Madrid enfrentará o Paris Saint-Germain, atual campeão da Liga dos Campeões, na semifinal do Mundial de Clubes. O aguardado duelo que vale uma vaga na grande decisão está marcado para a próxima quarta-feira, às 16h (horário de Brasília), novamente no MetLife Stadium.

Domínio inicial e gols jovens

Desde o apito inicial, o Real Madrid assumiu o controle do jogo e rapidamente abriu o placar. Aos dez minutos, Arda Guler fez um levantamento preciso para Gonzalo García, que completou de primeira, marcando seu quarto gol no torneio. Aos 20 minutos, foi a vez de Fran García, outro jovem talento revelado pela base do clube, ampliar. Alexander-Arnold avançou pela linha de fundo e cruzou rasteiro para o lateral-esquerdo balançar as redes.

Emoção na etapa final e o brilho de Mbappé

No segundo tempo, o Real Madrid adotou uma postura mais conservadora, buscando explorar os espaços deixados pelo Borussia Dortmund, que precisou sair mais para o jogo. A primeira grande oportunidade dos espanhóis surgiu aos 16 minutos, quando Vinícius Júnior serviu Tchouameni, que chutou no ângulo, carimbando o travessão – embora o lance tenha sido anulado por impedimento do atacante brasileiro no início da jogada.

Posteriormente, o técnico Xabi Alonso promoveu alterações estratégicas, colocando Mbappé, Modric e Dani Ceballos em campo. Com o “sangue novo”, o Real Madrid voltou a pressionar, mas foi o Borussia Dortmund quem conseguiu diminuir o placar. Aos 48 minutos, Beier aproveitou uma sobra na entrada da área e chutou no cantinho, reacendendo as esperanças alemãs.

No entanto, a resposta do Real Madrid foi imediata e espetacular. Logo na sequência do reinício do jogo, Mbappé mostrou sua estrela, aproveitando um cruzamento para acertar um belíssimo voleio, marcando um golaço em Nova Jersey e garantindo a vitória.

Para adicionar mais drama aos acréscimos, o Borussia Dortmund ainda teve um pênalti a seu favor, após o zagueiro Huijsen, do Real Madrid, cometer falta dentro da área e ser expulso. Guirassy cobrou com maestria e converteu, fechando o placar em 3 a 2 no MetLife Stadium, mas a vitória e a classificação ficaram com o Real Madrid.

FICHA TÉCNICA

REAL MADRID 3 X 2 BORUSSIA DORTMUND

Local: MetLife Stadium, em Nova Jersey (EUA)
Data: 05/07/2025
Horário: 17h (de Brasília)
Árbitro: Ramon Abatti (BRA)
Assistentes: Danilo Manis (BRA) e Rafael Alves (BRA)
Cartões amarelos: Pascal Gross, Yan Couto (Borussia Dortmund); Mbappé (Real Madrid)
Cartão vermelho: Huijsen (Real Madrid)

Gols: Gonzalo García, aos 10 do 1ºT, Fran García, aos 20 do 1ºT, Mbappé, aos 49 do 2ºT (Real Madrid); Beier, aos 48 do 2ºT, Guirassy, aos 53 do 2ºT  (Borussia Dortmund).

REAL MADRID: Courtois; Alexander-Arnold (Dani Ceballos), Rudiger, Huijsen e Fran García; Valverde, Tchouameni (Asencio), Bellingham (Mbappé) e Arda Guler; Vini Júnior (Modric) e Gonzalo García (Rodrygo). Técnico: Xabi Alonso.

BORUSSIA DORTMUND: Kobel; Sule (Yan Couto), Anton e Bensebaini; Ryerson, Gross (Nmecha), Sabitzer e Svensson; Brandt (Duranville) (Chukwemeka), Adeyeme (Beier) e Guirassy. Técnico: Niko Kovac.

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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