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Vasco estreia com derrota no Brasileirão; Mirassol vence de virada 

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O Campeonato Brasileiro começou com um revés para o Vasco da Gama, que foi superado de virada pelo Mirassol por 2 a 1, em partida disputada na noite desta quinta-feira no interior paulista. O time carioca chegou a sair na frente, mas não conseguiu segurar a pressão do adversário e amargou a primeira derrota na competição.

Apesar de ter aberto o placar com um gol de Coutinho no primeiro tempo, o Vasco viu o Mirassol reagir ainda na etapa inicial com Renato Marques. No segundo tempo, Eduardo sacramentou a vitória dos donos da casa, garantindo os três primeiros pontos para a equipe paulista.

Com o resultado, o Mirassol subiu para a sexta colocação na tabela, enquanto o Vasco permanece sem pontuar, ocupando a 13ª posição ao final da rodada.

O jogo

A partida começou intensa, com ambas as equipes buscando o ataque. O Vasco teve uma boa chance logo no primeiro minuto com Andrés Gomez, mas o chute parou no goleiro Walter. O Mirassol respondeu com perigo, e Renato Marques chegou a driblar Léo Jardim, mas perdeu ângulo.

Mesmo com mais posse de bola, o Vasco não conseguia traduzir o domínio em chances claras. O Mirassol, por sua vez, aproveitava os espaços e assustava em chutes de Renato Marques e Negueba. Aos 20 minutos, porém, o cruzmaltino conseguiu abrir o marcador: Puma Rodríguez cruzou e Coutinho, de cabeça, colocou a bola na rede. O lance gerou preocupação, pois Coutinho e o zagueiro João Victor se chocaram e precisaram de atendimento.

O gol vascaíno impulsionou a reação do Mirassol, que chegou ao empate aos 31 minutos. Após cruzamento, Renato Marques cabeceou, e a bola desviou em Cuesta antes de ir para o gol, sendo creditada ao atacante paulista. A igualdade persistiu até o intervalo, com o jogo bastante disputado.

Segundo tempo

Na volta para o segundo tempo, o Mirassol mostrou mais ímpeto e não demorou a virar o jogo. Aos oito minutos, após um erro na saída de bola do Vasco, Alesson deu um passe preciso para Eduardo, que chutou. A bola desviou em Thiago Mendes e enganou o goleiro Léo Jardim, estufando as redes.

Após o gol da virada, o ritmo da partida diminuiu. O Mirassol passou a administrar o resultado, enquanto o Vasco encontrava dificuldades para criar jogadas de perigo e furar a defesa adversária. A falta de criatividade vascaína foi um fator determinante para que o placar não fosse alterado. Nos minutos finais, o time carioca tentou a pressão com chutes de Andrés Gomez e Andrey, mas sem sucesso, confirmando a derrota no interior paulista.

Próximos compromissos

Mirassol volta a campo pelo Campeonato Paulista, enfrentando o Novorizontino em 1º de fevereiro, às 18h30 (de Brasília).

Vasco da Gama terá pela frente o Madureira pelo Campeonato Carioca, no dia 2 de fevereiro, às 20h (de Brasília), buscando a reabilitação após o mau início no Brasileirão.

FICHA TÉCNICA
                                                Mirassol 2 x 1 Vasco
Competição Campeonato Brasileiro
Local Estádio José Maria de Campos Maia
Data 29 de janeiro de 2026 (quinta-feira)
Horário 20h (de Brasília)
Gols
Vasco Philippe Coutinho, aos 21′ do 1ºT
Mirassol Carlos Cuesta (gol contra), aos 32′ do 1ºT
Mirassol Eduardo, aos 9′ do 2ºT
Cartões Amarelos
Mirassol Willian Machado, Nathan Fogaça
Vasco Nuno Moreira
Cartões Vermelhos Nenhum
Arbitragem
Árbitro Rodrigo José Pereira Lima (PE)
Assistentes Fernanda Nandrea Gomes Antunes (MG), Francisco Chaves Bezerra Júnior (PE)
VAR Daniel Nobre Bins (RS-VAR-Fifa)
Escalações
Mirassol Walter, Igor Formiga, João Victor, William Machado e Reinaldo (Luiz Otávio); Yuri Lara, Neto Moura (Aldo Filho) e Eduardo (Galdino); Negueba, Alesson (Galeano) e Renato Marques (Nathan Fogaça).
Técnico (Mirassol) Rafael Guanaes
Vasco Léo Jardim, Puma Rodriguez, Carlos Cuesta, Robert Renan e Lucas Piton (João Victor); Thiago Mendes, Cauan Barros (GB) e Philippe Coutinho; Andrés Gómez, Nuno Moreira (Andrey) e Rojas (Matheus França).
Técnico (Vasco) Fernando Diniz

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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