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São Paulo empata com Internacional e vê vice-liderança ameaçada no Brasileirão
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O São Paulo estendeu sua sequência sem vitórias no Campeonato Brasileiro ao empatar em 1 a 1 com o Internacional, na noite desta quarta-feira (01.04), no Beira-Rio, em partida válida pela nona rodada. O resultado, conquistado de forma dramática com um gol nos minutos finais, não tirou o Tricolor da vice-liderança, mas colocou o posto em risco diante dos adversários diretos.
A equipe paulista agora acumula três jogos sem triunfo, com duas derrotas e um empate, somando 17 pontos na tabela. A manutenção da segunda posição depende agora dos resultados de Fluminense e Flamengo, que ainda jogam na rodada. O Colorado, por sua vez, somou um ponto, mas caiu para a 13ª colocação, com nove pontos.
O jogo
A partida começou movimentada, com o São Paulo quase abrindo o placar logo aos dois minutos, em chute de Artur defendido por Anthoni. O Internacional respondeu com Alerrandro e Aguirre, ambos parados por boas defesas do goleiro Rafael.
Aos 22 minutos, o Inter conseguiu balançar as redes. Após um escorregão de Bruno Gomes no meio-campo, Aguirre recebeu e cruzou para Alerrandro, que se antecipou à marcação e colocou a bola no fundo do gol, abrindo o placar para o time gaúcho.
No segundo tempo, o São Paulo buscou o empate com insistência. Calleri teve uma chance clara aos três minutos, mas Mercado salvou em cima da linha. O Internacional também criou perigo, com Tabata parando em Rafael.
A persistência do Tricolor foi recompensada apenas aos 41 minutos da etapa final. Wendell avançou pela esquerda e cruzou na área; o goleiro Anthoni saiu mal, e Calleri, oportunista, tocou de primeira para igualar o marcador, garantindo um ponto fora de casa.
Apesar do empate, a performance do São Paulo continua a levantar questionamentos sobre a consistência da equipe, que agora foca em quebrar a sequência negativa para não se distanciar dos líderes e solidificar sua posição entre os primeiros colocados do Brasileirão.
Próximos jogos
| Time | Confronto | Data | Horário (de Brasília) | Local |
|---|---|---|---|---|
| Internacional | Corinthians x Internacional | 05/04 (domingo) | 19h30 | Neo Química Arena, em São Paulo (SP) |
| São Paulo | São Paulo x Cruzeiro | 04/04 (sábado) | 18h30 | Morumbis, em São Paulo (SP) |
FICHA TÉCNICA
| Competição | Placar | Local | Data | Horário |
|---|---|---|---|---|
| Campeonato Brasileiro (nona rodada) | Internacional 1 x 1 São Paulo | Estádio Beira-Rio, Porto Alegre (RS) | 01 de abril de 2026 (quarta-feira) | 19h30 (de Brasília) |
Gols
| Time | Jogador | Minuto |
|---|---|---|
| Internacional | Alerrandro | 22′ do 1ºT |
| São Paulo | Calleri | 41′ do 2ºT |
Cartões
| Time | Tipo de Cartão | Jogadores/Técnicos |
|---|---|---|
| Internacional | Amarelo | Paulinho, Paulo Pezzolano |
| São Paulo | Amarelo | Tolói |
| Ambos | Vermelho | Nenhum |
Arbitragem
| Função | Nome | Estado |
|---|---|---|
| Árbitro | Lucas Casagrande | PR |
| Assistente 1 | Bruno Boschilia | PR |
| Assistente 2 | Victor Hugo Imazu dos Santos | PR |
| VAR | Pablo Ramon Goncalves Pinheiro | RN |
Escalações
INTERNACIONAL: Anthoni; Aguirre (Bruno Tabata ((Alan Rodríguez))), Mercado, Victor Gabriel e Bernabei; Villagra, Bruno Henrique (Thiago Maia), Paulinho (Ronaldo) e Bruno Gomes; Alan Patrick (Carbonero) e Alerrandro (Borré). Técnico: Paulo Pezzolano
SÃO PAULO: Rafael; Lucas Ramon (Cédric Soares), Rafael Tolói, Sabino e Wendell; Pablo Maia (Luan), Danielzinho (Cauly) e Marcos Antônio (Ferreira); Artur (Tetê), Luciano (André Silva) e Calleri. Técnico: Roger Machado
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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