Política
Summit Animal debate na Assembleia Legislativa seis eixos da causa animal
Política
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), realiza nesta sexta-feira (7) o Summit Animal 2025, um dos maiores encontros do país voltados à causa animal, sustentabilidade e integração entre o poder público e sociedade. O evento acontece no Teatro do Cerrado Zulmira Canavarros e teve iniciativa do presidente da Casa, deputado Max Russi (PSB), por meio do Grupo de Trabalho em Defesa da Causa Animal do Poder Legislativo. Na oportunidade, Russi assinou o temo de compromisso da Interação Internacional da Causa Animal e homenageou autoridades participantes com Moção de Aplausos.
O evento aborda seis eixos temáticos: Políticas Públicas, Gestão e Direitos dos Animais; Proteção e Bem-Estar Animal; Conscientização, Educação e Cultura de Paz; Saúde Única ou Uma Só Saúde; Fauna Silvestre e Conservação e Pesquisa, Inovação e Conhecimento Acadêmico.
O Summit Animal surgiu da necessidade de reunir e debater os diferentes aspectos que envolvem a proteção e o bem-estar animal, seus direitos e a convivência harmônica com os seres humanos, sob o princípio de que “Todos Somos Um”. O encontro reúne especialistas, autoridades, organizações não governamentais (ONGs), protetores independentes e lideranças nacionais e internacionais, consolidando Mato Grosso como referência na pauta da proteção animal.
“Procuramos montar um evento que promova discussões sobre a Causa Animal em nosso estado. É essencial trazer os diferentes aspectos que abrangem a causa como proteção, bem-estar, direitos e a convivência com os animais e sua interseções com as questões sociais, políticas, ambientais e jurídicas”, disse Russi.
O parlamentar destaca que o Summit Animal é o primeiro evento no estado a reunir autoridades de destaque que possuem conhecimento, defendem e atuam em prol da causa animal em estados com maior progresso nesse âmbito, se comparado ao Mato Grosso.
“Em nosso estado, o trabalho em defesa dos animais é realizado, em grande parte, por voluntários, ONGs (organizações não governamentais), associações e indivíduos que se dedicam e contribuem, inclusive financeiramente, para essa causa. O poder público, por sua vez, tem avançado de forma lenta. Embora alguns municípios apresentem iniciativas promissoras, outros ainda carecem de ações efetivas, e não há iniciativas estaduais abrangentes”, comentou Russi.
Max Russi destacou, durante sua fala no evento propostas apresentadas em prol da causa animal e reconheceu que é necessário avançar sobre o tema. “Apresentei duas propostas legislativas importantes para a causa, mas é preciso progredir. Sinto-me honrado por ter sido o deputado dedicado à causa animal, inclusive com a criação de uma câmara temática e um grupo de trabalho. Nosso intuito é fortalecer essa causa no estado. Acredito que um evento como este proporciona visibilidade, com a participação da imprensa, de ONGs, de lideranças nacionais e da Assembleia Legislativa”, afirmou ele.
O presidente da Assembleia Legislativa anunciou, durante a abertura do evento, que irá destinar emenda para a construção do primeiro Hospital Veterinário estadual, em Cuiabá.
Para o deputado federal Bruno Lima (Progressista-PR), reconhecido nacionalmente por sua atuação em defesa dos direitos dos animais, o movimento da causa animal necessita de ser melhor divulgado. Ele avalia que o evento de Mato Grosso proporcionará avanços importantes.
“Nós estamos fazendo um movimento em nível nacional. É sempre importante essa troca de experiência, não só com relação aos projetos de lei, mas também investimento em políticas públicas, o combate também ao crime de maus tratos. Então, precisamos tentar rodar bastante e com o evento de Mato Grosso vamos ganhar ter mais crescimentos em várias áreas com troca de experiência”, lembra ele.
Apoio – O deputado federal Mateus Laiola (Progressista-PR), reforçou a opinião de Bruno Lima, e citou como exemplo a realização do movimento nacional em prol da causa animal.
“Esse tipo de evento tende a aumentar a conscientização da população e, com certeza, a gente melhora o bem-estar animal não só de Cuiabá, mas o estado como um todo. Entendo que, com o bem-estar a gente acaba diminuindo a quantidade de maus-tratos”, explica ele.
