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Real Madrid vence Juventus e garante vaga nas quartas do Mundial de Clubes
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Em um confronto disputado pelas oitavas de final do Mundial de Clubes, o Real Madrid garantiu sua classificação para a próxima fase ao vencer a Juventus por 1 a 0, nesta terça-feira, no Hard Rock Stadium, em Miami. O gol da vitória merengue foi marcado por Gonzalo García.
Com o resultado, o gigante espanhol avança às quartas de final, onde aguardará o vencedor do embate entre Borussia Dortmund e Monterrey, que ocorrerá ainda hoje, às 22h (de Brasília), no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta. O próximo desafio do Real Madrid já tem data, horário e local definidos: sábado, às 17h (de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey.
Primeiro tempo: poucas chances claras
A partida começou com a Juventus mostrando iniciativa. Aos seis minutos, Kolo Muani construiu boa jogada com Yildiz e, livre, finalizou por cima do gol defendido por Thibaut Courtois, perdendo uma boa oportunidade.
O Real Madrid só conseguiu responder com perigo aos 29 minutos. Jude Bellingham, após cruzamento de Arda Guler, tentou a finalização de dentro da pequena área, mas encontrou a defesa atenta de Di Gregorio. Nos minutos finais do primeiro tempo, Federico Valverde arriscou um chute de fora da área para o Real, mas o placar permaneceu inalterado até o intervalo.
Segundo tempo: Gonzalo García decisivo
A etapa complementar começou com o Real Madrid em ritmo acelerado. Após criar três chances reais de gol nos primeiros cinco minutos, a pressão surtiu efeito aos oito minutos. Gonzalo García, de cabeça, aproveitou um cruzamento preciso de Alexander-Arnold pela direita e abriu o placar para os merengues.
A Juventus tentou uma resposta imediata. Fransisco Conceição arriscou de fora da área, acertando o canto inferior direito de Courtois, que se esticou para espalmar e evitar o empate.
O Real, contudo, manteve o ímpeto ofensivo e quase ampliou aos 15 minutos, em um lance de pura categoria. Valverde tentou uma bicicleta dentro da área, obrigando Di Gregorio a realizar mais uma boa defesa.
Apesar das tentativas da Juventus, a equipe italiana não conseguiu ameaçar seriamente a meta adversária na maior parte do segundo tempo. O placar de 1 a 0 se manteve, confirmando o favoritismo do Real Madrid e sua passagem para a próxima fase do Mundial de Clubes.
FICHA TÉCNICA
REAL MADRID 1 x 0 JUVENTUS
Data e horário: 1° de julho de 2025, às 16h (de Brasília)
Competição: Oitavas de final do Mundial de Clubes
Local: Hard Rock Stadium, em Miami (EUA)
Árbitro: Szymon Marciniak (POL)
Assistentes: Tomasz Listkiewicz (POL) e Adam Kupsik (POL)
Gols: Gonzalo García aos 8′ do 2°T (REA)
Cartões amarelos: Bellingham (REA)
Real Madrid: Thibaut Courtois; Antonio Rüdiger, Aurélien Tchouaméni e Dean Huijsen; Trent Alexander-Arnorld, Federico Valverde (c) (Dani Ceballos), Arda Güler (Luka Modric) e Fran Farcía; Jude Bellingham, Gonzalo García (Kylian Mbappé) e Vinícius Júnior. Técnico: Xabi Alonso
Juventus: Michele di Gregorio; Pierre Kalulu, Daniele Rugani (Federico Gatti) e Lloyd Kelly (Nico González); Alberto Costa, Manuel Locatelli (c) (Weston McKennie(, Khéphren Thuram e Andrea Cambiaso; Francisco Conceição (Filip Kostic), Randal Kolo Muani e Kenan Yildiz (Teun Koopmeiners). Técnico: Igor Tudor
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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