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Sorteio da Copa do Mundo de 2026; veja chave do Brasil

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A capital americana foi palco, nesta sexta-feira (05.12), do aguardado sorteio dos grupos da Copa do Mundo de 2026, que será sediada em conjunto por Estados Unidos, México e Canadá. Com um formato inédito que expande o torneio para 48 seleções, divididas em 12 chaves com quatro equipes cada, a competição promete ser a maior e mais abrangente da história do futebol.

O Brasil, pentacampeão mundial, conheceu seus adversários e foi alocado no Grupo C, onde enfrentará Marrocos, Haiti e Escócia. A Canarinho terá seus primeiros desafios nos dias 13 (sábado), 19 (sexta) e 24 de junho (quarta). A FIFA prometeu divulgar a tabela completa, com horários e locais dos confrontos, neste sábado, às 14h (de Brasília).

Entre os outros gigantes do futebol, a atual campeã Argentina figurou no Grupo J, ao lado de Argélia, Áustria e Jordânia. Já a França, vice-campeã em 2022, integrará o Grupo I, que também contará com Senegal, Noruega e um representante da repescagem Intercontinental 2 (Bolívia, Suriname ou Iraque).

Novo Formato e Caminho Para a Glória

A edição de 2026 trará uma mudança significativa na estrutura da competição. Pela primeira vez, 48 seleções disputarão o Mundial, exigindo que o time campeão dispute oito partidas até levantar a taça. Isso se deve à inclusão de uma fase de 16-avos de final, anterior às tradicionais oitavas.

Para avançar ao mata-mata, classificarão os dois primeiros colocados de cada um dos 12 grupos, além dos oito melhores terceiros colocados, totalizando 32 equipes na fase eliminatória.

Calendário e Palcos Históricos

A bola rola para o primeiro jogo da Copa do Mundo de 2026 em 11 de junho, no icônico Estádio Azteca, na Cidade do México, marcando um retorno histórico do torneio a um dos seus mais tradicionais palcos. No total, a competição contará com 104 partidas.

A fase de mata-mata terá início em 28 de junho, culminando na grande final em 19 de julho, que será disputada no Estádio MetLife, em Nova Jersey (EUA). A disputa pelo terceiro lugar está marcada para um dia antes, no Estádio Hard Rock, em Miami (EUA).

Os Grupos da Copa do Mundo de 2026:

Grupo A

  • México
  • África do Sul
  • Coreia do Sul
  • Repescagem Europa D (República Tcheca, Irlanda, Dinamarca ou Macedônia do Norte)

Grupo B

  • Canadá
  • Repescagem Europa A (Itália, Irlanda do Norte, País de Gales ou Bósnia)
  • Catar
  • Suíça

Grupo C

  • Brasil
  • Marrocos
  • Haiti
  • Escócia

Grupo D

  • Estados Unidos
  • Paraguai
  • Austrália
  • Repescagem Europa C (Turquia, Romênia, Eslováquia ou Kosovo)

Grupo E

  • Alemanha
  • Curaçao
  • Costa do Marfim
  • Equador

Grupo F

  • Holanda
  • Japão
  • Repescagem Europa B (Ucrânia, Suécia, Polônia ou Albânia)
  • Tunísia

Grupo G

  • Bélgica
  • Egito
  • Irã
  • Nova Zelândia

Grupo H

  • Espanha
  • Cabo Verde
  • Arábia Saudita
  • Uruguai

Grupo I

  • França
  • Senegal
  • Repescagem Intercontinental 2 (Bolívia, Suriname ou Iraque)
  • Noruega

Grupo J

  • Argentina
  • Argélia
  • Áustria
  • Jordânia

Grupo K

  • Portugal
  • Repescagem Intercontinental 1 (RD Congo, Jamaica ou Nova Caledônia)
  • Uzbequistão
  • Colômbia

Grupo L

  • Inglaterra
  • Croácia
  • Gana
  • Panamá

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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