Mato Grosso

Polícia Civil cumpre mandados contra funcionária de hospital que desviava valores de clientes de cirurgias plásticas

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¿A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta terça-feira (27.1), a Operação Perfídia para cumprimento de ordens judiciais contra uma mulher envolvida em crime de furto mediante abuso de confiança. Ela teria causado um prejuízo de mais de R$ 400 mil a um hospital especializado em cirurgias plásticas na Capital.

Foram cumpridos, na operação, mandados de busca e apreensão domiciliar, quebra do sigilo dos dados do aparelho telefônico, sequestro de bens móveis e imóveis e quebra do sigilo bancário, expedidos pela Justiça contra a funcionária.

As investigações, conduzidas pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá, apontaram que a investigada era funcionária do hospital e utilizou sua função de confiança para acessar o sistema financeiro da entidade e, reiteradamente, apropriar-se de valores da unidade.

Os valores subtraídos eram transferidos para uma conta de titularidade da investigada e para outra conta vinculada a um instituto, sendo possível identificar diversas transferências, pagamentos e Pix destinados à investigada, os quais não possuem nenhum respaldo contratual ou justificativa operacional.

Modo de ação

Na fraude financeira, os pacientes realizavam pagamentos referentes a cirurgias e procedimentos médicos, acreditando que os valores estavam sendo destinados ao hospital. De posse das informações da agenda cirúrgica, ela emitia recibos ou orientava os pacientes a realizar transferências Pix ou pagamentos por maquininha de cartão.

Os valores eram depositados diretamente em contas controladas pela investigada, e não na conta institucional do hospital. Para dar aparência de legalidade, em alguns casos, a investigada chegou a emitir nota fiscal falsa, simulando procedimentos não realizados ou utilizando informações falsas.

Continuidade dos crimes

A investigada foi desligada da empresa em fevereiro de 2025, mas, mesmo assim, continuou a se passar por funcionária, mantendo contato com pacientes e solicitando novos pagamentos, mesmo sem vínculo com o hospital, o que demonstra a permanência do dolo e a intenção de continuidade delitiva.

Segundo o delegado Luiz Felipe Leoni, responsável pelas investigações durante o cumprimento das ordens judiciais, foi apreendido um veículo Toyota Corolla, que estava em posse da investigada.

“A recuperação de ativos é um dos fundamentos da máxima efetividade na persecução criminal, ante a descapitalização dos agentes criminosos como estratégia importante no combate ao crime. Tais premissas têm norteado esta Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Cuiabá”, pontuou o delegado.

Perfídia

O nome da operação, que significa traiçoeiro e desleal, faz referência à quebra de confiança praticada pela investigada contra os pacientes e a entidade em que trabalhava.

Fonte: Governo MT – MT

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Mato Grosso

Mulheres da Cadeia Pública Feminina de Cáceres transformam vivências em versos

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Vista de cima, uma mulher de blusa rosa escreve em um caderno de capa vermelha. Na mesa de vidro, há folhas impressas e os livros “Aqui, escrever não é tarefa, é respiro, é desabafo que sangra em palavras.” Os versos são de uma mulher privada de liberdade na Cadeia Pública Feminina de Cáceres e foram apresentados nesta quarta-feira (3) durante a capacitação virtual Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena, promovida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) e a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT).

A professora Eliene Rocha Pereira apresentou as boas práticas do projeto “Remição pela Leitura: eu, leitora de mundo dentro dos muros”, desenvolvido junto com a professora Aline Aparecida Rocha. A iniciativa transforma os relatos de vida das detentas em poesia e, segundo Eliene, surpreendeu até as próprias participantes. “Esse trabalho mostrou que as meninas têm potencial para fazer as coisas. Quando eu mostrei o resultado para elas, foi uma satisfação muito grande ver que gostaram”, contou a professora durante a apresentação.

Inspiração e metodologia

O projeto nasceu inspirado na escritora Carolina Maria de Jesus, autora de Quarto de Despejo, que registrou em palavras a dureza de sua vida na favela. As detentas se identificaram com a trajetória da escritora a ponto de manifestarem interesse em ler o livro, desejo que ainda não foi possível atender.

O trabalho seguiu cinco etapas: apresentação do projeto e diálogo sobre a importância da escrita; leitura e reflexão sobre as obras de Carolina Maria de Jesus; produção de relatos sobre experiências de vida dentro e fora da prisão; transformação dos relatos em poesias com o apoio de inteligência artificial; e socialização dos poemas em eventos e murais pedagógicos.

Eliene explicou que organizou e corrigiu os textos produzidos pelas participantes, preservando os pensamentos e a voz de cada uma. “Eu dei uma organizada no texto, porque elas erravam muitas palavras, mas os pensamentos e a história delas foram mantidos”, disse.

A voz que não se cala

Um dos poemas apresentados, de autora identificada como E. S. Freitas, retrata com força a convivência no sistema prisional, a desconfiança, a solidão, as hierarquias invisíveis e, ao mesmo tempo, a resistência e o aprendizado. Em seus versos, a autora escreve sobre conhecer sotaques e culturas de diferentes estados, sobre não abaixar a cabeça e não perder a humanidade: “Essa é minha voz ecoando entre muros que tentam calar, mas não consegue.”

Para Eliene, o significado do projeto vai além da escrita. “Esse projeto quer mostrar que mesmo dentro dos muros da prisão existem histórias importantes que precisam ser contadas e ouvidas”, afirmou.

Sobre a capacitação

A capacitação Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena é uma realização conjunta do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF/TJMT), da Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (Coeja/Seduc-MT) e do Núcleo de Educação no Sistema Penitenciário (NESP/Sejus-MT). A coordenação está a cargo do juiz auxiliar do GMF, Pierro de Faria Mendes.

O evento tem como objetivo capacitar professores, pedagogos e outros profissionais para a implementação de práticas de leitura no sistema prisional, em alinhamento com o Plano Nacional de Fomento à Leitura no Sistema Prisional e com a Resolução CNJ nº 391/2021.

Autor: Roberta Penha

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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