Opinião
Coragem para recomeçar
Opinião
Por Vanessa Suzuki
Vivemos uma era de insatisfação generalizada no trabalho. Jovens e veteranos, cada qual a seu modo, parecem deslocados.
De um lado, as novas gerações são criticadas por sua fluidez — mudam de emprego com facilidade, buscam conforto e propósito mais do que estabilidade. Não se conectam às culturas corporativas e trocam o crachá sem remorso, mesmo que isso signifique ganhar menos.
Para muitos, o trabalho é apenas um meio temporário de financiar experiências, e não mais o eixo em torno do qual se constrói uma vida.
Mas há um outro tipo de desconexão, mais silenciosa e dolorosa, que raramente é discutida: a dos profissionais com mais de 35 anos que permanecem presos a empregos que já não fazem sentido.
São pessoas que acumularam conhecimento, experiência e maturidade, mas que se veem imobilizadas pelo medo — medo de arriscar, de perder o pouco de segurança conquistada, de enfrentar o desconhecido.
Enquanto os jovens saem correndo das empresas sem olhar para trás, os mais velhos permanecem nelas por inércia. Acomodam-se em rotinas que já não inspiram, sustentam uma lealdade que a própria empresa não exige mais, e confundem prudência com resignação.
O resultado é uma forma sutil de exaustão: vidas profissionais longas, porém murchas; carreiras que continuam apenas por hábito.
O tempo, que poderia ser aliado, torna-se carcereiro. E assim muitos passam os melhores anos de maturidade — quando têm mais discernimento, repertório e serenidade — cumprindo tarefas que já não os representam.
É preciso coragem para recomeçar, mas coragem não é privilégio da juventude. Há uma potência imensa em quem já viveu o bastante para saber o que realmente importa.
Esses profissionais maduros conhecem o mercado, entendem as pessoas, sabem onde erraram e onde acertaram. Têm exatamente o que falta aos mais novos: consistência, paciência, visão. O que lhes falta é apenas o impulso — a centelha de desprendimento que as novas gerações têm de sobra.
O medo de inovar é compreensível, mas o conformismo é mortal.
Quem permanece onde já não há sentido troca a possibilidade de um futuro verdadeiro pela ilusão da segurança. E segurança, no mundo de hoje, é conceito cada vez mais frágil.
Talvez seja hora de inverter os papéis: que os jovens aprendam com a experiência dos mais velhos — e que os mais velhos aprendam com a leveza dos jovens. Porque a maturidade só se realiza quando é capaz de ousar novamente, sem o peso do passado e nem o pavor do futuro.
Afinal, o trabalho só tem valor quando é expressão de vida, e não mera sobrevivência.
*VANESSA SUZUKI é jornalista e anfitriã na plataforma Airbnb desde 2019
Opinião
Depoimentos à PF apontam suspeita de caixa 2 em campanha em VG
Relatos indicam pagamentos em dinheiro vivo a fiscais, fora das contas oficiais. Caso pode gerar investigação eleitoral e risco à chapa.
Depoimentos prestados à Polícia Federal em Mato Grosso apontam indícios de possíveis irregularidades na campanha eleitoral de 2024 da prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti. As informações constam em relatos de coordenadores e colaboradores que teriam atuado durante o período eleitoral.
A informação foi divulgada com exclusividade pelo Blog do Popo.
Segundo os depoimentos, alguns fiscais de partido teriam recebido pagamentos em dinheiro vivo, apesar de contratos que previam transferências via PIX. Uma das pessoas ouvidas detalhou que recebeu valores por serviços prestados e também quantias adicionais em espécie para repassar a outros fiscais.
“Os pagamentos previstos eram por transferência, mas parte foi feita em dinheiro entregue no comitê”, relatou uma das testemunhas às autoridades.
Os indícios levantam a suspeita de que parte dos recursos utilizados na campanha não teria transitado pelas contas oficiais, o que, em tese, pode configurar irregularidade eleitoral. A Polícia Federal apura se a prática teria ocorrido de forma pontual ou sistemática durante o primeiro turno.
Nos bastidores, há a expectativa de que novos depoimentos com teor semelhante possam ser formalizados, ampliando o alcance das investigações. Caso as irregularidades sejam confirmadas, especialistas apontam que podem ser abertos processos por abuso de poder econômico e captação ilícita de recursos.
“Se comprovadas, as irregularidades podem ter consequências eleitorais relevantes”, avaliam fontes ligadas à área jurídica.
Até o momento, não há decisão judicial sobre o caso. A apuração segue em andamento e deve avançar conforme a análise dos documentos e depoimentos coletados pelas autoridades.

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