Opinião
Elson Ramos coloca nome à disposição e avalia disputa em 2026
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Elson Ramos confirmou que pode entrar de vez na política em 2026. Em entrevista ao PodRevirar, ele contou que essa ideia não é de agora e vem sendo construída há alguns anos, mesmo já sendo uma figura conhecida.
“A gente vem trabalhando isso há algum tempo. Não é fácil sair da vida privada pra pública, mas minha vida já é bem exposta”, disse.
Ele lembrou que, em 2024, chegou perto de disputar como vice-prefeito de Cuiabá, mas a escolha acabou sendo por outro nome.
“Teve essa chance, a gente trabalhou, mas no fim o candidato escolheu outro e não deu certo”, afirmou.
Agora, o cenário é outro. Com as eleições de 2026 se aproximando, o nome de Elson volta a ser discutido dentro do partido e também em conversas com outros grupos políticos.
“Meu nome está à disposição. A gente conversa com outros partidos, pode ter composição ou até disputar uma vaga na Câmara Federal”, explicou.
Segundo ele, tudo ainda está sendo analisado pelo Podemos e pelas lideranças do grupo.
“Agora é hora de conversar, ver o que é melhor. A gente está bem posicionado e confiante”, pontuou.
Mesmo com a possibilidade real de candidatura, Elson mantém os pés no chão.
“Se der certo, deu. Se não der, está tudo certo também. Vou continuar trabalhando e ajudando como sempre fiz”, disse.
Ao falar sobre o que pretende fazer na política, ele deixa claro que o foco é o social, área que, segundo ele, sempre fez parte da sua vida.
“Eu sempre vivi isso. Muita gente me ajudou e eu quero retribuir. Já participei de várias ações com jovens, incentivando a trabalhar e buscar um caminho”, contou.
Para Elson, fazer política é estar perto das pessoas e entender a realidade delas.
“Tem que gostar de gente, sentir o que o outro está passando. Quando você tem isso, você está no caminho certo”, concluiu.
Opinião
O varejo não quebrou, mas a cabeça do cliente mudou
Voltei da Omni Varejo 2026, em João Pessoa, com a cabeça fervendo. Não foi por causa do calor nordestino, mas de uma palestra do publicitário Walter Longo, que me fez repensar quase tudo o que fazemos no comércio cuiabano.
O varejo não está em crise. O que está acontecendo é uma mudança brutal na cabeça do consumidor. Como disse Longo: “Agora, assistimos a uma migração sem precedentes, mas ela é cognitiva, não geográfica.” Seu cliente não mudou de bairro — mudou dentro da própria cabeça. Ele quer respostas rápidas, soluções imediatas. E quem não perceber isso vai ficar para trás.
Nicholas Carr, jornalista, explica que estamos migrando a atividade neural do hipocampo (pensamento profundo) para o córtex pré-frontal (piloto automático). A revista The Economist estima que as distrações digitais custam US$ 650 bilhões por ano aos Estados Unidos. Aqui no Brasil, a conta também é pesada.
A saída? Um modelo de negócio mais leve. Longo foi direto: “O segredo do futuro não está em ter mais, e sim em ser mais leve.” Menos estoque, menos peso, mais flexibilidade. O cliente quer agilidade, e estoque enorme virou âncora.
No marketing, a virada é igualmente radical: “O futuro não está em atingir pessoas em massa, mas em compreender pessoas em frações.” Pessoas não são — pessoas estão. Tratar o cliente como ficha cadastral é coisa do passado.
E a cereja do bolo: “Gerir uma empresa daqui para frente significa entender como funcionam as pessoas, e não apenas o negócio.” A economista inglesa Dame Minouche Shafik resume bem: “No passado, empregos dependiam de músculos; agora, do cérebro; no futuro, vão depender do coração.”
Mas não dá para ignorar o presente: juros nas alturas, inadimplência que não dá trégua e um fenômeno que vem arrasando milhares de pessoas no país, apostas esportivas e jogos online passaram a disputar espaço no orçamento dos brasileiros, além do custo de capital corroendo margens. A realidade é dura e fingir que ela não existe é receita para o fracasso.
E é justamente aí que mora a oportunidade. Estoque enxuto não é só modernidade: é menos dinheiro parado pagando juros altos. Atendimento personalizado não é só marketing: é fidelizar quem já compra, mesmo com crédito restrito. Gestão com coração não é só empatia: é time engajado, que vende mais e gera indicações — o melhor remédio contra a queda de consumo.
E a inadimplência? A saída é usar tecnologia para analisar o perfil de crédito em tempo real, oferecer prazos que cabem no bolso e recuperar clientes com abordagem humana. Porque coração também se usa na hora de negociar.
Os lojistas que vão crescer não são os que ignoram os juros, são os que aprendem a dançar com eles. Margem apertada exige giro rápido. Capital caro exige criatividade. Cliente endividado exige oferta inteligente, não apenas desconto.
Como presidente da CDL Cuiabá, saio do evento convicto: nossos desafios são reais, mas nossas armas também. Temos tecnologia, conhecimento e, acima de tudo, um comércio que já provou que sabe renascer.
O varejo cuiabano vai ser mais leve, mais humano e mais esperto. Vai usar a crise como combustível para inovar.
Não tem mais volta: a cabeça do cliente já mudou. Os juros estão altos, a inadimplência existe, mas nossa capacidade de reinventar é maior. Agora é a nossa vez — e vamos sair dessa maiores do que entramos.
*Júnior Macagnam, empresário da moda e presidente da CDL Cuiabá
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