A terapeuta ocupacional, Juliana Oliveira, foi uma das palestrantes durante o evento. Ela esteve acompanhada do cão guia “Noah”, da raça labrador, e trabalha com crianças autistas em Mato Grosso. “Buscamos um espaço para que a gente possa desenvolver esse trabalho que traz bons resultados, pois é um trabalho muito sensível e usa o cão, que é uma ferramenta maravilhosa, de muita sensibilidade, que traz muitos resultados, e de amor também”, acredita.
“O projeto é denominado “Sorrisos que Curam”. Nós utilizamos os cães de terapia para visitar locais, como asilos, associações e hospitais, com o objetivo de levar a interação com os animais. Entendemos que com a aproximação e interação, melhora da autoestima, imunidade, socialização e a qualidade de vida”, comentou ela.
Juliana Oliveira explicou que o cão Noah trabalha com ela levando alegria para esses espaços que contam com crianças autistas. “Ele me acompanha nas minhas intervenções no atendimento de crianças autistas, inclusive, engaja muitas crianças na terapia trazendo muita resolutividade. O que a gente busca hoje é um espaço para que a gente possa desenvolver esse trabalho que traz muitos resultados e é um trabalho muito sensível e usa o cão, que é uma ferramenta maravilhosa, de muita sensibilidade, que traz muitos resultados e de amor também, com certeza”, afirmou ela.
Mostra Científica – Durante o evento, acontece também a Mostra Científica Animais, Sociedade e Sustentabilidade, com exposição de trabalhos acadêmicos que reforçam a importância da integração entre ciência, sociedade e proteção animal.
O encontro também marca o início de novas parcerias entre Mato Grosso e instituições internacionais voltadas ao desenvolvimento de projetos sustentáveis e de proteção animal.
De acordo com as explicações do diretor da causa animal de Londrina, Lucas Ferreira, esse trabalho foi recentemente criado no município paranaense e está vinculado à Secretaria do Meio Ambiente e à Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização.
“Foi estabelecido neste ano, mas já implementamos políticas públicas significativas para a causa animal, em colaboração com as leis municipais. Todas as nossas ações se baseiam em leis de proteção animal e de apoio ao cidadão, que protegem os animais e orientam a população sobre os cuidados adequados. Um exemplo é o banco de ração, que em 2025 distribuirá 225 toneladas de alimento para a população de baixa renda e protetores independentes, que desempenham um papel crucial”, citou ele.
Outro exemplo instalado em Londrina, segundo Lima, é o programa de castração, que realiza aproximadamente 5 mil procedimentos anualmente, auxiliando no controle populacional.
“Este programa é viabilizado por meio do hospital veterinário municipal, uma de nossas principais conquistas, e por um castramóvel, que leva os serviços às comunidades. Considero a proposta deste evento excelente, e iniciativas como essa devem ser replicadas em todo o país”, falou ele.
Grupo de Trabalho – O presidente do grupo de trabalho em defesa da causa animal da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Nilson Portela, falou sobre o evento e a busca por resultados positivos no futuro, a partir das discussões que estão acontecendo.
“Trata-se de uma conferência integralmente dedicada à causa animal, na qual são abordados temas cruciais como o bem-estar animal em sua interface com a sociedade e a população, além dos aspectos jurídicos pertinentes. Para Mato Grosso, este evento reveste-se de singular importância, pois propicia o debate de políticas públicas em prol da causa animal, contando com a participação de autoridades e especialistas da área. Espera-se que as autoridades presentes utilizem este fórum para articular e fortalecer as políticas voltadas para a causa animal no estado. A expectativa é que o encontro resulte em proposições concretas capazes de gerar um impacto positivo na vida dos animais em Mato Grosso”, espera Portela.
O grupo de trabalho em defesa da causa animal, surge da necessidade de abordar os múltiplos aspectos que a envolvem, ampliando a conscientização sobre a interdependência entre todos os seres.
CST’s – Além da criação do grupo de trabalho, a causa animal já foi tema de duas Câmaras Setorias Temáticas (CSTs) na ALMT. Entre os principais avanços já conquistados, estão a publicação da Lei 12.646/2024, que institui a Campanha Abril Laranja no estado, destinada à conscientização sobre a prevenção contra a crueldade animal; e da Lei 12.851/2025, que cria o Programa Ecobike, que prevê a substituição dos veículos de tração animal por veículos mecânicos ou elétricos nos perímetros urbanos dos municípios de Mato Grosso.
