Opinião
Artrose do quadril pode afetar pessoas de todas as idades
Opinião
Por Dr. José Milton Pelloso Jr.
A artrose de quadril, também conhecida como “desgaste” do quadril, ocorre em mais de 16% da população mundial acima de 45 anos de idade e pode estar associada a outras articulações com artrose concomitantemente. É uma doença degenerativa que afeta a cartilagem da articulação, causando dor e limitação de movimentos, podendo impactar significativamente a qualidade de vida.
Estima-se que cerca de 10 milhões de pessoas no Brasil sofram com essa condição, sendo que sua patologia é multifatorial e está relacionada também a fatores hereditários, trauma, obesidade, sobrecarga articular, fatores hormonais, entre outras. Pode inclusive ocorrer como sequelas de atividades físicas de alto impacto como futebol, tênis e corridas.
Geralmente localizada na área da virilha, a dor inicia de forma branda e piora com o tempo, irradiando até os joelhos. Com a evolução da artrose, a dor aumenta de intensidade restringindo atividades diárias e na fase mais crítica, as dores podem acometer o paciente até mesmo quando em repouso e ao dormir. Com o avanço da doença, algumas pessoas necessitam de uso de bengala ou andador para auxiliar na locomoção.
Com o diagnóstico precoce, algumas medidas podem ajudar a reduzir o risco de artrose ou retardar a progressão da doença, como manter um peso saudável, praticar exercícios físicos regularmente para fortalecer a musculatura do quadril e evitar atividades de alto impacto que possam sobrecarregar a articulação.
Em casos de sintomas persistentes, procure um médico ortopedista especialista, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, regional Mato Grosso (SBOT-MT) para o diagnóstico e tratamento adequados ao perfil de cada um.
Dr. José Milton Pelloso Jr. é médico ortopedista, especialista em Cirurgia do Quadril, membro da SBOT-MT e da Sociedade Brasileira do Quadril, onde faz parte da diretoria
Opinião
O varejo não quebrou, mas a cabeça do cliente mudou
Voltei da Omni Varejo 2026, em João Pessoa, com a cabeça fervendo. Não foi por causa do calor nordestino, mas de uma palestra do publicitário Walter Longo, que me fez repensar quase tudo o que fazemos no comércio cuiabano.
O varejo não está em crise. O que está acontecendo é uma mudança brutal na cabeça do consumidor. Como disse Longo: “Agora, assistimos a uma migração sem precedentes, mas ela é cognitiva, não geográfica.” Seu cliente não mudou de bairro — mudou dentro da própria cabeça. Ele quer respostas rápidas, soluções imediatas. E quem não perceber isso vai ficar para trás.
Nicholas Carr, jornalista, explica que estamos migrando a atividade neural do hipocampo (pensamento profundo) para o córtex pré-frontal (piloto automático). A revista The Economist estima que as distrações digitais custam US$ 650 bilhões por ano aos Estados Unidos. Aqui no Brasil, a conta também é pesada.
A saída? Um modelo de negócio mais leve. Longo foi direto: “O segredo do futuro não está em ter mais, e sim em ser mais leve.” Menos estoque, menos peso, mais flexibilidade. O cliente quer agilidade, e estoque enorme virou âncora.
No marketing, a virada é igualmente radical: “O futuro não está em atingir pessoas em massa, mas em compreender pessoas em frações.” Pessoas não são — pessoas estão. Tratar o cliente como ficha cadastral é coisa do passado.
E a cereja do bolo: “Gerir uma empresa daqui para frente significa entender como funcionam as pessoas, e não apenas o negócio.” A economista inglesa Dame Minouche Shafik resume bem: “No passado, empregos dependiam de músculos; agora, do cérebro; no futuro, vão depender do coração.”
Mas não dá para ignorar o presente: juros nas alturas, inadimplência que não dá trégua e um fenômeno que vem arrasando milhares de pessoas no país, apostas esportivas e jogos online passaram a disputar espaço no orçamento dos brasileiros, além do custo de capital corroendo margens. A realidade é dura e fingir que ela não existe é receita para o fracasso.
E é justamente aí que mora a oportunidade. Estoque enxuto não é só modernidade: é menos dinheiro parado pagando juros altos. Atendimento personalizado não é só marketing: é fidelizar quem já compra, mesmo com crédito restrito. Gestão com coração não é só empatia: é time engajado, que vende mais e gera indicações — o melhor remédio contra a queda de consumo.
E a inadimplência? A saída é usar tecnologia para analisar o perfil de crédito em tempo real, oferecer prazos que cabem no bolso e recuperar clientes com abordagem humana. Porque coração também se usa na hora de negociar.
Os lojistas que vão crescer não são os que ignoram os juros, são os que aprendem a dançar com eles. Margem apertada exige giro rápido. Capital caro exige criatividade. Cliente endividado exige oferta inteligente, não apenas desconto.
Como presidente da CDL Cuiabá, saio do evento convicto: nossos desafios são reais, mas nossas armas também. Temos tecnologia, conhecimento e, acima de tudo, um comércio que já provou que sabe renascer.
O varejo cuiabano vai ser mais leve, mais humano e mais esperto. Vai usar a crise como combustível para inovar.
Não tem mais volta: a cabeça do cliente já mudou. Os juros estão altos, a inadimplência existe, mas nossa capacidade de reinventar é maior. Agora é a nossa vez — e vamos sair dessa maiores do que entramos.
*Júnior Macagnam, empresário da moda e presidente da CDL Cuiabá
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