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São Paulo despacha Bragantino e avança às semifinais do Paulistão 

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O São Paulo garantiu sua passagem para as semifinais do Campeonato Paulista ao vencer o Red Bull Bragantino por 2 a 1, em uma partida disputada neste sábado (21) no Estádio Cícero de Souza Marques. Os gols de Bobadilla e Lucas Moura selaram a vitória do Tricolor comandado por Hernán Crespo, enquanto Gustavo Marques descontou para o Massa Bruta. Com o resultado, o Bragantino, que vinha de uma invencibilidade no Estadual e acumulava apenas uma derrota na temporada, deu adeus à competição.

O jogo

A primeira etapa do confronto foi marcada por um equilíbrio tático, com ambos os times buscando o ataque. Após uma pausa para hidratação, o jogo ganhou em intensidade. Aos 33 minutos, o Red Bull Bragantino teve a chance de abrir o placar quando Isidro Pitta serviu Gustavo Neves, que finalizou na saída do goleiro Rafael, mas a bola caprichosamente acertou a trave. A resposta são-paulina veio seis minutos depois: em sua primeira oportunidade clara, Lucas Ramon cruzou rasteiro, o goleiro Cleiton espalmou para a área, e Bobadilla, com o gol aberto, não perdoou, levando o São Paulo para o intervalo com a vantagem mínima.

Segundo tempo

O retorno para o segundo tempo trouxe um São Paulo embalado e determinado a ampliar o placar. Logo aos seis minutos, em uma jogada ensaiada, Marcos Antônio cruzou para Calleri, que escorou de cabeça para Lucas Moura estufar as redes, marcando o segundo gol tricolor. Em desvantagem, o Bragantino se lançou ao ataque, mas encontrava na sólida defesa da equipe de Hernán Crespo uma barreira intransponível.

Aos 27 minutos, o Massa Bruta conseguiu diminuir. Após cobrança de escanteio de Gustavo Neves, Gustavo Marques subiu mais alto que a zaga e cabeceou para o gol. Nos minutos finais, o jogo ganhou em dramaticidade. Aos 46 minutos, o zagueiro Alan Franco, do São Paulo, cometeu falta em Fernando, recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso, deixando o Tricolor com um jogador a menos. Apesar da pressão final e da superioridade numérica, a defesa são-paulina se manteve firme, assegurando a classificação para a próxima fase.

Com a vitória, o São Paulo aguarda agora a definição de seu adversário na semifinal do Campeonato Paulista. A formação dos confrontos é determinada pela classificação geral da primeira fase, o que significa que o Tricolor dependerá dos resultados dos demais jogos das quartas de final para conhecer seu próximo rival.

Para o Red Bull Bragantino, a eliminação precoce no Estadual marca o fim de sua participação no torneio. A equipe, comandada por Vágner Mancini, agora volta suas atenções para o Campeonato Brasileiro.

Próximos compromissos:

  • Red Bull Bragantino: Enfrenta o Athletico-PR na quarta-feira, 25 de fevereiro, às 19h (horário de Brasília), pela 4ª rodada do Campeonato Brasileiro. A partida será no Estádio Cícero de Souza Marques, em Bragança Paulista (SP).
  • São Paulo: Viaja para Curitiba para enfrentar o Coritiba também na quarta-feira, 25 de fevereiro, às 19h30 (horário de Brasília), pela 4ª rodada do Campeonato Brasileiro. O jogo acontecerá no Estádio Couto Pereira.
FICHA TÉCNICA
Competição Campeonato Paulista (Quartas de final)
Confronto Red Bull Bragantino 1 x 2 São Paulo
Local Estádio Cícero de Souza Marques, Bragança Paulista (SP)
Data 21 de fevereiro de 2026 (sábado)
Horário 18h30 (de Brasília)
Público 7.019 torcedores
Renda R$ 409.420,00
Gols – São Paulo Damián Bobadilla (39′ 1ºT)
Lucas Moura (06′ 2ºT)
Gols – Red Bull Bragantino Gustavo Marques (27′ 2ºT)
Cartões Amarelos – Red Bull Bragantino Lucas Barbosa, Nacho Sosa
Cartões Amarelos – São Paulo Enzo Díaz, Bobadilla, Alan Franco, Calleri
Cartões Vermelhos – Red Bull Bragantino Juninho Capixaba
Cartões Vermelhos – São Paulo Alan Franco
Árbitro Daiane Muniz
Assistentes Danilo Ricardo Simon Manis, Leandro Matos Feitosa
VAR Adriano de Assis Miranda
Red Bull Bragantino Cleiton; Andrés Hurtado (Vinicinho), Alix Vinícius, Gustavo Marques e Juninho Capixaba; Gabriel (Nacho Sosa), Matheus Fernandes (Herrera), Gustavo Neves e Lucas Barbosa; Isidro Pitta (Fernando) e Henry Mosquera (Eduardo Sasha).
Técnico: Vágner Mancini.
São Paulo Rafael; Lucas Ramon, Alan Franco, Sabino e Enzo Díaz; Bobadilla, Danielzinho (Pablo Maia) e Marcos Antônio (Cauly); Lucas (Ferraresi), Luciano (Tapia) e Calleri.
Técnico: Hernán Crespo.

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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