Veja programação:
8h Recepção
8h30 – Abertura oficial
8h30 – Apresentação Banda PM – Hinos Nacional e MT/1 rasqueado
8h40 – palavra Nilson Portela
8h50 – palavra Prefeito Cuiabá
9h – Palavra Deputado Max Russi
9h15 – Assinatura do Termo de Cooperação Internacional
9h20 – Entrega das moções de aplausos para as autoridades
Início Painéis
9h30 às 10h30 – Eixo: Políticas Públicas, Gestão e Direitos dos Animais:
Participantes: deputado estadual Max Russi, deputado federal Matheus Laiola, deputado federal Bruno Lima, deputado federal coronel Assis
Painel: “Animais nas Cidades: Desafios e Caminhos para Políticas Públicas Eficazes”
10h30 às 10h40 – Perguntas e respostas
10h40 às 11h – Palestra MPMT
Dra Ana Luíza Ávila Peterlini – Promotora de Justiça – MPMT “O papel do Ministério Público na Causa Animal”
11h às 11h20 – Palestra CRMV
Méd. Vet. Aruaque Lotufo Ferraz de Oliveira – Presidente do CRMV-MT
Méd. Vet. Maristela Brito Vicente Correa – Membro da Comissão Nacional de Bem-estar Animal – CFMV “O papel do Médico Veterinário na consolidação do bem-estar animal como política pública”.
11h20 às 12h20 – Eixo: Proteção e Bem-Estar Animal
Painel: “Do Resgate à Reintegração e novo lar: Protocolos de Bem-Estar para Animais Resgatados e leis que apoiam”
Participantes:
Adriana de Vander– Secretária Municipal dos Direitos dos Animais de Saquarema-RJ
Manoela Peres – Secretária Municipal de Governança e Sustentabilidade de Saquarema-RJ
Edson Evaristo – Diretor do Departamento de Pesquisa e Conservação da Fauna de Curitiba-PR
Izaias Junior – Superintendente da Secretaria Municipal de Proteção e Bem-Estar Animal de Maringá-PR
Márcia Aparecida Coelho – Secretária de Agricultura e Meio Ambiente de Nova Mutum-MT
Morgana Thereza Enss – Diretora do Bem-estar Animal de Cuiabá-MT
Lucas Ferreira Lima – Diretor de Bem Estar Animal da CMTU de Londrina-PR
12h20 às 12h30 – Perguntas e respostas
12h30 às 13h30 – Almoço
13h30 às 13h50 – Palestra Soraia Alves
“Saúde Mental e Proteção Animal – Quem cuida de quem?”
13h50 às 14h50 – Eixo: Conscientização, Educação e Cultura de Paz
Painel: “Educar para Respeitar: A Inserção da Causa Animal nas Escolas e Comunidades”
Participantes:
Cibele Madalena Xavier Ribeiro de Matos – Superintendente do Ibama em Mato Grosso
Dr. Sebastião Faria –Chefe de Operações da DEMA e Investigador de Polícia Civil
Dra Paula Regina Beneti – Presidente da Comissão dos Direitos dos Animais
Juliana Menezes de Carvalho – Superintendente de Educação Ambiental e Atendimento ao Cidadão
Méd. Vet. Josué de Oliveira Moreira – Membro da Comissão Nacional de Medicina Veterinária do Coletivo
14h50 às 15h00 – Perguntas e respostas
15h às 15h10 – Coffe
15h10 às 15h20 – Apresentação Cães de Terapia
Cristiane Gambin – Psicopedagoga e Adestradora
Juliana Oliveira – Terapeuta Ocupacional
15h20 às 15h30 – Vanessa Negrini – Em vídeo
15h30 às 16h30 – Eixo: Saúde Única ou Uma só Saúde
Painel: “Saúde Pública e Saúde Animal: uma relação que merece ser respeitada”
Participantes:
Méd. Vet. Naylê Holanda – Membro da Comissão Nacional de Uma Só Saúde
Dr Fernando da Fonsêca Melo – Juiz de Direito do Poder Judiciário do Mato Grosso
Cel BM Alessandro Borges Ferreira – Secretário Adjunto Especial de Defesa Civil do Município de Cuiabá
Major Anderson Rodrigo da Silva – Comandado Núcleo de Busca e Resgate com Cães (Canil do 1º Comando Regional do CBMMT)
16h30 às 16h40 – Perguntas e respostas
16h40 às 17h – Palestra Dr Alexandre Amude “Toxoplasmose e Saúde única: mitos e verdades!”
