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CPF passa a ser o número principal de identificação no SUS

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O Cartão Nacional de Saúde (CNS) passou a adotar o CPF como principal número de identificação dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). A mudança foi anunciada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e entrou em vigor nesta sexta-feira (30), substituindo o antigo número do cartão SUS, que deixa de ser a referência nos atendimentos.

Segundo Padilha, a unificação tem como objetivo acabar com cadastros duplicados e facilitar o acesso às informações dos pacientes na rede pública. “A partir de hoje, o CPF é o número-chave do Sistema Único de Saúde. Acabou aquela história de como descobrir o seu número SUS, de ter três ou quatro números diferentes e não saber qual informar”, afirmou. O ministro também destacou que quem já possui o cartão não precisa se preocupar, pois os dados foram automaticamente vinculados ao CPF.

Na prática, ao procurar uma unidade de saúde, o cidadão passa a informar o número do CPF para ser identificado no sistema. Os novos cartões do SUS já estão sendo emitidos com o CPF como número principal.

A mudança veio acompanhada de uma revisão na base de dados do SUS, o CadSUS. De acordo com o governo, foi realizado um processo de “limpeza” dos registros, com a redução do número de cadastros ativos e a eliminação de inconsistências e duplicidades. A meta anunciada anteriormente era inativar, até abril deste ano, mais de 100 milhões de cadastros antigos ou irregulares.

Ainda conforme o Ministério da Saúde, a integração entre o CadSUS e a base de dados da Receita Federal permitiu a adoção do CPF como identificador único do cidadão, facilitando o acesso a informações como histórico de vacinação e retirada de medicamentos em programas como o Farmácia Popular.

Pacientes que não possuem CPF continuarão sendo atendidos. Para esses casos, como situações de urgência ou impossibilidade de informar o documento, foi criado um cadastro temporário com validade de um ano. O ministério informou ainda que os sistemas do SUS serão adaptados de forma gradual para o uso do CPF como chave principal, em articulação com estados e municípios. O prazo para a conclusão dessa integração é dezembro de 2026.

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Saúde

Quando perder músculo também ameaça o cérebro

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Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.

Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.

Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.

Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.

O que a ciência mostra :

 

Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.

Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.

Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.

Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.

Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?

 

Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.

Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.

O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.

Por que o músculo influencia a saúde cerebral?

A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.

A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.

Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.

Como enfrentar cientificamente esse problema ?

 

O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.

O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.

A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.

Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.

Envelhecer bem ,exige preservar força

A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.

Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.

Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.

 

Saúde não é sorte. É rotina.

Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308
Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.

Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.

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