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Santos empata com o Grêmio na Vila Belmiro
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O Santos desperdiçou uma oportunidade valiosa de se afastar da zona de rebaixamento ao empatar em 1 a 1 com o Grêmio, na noite desta quarta-feira, na Vila Belmiro. Em um jogo válido pela 26ª rodada do Campeonato Brasileiro, o Peixe saiu perdendo, viu Lautaro Díaz balançar as redes nos minutos finais, mas não conseguiu a virada.
O resultado mantém o Santos à beira da zona de rebaixamento, ocupando a 16ª posição com 28 pontos. A equipe do técnico Juan Pablo Vojvoda tem cinco pontos de vantagem sobre o Juventude, o primeiro time no Z4, mas essa diferença pode diminuir dependendo do desempenho do Vitória, que joga nesta quinta-feira. Do outro lado, o Grêmio estaciona na 10ª colocação, com 33 pontos, e se distancia do G6.
O jogo
O Peixe iniciou a partida pressionando e esbarrou na noite inspirada do goleiro Gabriel Grando, que fez duas defesas importantes em finalizações de Rollheiser e Escobar. Aos 18 minutos, a Vila Belmiro levou um susto: Alysson disparou pela direita e marcou para o Grêmio, mas o árbitro, acionado pelo VAR, anulou o gol por toque de mão de Edenílson no início da jogada. Após o lance, o ritmo do jogo diminuiu, e o Santos, apesar de dominar a posse de bola, não criou mais chances claras.
Segundo Tempo: Grêmio abre o placar, Santos reage no fim
Na volta do intervalo, o técnico Vojvoda buscou mais ofensividade, tirando João Schmidt para a entrada de Tiquinho Soares. No entanto, a estratégia não surtiu o efeito desejado de imediato, e foi o Grêmio quem abriu o placar aos 11 minutos. Após uma troca de passes, Pavón cruzou da direita, e Edenílson se jogou na bola para desviar e vencer o goleiro Gabriel Brazão, desta vez com o gol validado.
O Santos teve uma chance de ouro para empatar aos 21 minutos, quando Lautaro Díaz interceptou um chute de Barreal e, cara a cara com Grando, parou no goleiro. No rebote, Tiquinho tentou duas vezes, mas foi bloqueado por Wagner Leonardo e Grando novamente. A jogada terminou com Guilherme isolando a bola para desespero da torcida.
O Peixe seguiu na pressão nos minutos finais. Aos 42, Zé Rafael arriscou um chute que bateu no travessão, pingou na linha e tocou na trave antes de ser afastada. No lance seguinte, após cobrança de escanteio, Zé Rafael novamente acertou o travessão. Mas, desta vez, Lautaro Díaz estava atento para aproveitar o rebote e cabecear para o fundo do gol, garantindo o empate em 1 a 1 para o Santos.
Próximos confrontos:
O Santos terá mais um desafio para tentar se distanciar do Z4 no próximo domingo, 5 de outubro, às 20h30 (de Brasília), quando enfrentará o Ceará na Arena Castelão. O Grêmio jogará fora de casa no sábado, 4 de outubro, às 18h30 (de Brasília), contra o RB Bragantino, no Estádio Municipal Cicero De Souza Marques.
FICHA TÉCNICA
Santos 1 x 1 Grêmio
Competição: Campeonato Brasileiro (26ª rodada)
Local: Vila Belmiro, Santos (SP)
Data: 1º de outubro de 2025 (quarta-feira)
Horário: 21h30 (de Brasília)
Público: 9.306
Renda: R$ 439.188,00
Arbitragem:
- Árbitro: Paulo Cesar Zanovelli da Silva (MG)
- Assistentes: Nailton Junior de Sousa Oliveira (CE) e Luanderson Lima dos Santos (BA)
- VAR: Diego Pombo Lopez (BA)
Cartões Amarelos:
- Santos: João Schmidt, Escobar, Igor Vinícius
- Grêmio: Arthur, Mano Menezes, Alysson
Gols:
- Grêmio: Edenílson (11′ do 2ºT)
- Santos: Lautaro Díaz (43′ do 2ºT)
Santos:
- Goleiro: Brazão
- Defensores: Mayke (Igor Vinícius), Alexis Duarte, Luan Peres e Escobar (Souza)
- Meio-campistas: Zé Rafael, João Schmidt (Tiquinho Soares), Barreal (Rincón) e Rollheiser (Robinho Jr.)
- Atacantes: Guilherme e Lautaro Díaz
- Técnico: [Não informado, mas assumo que seja Juan Pablo Vojvoda conforme matéria anterior]
Grêmio:
- Goleiro: Grando
- Defensores: Gustavo Martins, Noriega, Wagner Leonardo e Marlon
- Meio-campistas: Dodi, Arthur (Alex Santana) e Edenilson (Cristaldo)
- Atacantes: Pavón (Amuzu), Alysson (Aravena) e André Henrique (Riquelme)
- Técnico: [Não informado, mas assumo que seja o técnico que estava à frente do Grêmio na época]
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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