17h às 17h20 – Palestra Daniel Moura Diretor do Santuário dos Elefantes “Construindo um Futuro mais Próspero para Elefantes Cativos”
17h20 às 18h20 – Eixo: Fauna Silvestre e Conservação
Painel: “Guardião da Natureza: Proteção da Fauna Silvestre em Tempos de Crise Climática e Urbanização”
Participantes:
Ten Cel PM Fagner Augusto do Nascimento – Comandante do Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental da PMMT
Gideony dos Santos Araújo – Chefe de Projeto substituto da Coordenação de Conservação da Fauna e da Biodiversidade (Cobio)- Diretoria de Biodiversidade e Florestas – IBAMA/Brasília
Méd. Vet. Danny Franciele da Silva – Presidente da Comissão Estadual de Saúde Ambiental, Animais Silvestres e Desastres Ambientais e Conselheira Suplente do CRMV-MT
Dr Sebastião A Faria – Chefe de Operações da DEMA e Investigador de Polícia Civil
Juíza de Direito Dra. Alethea Assunção Santos, da 7ª Vara Criminal da Comarca de Cuiabá, Coordenadora do Grupo de Estudos da Magistratura de Mato Grosso (Gemam) e Mestre em Direito pela UFMT
18h20 às 18h30 – Perguntas e Respostas
18h30 às 18h40 – Encerramento pelo presidente Nilson Portela
18h40 às 19h – Show Encerramento – Pescuma, Henrique e Claudinho
Eixo 6: Pesquisa, Inovação e Conhecimento Acadêmico – 07/11 (dia todo)
Exposição de Trabalhos Acadêmicos:
7ª Mostra de projetos integrados Pró Pantanal – UFMT
Coordenador: Professor Carlos Eduardo Pereira dos Santos – Coordenador da Mostra
Fonte: ALMT – MT
Política
Retrospectiva: Câmara aprovou projetos de combate a facções e aumento de pena para diversos crimes
No primeiro semestre de 2026, a Câmara dos Deputados aprovou projetos de combate ao crime organizado e o aumento de pena para diversos crimes.
Foi aprovado, por exemplo, projeto de lei que aumenta as penas para vários crimes de natureza sexual previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), classificando-os como hediondos. A proposta aguarda sanção presidencial.
De autoria do deputado Osmar Terra (PL-RS), o Projeto de Lei 3066/25 foi relatado pela deputada Rogéria Santos (Republicanos-BA) e dá nova definição aos crimes relacionados à pedofilia: “violência sexual contra criança ou adolescente”.
O projeto aumenta, de 3 a 6 anos para 4 a 10 anos, a pena de reclusão em caso de oferta, troca, transmissão, distribuição ou divulgação, por qualquer meio, de material com registros de violência sexual contra criança ou adolescente.
Nessa mesma tipificação será enquadrado o réu que criar, administrar, hospedar, moderar ou for responsável por site, chat ou fórum ou ambiente cibernético similar com o fim de armazenar, disponibilizar, compartilhar ou produzir material de violência sexual contra crianças ou adolescentes.
Para aquele que vender ou expor à venda o material, a pena de reclusão de 4 a 8 anos ficará em 4 a 10 anos. O projeto prevê ainda a perda de bens e valores recebidos com a prática criminosa, a serem convertidos em dinheiro e destinados ao Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente do estado em que for cometido o crime.
Quanto ao crime de aliciar ou assediar criança a fim de praticar com ela ato libidinoso, o texto aprovado aumenta a abrangência incluindo entre as vítimas os menores de 14 anos.
Segundo o ECA, criança é aquela com até 12 anos incompletos, dessa forma o enquadramento nesse crime passa a englobar as vítimas com 12 e 13 anos antes de completar os 14. A pena de reclusão passa de 1 a 3 anos para 3 a 5 anos.
Furto e roubo
A Câmara dos Deputados também aprovou o aumento das penas para os crimes de furto, roubo, receptação de produtos roubados e roubo seguido de morte (latrocínio).
A medida consta do Projeto de Lei 3780/23, de autoria do deputado Kim Kataguiri (Missão-SP), que deu origem à Lei 15.397/26.
