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São Paulo vence o Flamengo de virada na estreia do Brasileirão

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O São Paulo quebrou um incômodo jejum de três partidas sem vitória ao bater o Flamengo de virada por 2 a 1, na noite desta quarta-feira, no Morumbis. Em um confronto eletrizante que abriu o Campeonato Brasileiro, Plata balançou as redes para o Rubro-Negro, mas Luciano e Danielzinho garantiram o triunfo tricolor, proporcionando um respiro para o técnico Hernán Crespo e sua equipe.

Com o resultado, o Tricolor Paulista somou seus primeiros três pontos na competição, assumindo a terceira colocação, e pôs fim a uma sequência de um empate e duas derrotas. Para o Flamengo, o revés representa a segunda derrota consecutiva no ano, deixando a equipe carioca zerada na 14ª posição da tabela.

O jogo

O início da partida foi dominado pelas investidas rubro-negras. Logo aos quatro minutos, Cebolinha obrigou Rafael a uma boa defesa após invadir a área pela esquerda. Aos 13, Cebolinha novamente brilhou, servindo Carrascal, que desperdiçou uma chance clara na cara do gol. Quatro minutos depois, o próprio Cebolinha testou Rafael com um chute colocado de fora da área.

Aos 18 minutos, o São Paulo enfim deu o ar da graça com perigo. Maik lançou Luciano nas costas da zaga flamenguista, o camisa 10 dominou, cortou e finalizou com a bola desviando na defesa e passando muito perto do gol. O Flamengo ainda tentou algumas finalizações de longe, mas sem sucesso, e o placar permaneceu inalterado até o intervalo.

Segundo tempo

A etapa final começou com o São Paulo mais incisivo. Aos dois minutos, Marcos Antônio avançou pela direita, tocou para Bobadilla, que fez o corte e finalizou, mas sem força nas mãos de Rossi.

Foi aos oito minutos do segundo tempo que o Flamengo abriu o placar. Alex Sandro alçou a bola na área, Pedro escorou de peito para Plata, que aproveitou a falha de Arboleda e completou para o fundo das redes.

A alegria flamenguista, porém, durou pouco. Aos 15 minutos, Enzo Díaz apareceu pela esquerda e cruzou para a área. Luciano subiu com precisão entre os zagueiros e cabeceou para o fundo do gol, empatando a partida. O São Paulo seguiu embalado e, aos 25 minutos, a virada se concretizou para delírio da torcida. Marcos Antônio lançou Luciano pela direita da grande área, Pulgar cortou mal e a bola sobrou para Danielzinho, que bateu cruzado, forte, sem dar chances a Rossi.

Nos minutos finais, o Flamengo pressionou intensamente pelo empate. Plata cabeceou e Rafael operou um milagre, defendendo praticamente em cima da linha. No rebote, Arrascaeta finalizou para fora. Apesar dos pedidos de pênalti por parte dos jogadores flamenguistas, a arbitragem de Wilton Pereira Sampaio mandou o jogo seguir, e o apito final selou a importante vitória do São Paulo no Morumbis.

Próximos desafios

São Paulo agora volta suas atenções para o Campeonato Paulista, onde enfrentará o Santos no próximo sábado, 31 de janeiro, às 20h30 (de Brasília), no Morumbis.

Flamengo tem uma decisão pela frente: a final da Supercopa do Brasil contra o Corinthians, no domingo, 1º de fevereiro, às 16h (de Brasília), no Estádio Mané Garrincha, em Brasília (DF).

FICHA TÉCNICA
Competição Campeonato Brasileiro (primeira rodada)
Placar São Paulo 2 x 1 Flamengo
Local Morumbis, em São Paulo (SP)
Data 28 de janeiro de 2026 (quarta-feira)
Horário 21h30 (de Brasília)
Público 27.203 pessoas
Renda R$ 1.543.721,00
Cartões Amarelos Nenhum
Cartões Vermelhos Jorginho (Flamengo)
Árbitro Wilton Pereira Sampaio (GO)
Assistentes Bruno Raphael Pires (GO) e Leone Carvalho Rocha (GO)
VAR Rodrigo D’Alonso Ferreira (SC)
Gols Plata, aos 08′ do 2ºT (Flamengo)
Luciano, aos 15′ do 2ºT (São Paulo)
Danielzinho, aos 25′ do 2ºT (São Paulo)
Escalação São Paulo Rafael; Alan Franco, Arboleda e Sabino; Maik (Cédric Soares), Bobadilla, Marcos Antônio, Danielzinho (Pablo Maia) e Enzo Díaz; Luciano (Lucas) e Calleri (Tapia).
Técnico: Hernán Crespo
Escalação Flamengo Rossi; Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; Pulgar, Evertton Araújo (Jorginho) e Carrascal (Bruno Henrique); Plata, Cebolinha (Samuel Lino) e Pedro (Arrascaeta).
Técnico: Filipe Luís

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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