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São Paulo vence o Primavera de virada e respira no Paulistão
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Em uma noite chuvosa e repleta de emoções no Morumbis, o São Paulo conquistou uma virada crucial por 2 a 1 sobre o Primavera, garantindo sua entrada na zona de classificação para a fase eliminatória do Campeonato Paulista. Após sair atrás no placar, o Tricolor mostrou poder de reação e, com gols de Lucas e Calleri, assegurou três pontos de ouro.
A vitória alça o São Paulo à oitava posição na tabela, somando dez pontos. No entanto, a equipe comandada por Hernán Crespo ainda aguarda o resultado do confronto entre Mirassol e Capivariano, neste domingo, para saber se dependerá apenas de si na última rodada para confirmar a vaga nas quartas de final. O Primavera, por sua vez, estaciona na 11ª colocação, com sete pontos, e terá de torcer por uma combinação de resultados para avançar.
O jogo
O início da partida viu um São Paulo mais propositivo, mas a primeira grande chance foi do Primavera. Aos 14 minutos, Matheus Anjos finalizou com força após uma triangulação bem-sucedida, obrigando o goleiro Rafael a fazer uma boa defesa. A resposta Tricolor veio aos 18, com Lucas costurando a marcação e servindo Tapia, cujo chute parou em Victor Hugo. A etapa inicial seguiu com poucas oportunidades claras e muitas paralisações, deixando a partida travada.
Segundo Tempo de reviravolta e gols decisivos
Buscando maior poder ofensivo, o técnico Hernán Crespo promoveu a entrada de Luciano no lugar de Dória no início do segundo tempo. Contudo, o que se seguiu foi um susto para a torcida são-paulina, com Welliton disparando em contra-ataque e Rafael realizando mais uma defesa importante.
O Primavera capitalizou seu bom momento aos oito minutos da etapa final. Gabriel Poveda recebeu de costas na entrada da área, girou e chutou de canhota. A bola desviou em Ferraresi, tirando Rafael do lance e balançando as redes, abrindo o placar para o time visitante.
Atrás no placar, o São Paulo se lançou ao ataque. Calleri teve uma chance de ouro aos 18 minutos, mas finalizou desequilibrado após receber sozinho na segunda trave. A persistência tricolor foi recompensada aos 25 minutos. Calleri cruzou pela esquerda, Lucas Ramon completou de carrinho para o meio da área, e Lucas, oportunista, aproveitou o bate e rebate para empurrar para o gol, igualando o marcador.
A virada não demorou a chegar. Aos 30 minutos, Luciano sofreu uma cotovelada no rosto dentro da área. Após revisão do VAR, a penalidade máxima foi assinalada. Calleri, com sua habitual frieza, cobrou com perfeição e colocou o São Paulo à frente, selando a emocionante vitória.
Próximos confrontos:
- São Paulo: Enfrentará o Grêmio pela 3ª rodada do Campeonato Brasileiro. A partida será no Morumbis, em São Paulo (SP), no dia 11 de fevereiro (quarta-feira), às 21h30 (horário de Brasília).
- Primavera: Receberá o Noroeste pela 8ª rodada do Paulistão. O jogo está marcado para 15 de fevereiro (domingo), às 20h30 (horário de Brasília), no Estádio Itálo Limongi, em Indaiatuba (SP).
| FICHA TÉCNICA | |
|---|---|
| SÃO PAULO 2 X 1 PRIMAVERA | |
| Competição | Campeonato Paulista (7ª rodada) |
| Local | Morumbis, em São Paulo (SP) |
| Data | 7 de fevereiro de 2026 (sábado) |
| Horário | 20h30 (de Brasília) |
| Público | 37.267 torcedores |
| Renda | R$ 1.705.237,00 |
| Cartões Amarelos | Luan Martins, Renato Vischi e Luiz Fernando (Primavera); Dória e Ferraresi (São Paulo) |
| Cartões Vermelhos | Renato Vischi (Primavera) |
| Árbitro | Murilo Tarrega Victor |
| Assistentes | Bruno Silva de Jesus e Anderson José de Moraes Coelho |
| VAR | Vinicius Dias Gonçalves Araújo |
| Gols | Gabriel Poveda, aos 8′ do 2ºT (Primavera) Lucas, aos 25′ do 2ºT (São Paulo) Calleri, aos 34′ do 2ºT (São Paulo) |
| Escalação São Paulo | Rafael; Ferraresi, Alan Franco e Dória (Luciano); Cédric (Lucas Ramon), Bobadilla (Calleri), Marcos Antônio, Lucas (Pedro Ferreira) e Enzo Díaz; Ferreirinha (Lucca) e Tapia (Danielzinho). |
| Técnico São Paulo | Hernán Crespo |
| Escalação Primavera | Victor Hugo; Kevin (Lucas Douglas), Afonso (Renato Vischi), Ligger e Thales; Júnior Caiçara, Luan Martins (João Victor) e Matheus Anjos (Paulinho); Welliton, Paulo Baya (Luiz Fernando) e Gabriel Poveda. |
| Técnico Primavera | Rafael Marques |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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