Segundo a lei, a pena geral de furto passa de reclusão de 1 a 4 anos para 1 a 6 anos, aumentando-se da metade se o crime é praticado durante a noite.
O texto foi relatado pelo deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) e ainda aumenta a pena para furto por meio de fraude com o uso de dispositivo eletrônico (golpes virtuais): reclusão de 4 a 8 anos para 4 a 10 anos.
Outros furtos específicos têm pena aumentada ou incluída no Código Penal para reclusão de 4 a 10 anos:
- veículo transportado a outro estado ou para o exterior (antes de 3 a 8 anos);
- gado e outros animais de produção (antes de 2 a 5 anos);
- aparelho de telefonia celular, computador (inclusive notebook ou tablet) ou qualquer dispositivo eletrônico ou informático semelhante; e
- arma de fogo.
Em relação ao roubo, a pena geral de 4 a 10 anos passa para 6 a 10 anos, com aumento de 1/3 à metade para duas novas situações semelhantes à do furto: celulares, computadores, notebooks e tablets; e arma de fogo.
No caso do latrocínio (roubo seguido de morte da vítima), o condenado poderá ser punido com 24 a 30 anos de prisão. Hoje, a pena é de 20 a 30 anos.
Crimes de natureza sexual
Neste semestre, a Câmara dos Deputados aprovou também projeto de lei que inclui vários crimes de natureza sexual como hediondos, além de impedir a concessão de fiança. A proposta está em análise no Senado.
Condenados por crimes hediondos não podem contar com anistia, graça, indulto ou fiança. Têm ainda prazos maiores de cumprimento de pena em regime fechado para poder acessar o regime semiaberto.
De autoria da deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), o Projeto de Lei 3158/25 foi relatado pela deputada Bia Kicis (PL-DF) e torna hediondos tanto crimes tipificados no Código Penal quanto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A lista inclui desde crimes de satisfação de lascívia na presença de criança ou adolescente e divulgação de cena de estupro ou de cena de sexo ou de pornografia sem consentimento até os relacionados a pedofilia.
Em relação à fiança, todos os crimes listados do estatuto que são considerados pelo projeto como hediondos também não permitirão ao acusado ser solto por meio de fiança. A exceção será para crimes de menor pena (reclusão de 1 a 4 anos).
Estupro e assédio
Os deputados também aprovaram projeto de lei que aumenta as penas pelos crimes de estupro, assédio sexual e registro não autorizado da intimidade sexual. A proposta está em análise no Senado.
De autoria da deputada [[Delegada Katarina]], o Projeto de Lei 3984/25 foi relatado pela deputada [[Delegada Ione]].
O texto prevê, como efeito automático da condenação por crimes contra a dignidade sexual tipificados no Código Penal, a perda do poder familiar se o crime for cometido contra pessoa igualmente titular do mesmo poder familiar, contra filho, filha ou outro descendente, tutelado ou curatelado.
Segundo o texto, a pena por estupro passa de 6 a 10 anos de reclusão para 8 a 12 anos. Quando da conduta resultar lesão grave, a pena atual de 8 a 12 anos ficará de 10 a 14 anos. Se resultar em morte da vítima, a reclusão de 12 a 30 anos passa a ser de 14 a 32 anos.
O assédio sexual, cuja pena atual é de detenção de 1 a 2 anos, será punido com pena de detenção de 2 a 4 anos. Já o registro não autorizado da intimidade sexual, atualmente punível com detenção de 6 meses a 1 ano, passa para detenção de 1 a 3 anos.
Haverá ainda aumento de 1/3 a 2/3 da pena se os crimes contra a dignidade sexual forem cometidos: por razões da condição do sexo feminino; contra pessoa com deficiência ou maior de 60 anos; ou nas dependências de instituição de ensino, instituição hospitalar ou de saúde, instituição de abrigamento, unidade policial ou prisional.
No Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o projeto aumenta as penas de reclusão para os seguintes crimes:
- vender ou expor registro de pornografia envolvendo criança ou adolescente: de 4 a 8 anos para 6 a 10 anos;
- disseminar essa pornografia por qualquer meio: de 3 a 6 anos para 5 a 8 anos;
- adquirir ou armazenar por qualquer meio esse tipo de pornografia: de 1 a 4 anos para 3 a 6 anos;
- simular participação de criança ou adolescente em cena de sexo explícito ou pornografia com montagem ou adulterações: de 1 a 3 anos para 3 a 5 anos; e
- aliciar por qualquer meio de comunicação criança ou adolescente com o fim de praticar com ela ato libidinoso: de 1 a 3 anos para 3 a 5 anos.
