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São Paulo perde quarta consecutiva no Morumbis e aumenta pressão pós-Libertadores
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O São Paulo Futebol Clube vive um momento de crescente turbulência. Na noite desta segunda-feira, o Tricolor sofreu sua quarta derrota consecutiva, ao ser superado pelo Ceará por 1 a 0, em pleno Morumbis, em partida válida pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro. O único gol do confronto foi marcado por Pedro Henrique, aprofundando a crise que se instalou no clube após a eliminação nas quartas de final da Libertadores.
O clima em torno do jogo já refletia a insatisfação da torcida. Houve protestos em frente ao estádio antes da partida, e o público presente foi visivelmente inferior ao habitual, evidenciando o descontentamento dos são-paulinos.
Desfalques e lesões preocupam
Se a derrota já era um golpe duro, a situação foi agravada por questões físicas. Lucas Moura, em fase de recondicionamento, atuou durante todo o segundo tempo, demonstrando seu esforço para retomar o ritmo. Contudo, o zagueiro Rafael Tolói teve que ser substituído ainda na etapa inicial, após sentir a musculatura, tornando-se a mais nova preocupação no departamento médico do clube.
Cenário no Campeonato Brasileiro
Com este novo revés em casa, o São Paulo permanece na sétima posição na tabela, mas vê a distância para os concorrentes diminuir perigosamente. O Fluminense, oitavo colocado, está apenas um ponto atrás e tem dois jogos a menos, podendo ultrapassar o Tricolor caso vença seus compromissos. A pressão sobre a equipe comandada por Hernán Crespo se intensifica, exigindo uma reação urgente para garantir uma vaga na próxima edição da Libertadores.
O Ceará, por outro lado, comemorou a vitória que o elevou à 11ª posição. O resultado permite que a equipe alvinegra comece a sonhar com a parte de cima da tabela, estando a apenas quatro pontos do São Paulo, o primeiro time fora da zona de classificação para a Libertadores.
O Jogo
O primeiro tempo no Morumbis foi equilibrado, com o São Paulo mostrando leve superioridade, mas o Ceará foi o primeiro a assustar. Aos 13 minutos, Pedro Raul cabeceou com perigo, exigindo uma boa defesa do goleiro Rafael. O Tricolor respondeu com Arboleda e Bobadilla, que arriscou de fora da área. A chance mais clara da etapa inicial foi de Rodriguinho, que carimbou o travessão aos 38.
No segundo tempo, o técnico Hernán Crespo promoveu a entrada de Lucas Moura. Logo aos dois minutos, Ferreirinha quase abriu o placar para o São Paulo, acertando a trave. No entanto, foi o Ceará quem capitalizou. Aos 11 minutos, uma falha na saída de bola de Alisson resultou na posse para Pedro Henrique, que driblou o goleiro Rafael e balançou as redes, colocando os visitantes em vantagem.
Com o placar adverso, o São Paulo partiu para o ataque com as entradas de Lucca e Dinenno, buscando reverter a situação com quatro atacantes em campo, mas a pressão não surtiu efeito. Já nos acréscimos, um pênalti inicialmente marcado para o Ceará foi anulado pelo VAR após revisão, selando o placar de 1 a 0 para os visitantes.
O São Paulo agora volta a campo na próxima quinta-feira, para um confronto fora de casa contra o Fortaleza, na Arena Castelão, às 19h30 (de Brasília). No mesmo dia, o Ceará enfrenta o Vitória no Barradão, às 19h.
FICHA TÉCNICA
São Paulo 0 x 1 Ceará
Competição: Campeonato Brasileiro (25ª Rodada)
Data: 29 de setembro de 2025 (segunda-feira)
Horário: 20h (de Brasília)
Local: Estádio Morumbis, em São Paulo (SP)
Público: 12.314 torcedores
Renda: R$ 480.951,00
Arbitragem:
- Árbitro: Bruno Arleu de Araújo (RJ)
- Assistentes: Rodrigo Figueiredo Correa (RJ) e Márcia Bezerra Caetano (RO)
- VAR: Rodrigo Nunes de Sá (RJ)
Gols:
- Ceará: Pedro Henrique, aos 11 minutos do 2º tempo
Cartões Amarelos:
- São Paulo: Arboleda, Dinenno
- Ceará: Dieguinho, Lourenço, Guilherme
Escalações:
SÃO PAULO: Rafael; Tolói (Sabino), Arboleda e Alan Franco (Lucas); Cédric Soares (Juan Dinenno), Bobadilla, Alisson, Rodriguinho (Mailton) e Enzo Díaz; Ferreirinha (Lucca) e Luciano. Técnico: Hernán Crespo.
CEARÁ: Bruno Ferreira; Fabiano Souza, Marcos Victor, Willian Machado e Matheus Bahia; Richardson, Dieguinho (Zanocelo) e Lourenço (Fernando Sobral); Galeano (Guilherme), Paulo Baya (Paulo Henrique) e Pedro Raul (Vina). Técnico: Léo Condé.
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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