Esportes
Virada heroica: Palmeiras bate São Paulo por 3 a 2 no Morumbis
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Em um clássico eletrizante no Morumbis, o Palmeiras protagonizou uma virada impressionante sobre o São Paulo neste domingo, vencendo por 3 a 2. O resultado não só garantiu a vitória no Choque-Rei, como também alçou o Verdão à liderança provisória do Campeonato Brasileiro, enquanto o Tricolor lamentou a perda de pontos preciosos em casa.
A partida foi marcada por um roteiro dramático. O São Paulo abriu uma vantagem confortável de 2 a 0, com gols de Luciano e Tapia, e teve a oportunidade de ampliar, mas o Palmeiras demonstrou resiliência, buscando a virada com gols de Flaco López, Vitor Roque e Sosa. O confronto também foi pontuado por uma polêmica de arbitragem que gerou muitas reclamações do lado tricolor.
O Jogo
O Palmeiras até ensaiou uma primeira chance com Piquerez, aos três minutos, defendida por Rafael. No entanto, foi o São Paulo quem soube capitalizar as oportunidades. Aos 14, após roubada de bola de Sabino, Marcos Antônio lançou Luciano, que tirou do goleiro Weverton para abrir o placar. Aos 34, a vantagem tricolor aumentou. Enzo Díaz venceu duas divididas pela esquerda e cruzou para Tapia completar na pequena área, levando o placar para 2 a 0. Atordoado, o Palmeiras teve poucas reações na primeira etapa, com um chute de Vitor Roque defendido por Rafael sendo a principal.
A segunda etapa, no entanto, reservou uma reviravolta. O Verdão voltou com outra postura e começou a pressionar. Aos 24 minutos, Vitor Roque diminuiu. Recebendo cruzamento de Mauricio, o camisa 9 mergulhou de cabeça para acertar o canto de Rafael. Quatro minutos depois, Flaco López deixou tudo igual em um golaço, dominando na entrada da área e batendo colocado de esquerda, sem chances para o goleiro são-paulino.
Polêmica e virada no fim
A virada alviverde foi temperada por uma controvérsia. O São Paulo reclamou de um possível pênalti não marcado no início do segundo tempo, quando ainda vencia por 2 a 0. Tapia caiu na área após dividida com Allan, mas o árbitro Ramon Abatti Abel interpretou o lance como “choque normal”, ignorando os apelos tricolores.
No fim da partida, já aos 43 minutos, o Palmeiras selou a virada. Allan fez um cruzamento preciso para Sosa, que se antecipou à marcação e cabeceou para o fundo das redes, garantindo a vitória para o time visitante.
Situação na tabela
Com o resultado, o Palmeiras assume a ponta da tabela com 55 pontos, aguardando os demais jogos da rodada para confirmar se manterá a liderança. O São Paulo, por sua vez, permanece na oitava posição, com 38 pontos, perdendo a chance de entrar no G6.
Próximos confrontos
O São Paulo terá um desafio fora de casa pela 28ª rodada do Brasileirão, enfrentando o Grêmio na Arena do Grêmio, em Porto Alegre (RS), no dia 16 de outubro (quinta-feira), às 19h (de Brasília).
Já o Palmeiras volta a campo em seus domínios, no Allianz Parque, para um confronto contra o Juventude, pela 12ª rodada do Campeonato Brasileiro, no dia 11 de outubro (sábado), às 19h (de Brasília).
FICHA TÉCNICA
São Paulo 2 x 3 Palmeiras
Competição: Campeonato Brasileiro (27ª rodada)
Data: 5 de outubro de 2025 (domingo)
Horário: 16h (de Brasília)
Local: Morumbis, em São Paulo (SP)
Público: 33.928 torcedores
Renda: R$ 1.612.461,00
Gols:
- Luciano, aos 14′ do 1ºT (São Paulo)
- Tapia, aos 34′ do 1ºT (São Paulo)
- Vitor Roque, aos 24′ do 2ºT (Palmeiras)
- Flaco López, aos 34′ do 2ºT (Palmeiras)
- Sosa, aos 43′ do 2ºT (Palmeiras)
Cartões Amarelos:
- Palmeiras: Raphael Veiga, Andreas Pereira, Vitor Roque, Aníbal Moreno
- São Paulo: Bobadilla, Pablo Maia, Enzo Díaz
Arbitragem:
- Árbitro: Ramon Abatti Abel (SC)
- Assistentes: Danilo Ricardo Simon Manis (SP) e Rafael da Silva Alves (RS)
- VAR: Ilbert Estevam da Silva (SP)
São Paulo:
- Goleiro: Rafael
- Defensores: Arboleda, Alan Franco e Sabino
- Meio-campistas: Cédric, Pablo Maia, Bobadilla (Alisson), Marcos Antônio (Rodriguinho) e Enzo Díaz
- Atacantes: Tapia (Lucas) e Luciano
- Técnico: Hernán Crespo
Palmeiras:
- Goleiro: Weverton
- Defensores: Giay (Allan), Gustavo Gómez, Murilo (Bruno Fuchs) e Piquerez (Jefté)
- Meio-campistas: Aníbal Moreno, Andreas Pereira, Raphael Veiga (Mauricio) e Felipe Anderson (Sosa)
- Atacantes: Flaco López e Vitor Roque
- Técnico: Abel Ferreira
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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