PEC da Segurança Pública
Para integrar órgãos de vários entes federativos e garantir mais recursos ao setor, a Câmara dos Deputados aprovou a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública (PEC 18/25), que ainda precisa ser votada pelo Senado.
O texto foi relatado pelo deputado Mendonça Filho (PL-PE) e prevê a destinação de dinheiro arrecadado com as bets (loterias por quota fixa) para o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e o Fundo Penitenciário Nacional (Funpen).
Gradativamente, 10% dos recursos arrecadados com essas apostas serão direcionados a esses fundos no período de 2026 a 2028 até totalizar 30%, permanecendo esse montante daí em diante.
No entanto, esse redirecionamento diminui em 30% o valor a repassar para outras instituições, afetando a seguridade social e os ministérios do Esporte e do Turismo.
Em relação aos recursos do Fundo Social do pré-sal, 10% do superávit financeiro de cada ano deverão ir para o FNSP e o Funpen, também com transição gradativa (1/3 desse aumento por ano de 2027 a 2029).
O Fundo Social (FS) foi criado para receber recursos da União obtidos com os direitos pela exploração do petróleo para projetos e programas em diversas áreas, como educação, saúde pública, meio ambiente e mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
Em relação ainda aos recursos do FNSP e do Funpen, a proposta de emenda constitucional prevê distribuição obrigatória de 50% sem convênio a estados e ao Distrito Federal.
Atualmente, apenas o FNSP funciona assim, e no Funpen o repasse obrigatório é de 40%.
Desaparecimento forçado
Com a aprovação do Projeto de Lei 6240/13, do Senado, a Câmara dos Deputados inclui, no Código Penal, o crime de desaparecimento forçado de pessoa, classificando-o como hediondo. Devido às mudanças, o texto retornou ao Senado para nova votação.
Foi aprovada a versão do relator, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP). De acordo com o texto, esse crime será considerado imprescritível, ou seja, poderá ser apurado e o autor condenado a qualquer época após o cometimento do delito.
Com a tipificação, poderá ser condenado a reclusão de 10 a 20 anos e multa o funcionário público ou qualquer pessoa agindo com autorização, apoio ou aquiescência do Estado que apreender, deter, arrebatar, manter em cativeiro ou de qualquer outro modo privar alguém de sua liberdade.
Poderá ser condenado com igual pena quem ordenar, autorizar, concordar ou consentir com essas condutas ou ainda encobrir, ocultar ou manter ocultos os atos descritos.
Considera ainda “manifestamente ilegal” qualquer ordem, decisão ou determinação de praticar o desaparecimento forçado de uma pessoa ou de ocultar documentos ou informações sobre sua localização ou de seus restos mortais.
Lei Antifacção
A Câmara dos Deputados aprovou ainda o aumento de penas pela participação em organização criminosa ou milícia, prevendo apreensão de bens do investigado em certas circunstâncias. A medida consta do Projeto de Lei 5582/25, transformado na Lei 15.358/26.
De autoria do Poder Executivo, o projeto tinha sido aprovado no ano passado pela Câmara e, neste semestre, foram acatadas emendas do Senado ao texto relatado pelo deputado Guilherme Derrite (PP-SP).
A proposta tipifica várias condutas comuns de organizações criminosas ou milícias privadas e atribui a elas pena de reclusão de 20 a 40 anos em um crime categorizado como domínio social estruturado.
Condenados por essas condutas terão várias restrições, como proibição de serem beneficiados por anistia, graça ou indulto, fiança ou liberdade condicional.
Dependentes do segurado não contarão com auxílio-reclusão se ele estiver preso provisoriamente ou cumprindo pena privativa de liberdade, em regime fechado ou semiaberto, em razão de ter cometido qualquer crime previsto no projeto.
As pessoas condenadas por esses crimes ou mantidas sob custódia até o julgamento deverão ficar obrigatoriamente em presídio federal de segurança máxima se houver indícios concretos de que exercem liderança, chefia ou façam parte de núcleo de comando de organização criminosa, paramilitar ou milícia privada.
O texto considera facção criminosa toda organização criminosa ou mesmo três ou mais pessoas que empregam violência, grave ameaça ou coação para controlar territórios, intimidar populações ou autoridades.
