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São Paulo goleia Internacional por 3 a 0 e empurra colorado para o Z-4
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O São Paulo garantiu uma vitória categórica sobre o Internacional por 3 a 0, na noite desta quarta-feira, na Vila Belmiro, pela penúltima rodada do Campeonato Brasileiro. Os gols de Sabino, Maik e Luciano não apenas aliviaram a pressão da torcida tricolor após a recente derrota elástica para o Fluminense, mas também afundaram o Colorado na zona de rebaixamento.
O triunfo coloca o São Paulo em uma posição favorável para conquistar a oitava colocação na tabela, que pode valer uma vaga na Pré-Libertadores, caso Cruzeiro ou Fluminense sejam os campeões da Copa do Brasil. Para o Internacional, o revés representa um golpe duro na luta para permanecer na Série A, com a equipe agora dependendo de resultados e de um bom desempenho na última rodada.
O jogo
O time paulista mostrou sua superioridade desde os primeiros minutos de jogo. Logo no primeiro minuto, Luciano perdeu uma chance clara de cabeça após um belo lançamento de Marcos Antônio. A pressão continuou, com o camisa 10 tricolor voltando a desperdiçar uma oportunidade semelhante pouco depois.
Aos sete minutos, Ferreirinha assustou em cobrança de falta, que resultou em um desvio perigoso. A insistência do São Paulo foi recompensada aos 21 minutos, quando Ferreirinha levantou outra bola na área e Sabino, aproveitando uma saída confusa do goleiro Rochet, cabeceou para abrir o placar.
O Tricolor quase ampliou em seguida, com Bobadilla servindo Tapia na cara do gol, mas o chileno parou em Rochet. No entanto, antes do intervalo, a equipe da casa conseguiu o segundo. Maik pegou um rebote de primeira, chutando forte de fora da área, e a bola desviou na zaga antes de estufar as redes, pegando Rochet sem chances.
A volta para o segundo tempo trouxe mais um gol rápido do São Paulo. Aos três minutos, Luciano recebeu passe de Marcos Antônio e, com uma cavadinha precisa sobre Rochet, marcou o terceiro, encaminhando a vitória e consolidando a boa atuação do time.
Após o terceiro gol, o Internacional tentou uma reação, buscando diminuir o prejuízo. O goleiro Rafael do São Paulo foi acionado em chutes de Bruno Gomes e Bernabei, mas conseguiu manter a meta invicta. O São Paulo ainda teve chances de transformar a vitória em goleada, mas o placar de 3 a 0 permaneceu até o final, garantindo um respiro para a equipe e um alento para a torcida.
Desfecho da temporada
O São Paulo encerrará sua participação no Campeonato Brasileiro no próximo domingo, visitando o Vitória, no Barradão, em Salvador, em um confronto direto contra mais um adversário que luta para não cair. O Internacional, por sua vez, terá a difícil missão de enfrentar o Red Bull Bragantino no Beira-Rio, no mesmo dia e horário, buscando desesperadamente os pontos que podem salvá-lo do rebaixamento.
| FICHA TÉCNICA | |
|---|---|
| São Paulo 3 x 0 Internacional | |
| Competição | Campeonato Brasileiro (37ª rodada) |
| Local | Vila Belmiro, em Santos (SP) |
| Data | 3 de dezembro de 2025, quarta-feira |
| Horário | 20h (de Brasília) |
| Público | 7.309 torcedores |
| Renda | R$ 392.052,50 |
| Gols do São Paulo |
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| Cartões Amarelos | Bobadilla (São Paulo); Mercado, Vitão (Internacional) |
| Cartões Vermelhos | Nenhum |
| Arbitragem |
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| Escalação São Paulo |
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| Escalação Internacional |
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Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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