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Assembleia debate falta de técnicos em mobilização ortopédica em Mato Grosso

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A Assembleia Legislativa realizou, nesta sexta-feira (28), uma audiência pública para debater a qualificação em mobilizações ortopédicas, reunindo profissionais da área, representantes de hospitais e instituições de ensino para discutir a escassez de técnicos certificados e os impactos dessa lacuna na prestação de serviços de saúde.

Durante a audiência, que foi requerida pelo deputado Dr. Eugênio (PSB), foram destacados os desafios enfrentados pela área de mobilização ortopédica, especialmente a falta de profissionais devidamente formados por instituições de ensino, o que compromete a qualidade do atendimento aos pacientes.

A proposta do encontro foi justamente abrir diálogo com a categoria patronal, autoridades e especialistas para compreender a dimensão do problema e buscar soluções que ampliem a oferta de qualificação técnica. Dr. Eugênico que, ao assumir a presidência da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa no próximo ano, seu mandato será uma ferramenta estratégica para ampliar a mobilização e fortalecer o reconhecimento da categoria.

Para contribuir com o debate, foi convidado o técnico aposentado em imobilização ortopédica, Antônio Grimaldo da Silva, de São Paulo, que acumula 39 anos de experiência na área. Ele lembrou de sua atuação na capital paulista, onde, segundo ele, a unidade hospitalar em que trabalhava realizava cerca de 120 atendimentos diários.

“A maioria envolvendo vítimas de acidentes de trânsito, especialmente motociclistas”, destacando Grimaldo que, ao longo dos anos, apresentou diversas técnicas de mobilização e aplicação de gesso para garantir um atendimento rápido e eficiente aos pacientes com fraturas e outras lesões ortopédicas.

Grimaldo contou que o início de sua carreira foi o período mais desafiador, já que não havia curso específico para a função e o aprendizado ocorria diretamente na prática. Ele relatou que trabalhava na enfermagem quando foi avisado de que teria apenas três dias para aprender a engessar, pois precisaria substituir o profissional responsável, que na época não era técnico, mas conhecido como “gesseiro”.

Dr. Eugênio afirmou que é o parlamentar que mais destina recursos para a saúde em Mato Grosso, ultrapassando o mínimo obrigatório de 50% das emendas e aplicando mais de 75% para enfrentar o que chamou de “vazio” na área da saúde no Estado.

Médico e representante do interior, ele ressaltou que as dificuldades enfrentadas pela população são ainda maiores longe da capital, o que o levou a adotar um modelo de mandato inédito na história dos 190 anos da Assembleia Legislativa, destinar 100% de suas emendas parlamentares à região do Araguaia, que representa.

A Associação dos Técnicos de Imobilização Ortopédica de Mato Grosso esteve representada na audiência pelo presidente Leonardo Leite Ribeiro, profissional com 35 anos de trajetória que começou como “gesseiro” e se especializou na área. Leonardo alertou para a grande demanda reprimida no estado, onde concursos públicos seguem desertos pela falta de técnicos formados.

“A audiência convocada pelo parlamentar é crucial para avançar nas reivindicações da categoria, especialmente na qualificação profissional e no enfrentamento da carência existente. Como presidente da entidade, reafirmou o compromisso da Associação em fortalecer e capacitar os técnicos, garantindo atendimento seguro e eficaz aos pacientes”, afirmou Ribeiro.

Leonardo Ribeiro afirmou que a entidade atua para elevar o padrão de qualidade dos serviços prestados e assegurar segurança aos pacientes, ressaltando a necessidade de apoio institucional do Parlamento para reconhecer oficialmente a representatividade da associação.

Ribeiro solicitou ainda que a Assembleia Legislativa contribua para levar às autoridades a importância da categoria, fortalecer a atuação da Associação e auxiliar na construção de instrumentos legais que permitam, no futuro, a evolução da entidade para um conselho estadual e, posteriormente, federal, garantindo unificação e regulamentação da profissão em todo o país.

O deputado Dr. Eugênio afirmou que audiência pública dará visibilidade aos profissionais de imobilização ortopédica, que, segundo ele, atuam de forma silenciosa e essencial nos setores de urgência e emergência de hospitais e clínicas de Mato Grosso. Para o parlamentar, o debate marca o início de um “trabalho de formiguinha” que deverá ganhar força e alcançar os 142 municípios do estado, garantindo que cada unidade hospitalar conte com um responsável técnico qualificado.

Fonte: ALMT – MT

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Eleições 2026: influenciadores podem ser contratados para fazer campanha eleitoral?

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No Brasil, existem mais de 10 milhões de influenciadores com, pelo menos, mil seguidores na plataforma Instagram, resultado que coloca o país na segunda posição do ranking global, atrás apenas dos Estados Unidos. São os dados de um levantamento feito pela Nielsen, empresa que analisa o comportamento dos consumidores em mais de 100 países.

Com tanta gente produzindo conteúdo e falando para diferentes públicos, os influenciadores também ganham espaço no período eleitoral. A capacidade de influenciar escolhas de consumo pode se estender a outros assuntos do cotidiano, incluindo o debate político. Nas redes, esses criadores podem falar sobre propostas, candidatos, eleições e cidadania para milhares ou até milhões de pessoas.

Embora a televisão e o rádio ainda tenham forte presença nas eleições brasileiras, especialmente por meio do horário eleitoral gratuito, as redes sociais vêm ganhando espaço como fontes de informação e debate público. 