Outra mudança para os condenados por crimes ligados a facções do crime organizado é a permissão para o juiz autorizar a gravação de encontros entre visitantes e esses presos vinculados a organização criminosa, paramilitar ou milícia privada.
O juiz também poderá autorizar a gravação de encontros com advogados quando houver suspeita fundamentada de conluio para prática de crimes ligados a essas organizações.
Divulgação de imagens
Poderá ser proibida a divulgação de imagem da vítima de crime ou acidente sem o seu consentimento, inclusive por meios de comunicação. Isso é o que prevê o Projeto de Lei 9600/18, da deputada Laura Carneiro, aprovado pela Câmara dos Deputados. O texto deve ser analisado outra vez pelos deputados, pois já foi votado no Senado e retornou com mudanças.
De acordo com o texto do relator, deputado Diego Coronel (Republicanos-BA), o infrator estará sujeito à pena de reclusão de 1 a 3 anos e multa. No capítulo do Código Penal sobre crimes contra o respeito aos mortos, igual pena é atribuída a qualquer pessoa ou meio de comunicação que fotografar, filmar e divulgar a imagem que identifica o cadáver.
Em ambos os casos, o texto diz que não há crime na divulgação de fatos e de informações de interesse público relevantes pelos veículos de imprensa.
Imagens de roubo
A Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que permite a estabelecimento comercial divulgar imagens e áudios de pessoas flagradas cometendo crime dentro do estabelecimento, como furtos. A proposta está em análise no Senado.
De autoria da deputada Bia Kicis, o Projeto de Lei 3630/25 foi relatado pelo deputado Sanderson (PL-RS) e altera a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), permitindo a divulgação.
No entanto, essa divulgação deverá ter a finalidade de identificar o infrator, alertar a população ou colaborar com autoridades públicas. Além disso, não poderá expor terceiros que não estejam envolvidos na prática criminosa e respeitar, quando possível, os princípios da necessidade e proporcionalidade.
Falso advogado
A Câmara dos Deputados aprovou neste semestre projeto de lei que tipifica o crime de estelionato de quem se faz passar por advogado para extrair dinheiro de pessoas, usando ilegalmente dados obtidos em processos judiciais.
O Projeto de Lei 4709/25, do deputado Gilson Daniel (Pode-ES), está em análise no Senado e foi relatado pelo deputado Sergio Santos Rodrigues (Pode-MG). Segundo o texto, o golpe do “falso advogado” passa a constar do Código Penal como um crime autônomo do estelionato.
Geralmente, a vítima é abordada por meio de ligações telefônicas, aplicativos de mensagens, correio eletrônico, redes sociais ou outros meios eletrônicos.
O crime será punido com reclusão de 4 a 8 anos e multa, aumentando de 1/3 ao dobro se envolver várias vítimas ou atuação interestadual. Caso o envolvido seja advogado, mas não da vítima, e use sua própria credencial para acessar os processos eletrônicos ou credencial cedida por outro advogado, a pena será aumentada de 2/3.
Números do semestre
No total, a Câmara dos Deputados aprovou em Plenário, no primeiro semestre de 2026: 118 projetos de lei, 9 projetos de lei complementar, 20 medidas provisórias, 12 projetos de decreto legislativo, 5 projetos de resolução e 4 propostas de emenda à Constituição.
Reportagem – Eduardo Piovesan
Edição – Pierre Triboli
-
Cultura6 dias atrásCidade de Pesqueira (PE) recebe festival dedicado à cultura do estado
-
Entretenimento4 dias atrásDeborah Secco curte passeio de barco em Noronha com a filha e declara: ‘Apaixonada’
-
Cuiabá4 dias atrásMais de 60 mil alunos voltam às aulas; veja como evitar congestionamentos
-
Economia4 dias atrásVárzea Grande realiza 1º Open de Vôlei para fortalecer o esporte e a inclusão social
-
Entretenimento4 dias atrásArthur Aguiar e Jheny Santucci oficializam união com festa intimista: ‘Enfim casados’
-
Política6 dias atrásMedidas provisórias sobre transporte, diesel, chuvas e aviação são prorrogadas
-
Polícia3 dias atrásPolícia Civil prende foragido por roubo em Poconé
-
Política6 dias atrásMagistratura e instituições jurídicas fundam o COPEJMT para aprimorar ensino do Direito em MT