O estudo Digital News Report 2026, publicado pelo Instituto Reuters em parceria com a Universidade de Oxford, mostra que 53% dos brasileiros já utilizam as redes sociais e plataformas de vídeo para acessar notícias semanalmente. O relatório também aponta que 33% recebem conteúdos de criadores ou influenciadores que se concentram principalmente em notícias. 

Desde 2014, a professora da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), Issaaf Karhawi, se dedica a compreender a cultura dos influenciadores digitais no Brasil, investigação que deu origem ao livro De blogueira a influenciadora. Em entrevista ao programa Cidadania Senado Verifica, na TV Senado, Issaaf destacou a responsabilidade dos criadores de conteúdo na circulação de informações, especialmente no período eleitoral.

— Os influenciadores digitais devem se responsabilizar pelo espaço que ocupam. O cuidado com a informação é imprescindível— afirmou a pesquisadora.

O que dizem as regras do TSE para 2026?

O consultor legislativo Rodrigo Marengo explica que a Resolução 23.755, de 2026 atualizou as regras para as Eleições 2026. Ele destaca que o texto não usa a palavra “influenciador”, mas estabelece que é lícita a veiculação de propaganda eleitoral em canais e perfis de pessoas naturais (art. 28, § 6º-A). 

— As regras vigentes permitem que os influenciadores participem ativamente da propaganda eleitoral, desde que de forma totalmente gratuita e sem a realização de impulsionamento de conteúdo — afirma o consultor.

Isso significa que candidatos, partidos e federações partidárias não podem contratar, premiar ou oferecer qualquer benefício para que influenciadores publiquem propaganda eleitoral, mesmo de forma indireta. 

O consultor destaca ainda que os influenciadores podem exercer a sua liberdade de expressão como qualquer eleitor.

— O influenciador pode manifestar seu pensamento livremente, desde que: 1 — não se valha do anonimato; 2 — não ofenda a honra ou a imagem de candidatos e partidos; 3 — não promova a incitação de atos ilícitos; e 4 — não divulgue fatos sabidamente inverídicos ou gravemente descontextualizados, como as fake news — afirma.

No ambiente digital, a distinção entre manifestação espontânea, publicidade e propaganda eleitoral se torna um dos principais desafios para quem consome o conteúdo. A professora Issaaf Karhawi acredita que os influenciadores digitais podem desempenhar um papel relevante na aproximação dos eleitores com o processo eleitoral, desde que atuem com transparência e responsabilidade.

— Um problema na comunicação dos influenciadores é perceber a distinção entre o que é pessoal e o que é comercial — explicou.

E quando o influenciador é um personagem fictício feito com IA?

Outro desafio para as eleições de 2026 é o uso da inteligência artificial. Ferramentas capazes de produzir ou modificar imagens, vídeos e áudios podem criar personagens e facilitar a criação de conteúdos falsos ou manipulados, tornando mais difícil para o público identificar o que é verdadeiro. A Justiça Eleitoral também estabeleceu regras específicas para conteúdos sintéticos produzidos ou alterados por inteligência artificial, incluindo a identificação desse tipo de material.

Segundo Rodrigo Marengo, personagens fictícios criados por IA podem ser utilizados em propagandas eleitorais, mas o responsável pelo conteúdo deve informar, de maneira explícita, destacada e acessível, que o material foi fabricado ou manipulado por inteligência artificial e indicar a tecnologia utilizada. 

Como denunciar irregularidades?

Abusos cometidos por influenciadores digitais durante as eleições, como propaganda eleitoral paga ou publicações irregulares nas redes sociais, podem ser denunciados pelo aplicativo Pardal, da Justiça Eleitoral. Sempre que possível, guarde o link da publicação, faça capturas de tela e registre a data, o horário e o perfil responsável. Esses dados ajudam a Justiça Eleitoral a analisar a denúncia.

Veja aqui como usar o aplicativo Pardal

Diálogo com influenciadores 

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recebeu 15 criadores de conteúdo que, juntos, alcançam cerca de 45 milhões de pessoas nas redes sociais. O encontro, realizado em 25 de agosto de 2026, na sede do TSE em Brasília, integrou a iniciativa Confirm@: 30 anos de urna eletrônica, promovida pela organização Redes Cordiais em parceria com o TSE e apoio de plataformas de rede social Youtube e Tik Tok. A ação tem objetivo de aproximar a Justiça Eleitoral dos influenciadores e ampliar a divulgação de informações confiáveis sobre as eleições.

A proposta é ajudar criadores de diferentes áreas a explicar, em linguagem simples, como funcionam a segurança e a fiscalização do sistema eleitoral. Como muitos jovens se informam principalmente pelo celular, os influenciadores podem contribuir para combater a desinformação e estimular o voto consciente, especialmente nas favelas e periferias.

Maria Helena e Tarcísio Cabral, criadores do canal @60demais, participaram do encontro. Engenheiros aposentados, eles produzem conteúdos que ajudam o público 60+ a usar as redes sociais com mais segurança e autonomia. No programa Cidadania Senado Verifica, da TV Senado, eles falam sobre segurança digital, atenção a conteúdos recebidos pelas redes e a importância de buscar informações em fontes confiáveis antes de votar. 

Guia para influenciadores 

O InternetLab, em parceria com o Redes Cordiais, produziu o Guia para Influenciadores nas Eleições com o objetivo de orientar os criadores de conteúdo sobre como participar do processo eleitoral de forma democrática, segura e ética nas plataformas digitais. O guia vale tanto para quem produz conteúdo quanto para quem apenas acompanha. 

Ficou com alguma dúvida? Fale com o Senado Verifica pelo WhatsApp:+55 61 98190-0601

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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