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Al-Hilal vence Manchester City por 4 a 3 e enfrentará Fluminense no Mundial de Clubes
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Em um confronto eletrizante e cheio de reviravoltas, o Al-Hilal, da Arábia Saudita, surpreendeu o poderoso Manchester City ao vencer por 4 a 3 na prorrogação, nesta segunda-feira. O duelo, válido pelas oitavas de final da Copa do Mundo de Clubes da Fifa, foi disputado no Camping World Stadium, em Orlando, na Flórida (EUA). Com a vitória, o time saudita garantiu sua vaga nas quartas de final e será o próximo adversário do Fluminense.
O grande nome da partida foi o atacante brasileiro Marcos Leonardo, que brilhou ao marcar dois gols cruciais para o Al-Hilal, incluindo o tento da classificação. Além dele, Malcom e Koulibaly também balançaram as redes para a equipe árabe. Pelo lado inglês, Bernardo Silva, Haaland e Phil Foden foram os autores dos gols.
A aguardada partida entre Al-Hilal e Fluminense – que mais cedo eliminou a Internazionale por 2 a 0 – está marcada para esta sexta-feira, às 16 horas (horário de Brasília), e acontecerá novamente em Orlando.
O Jogo
O Manchester City começou melhor e abriu o placar logo aos nove minutos do primeiro tempo. Em uma jogada bem trabalhada, Bernardo Silva aproveitou uma sobra na área após tabela de Ait-Nouri com Doku e empurrou para o gol.
Na etapa complementar, o Al-Hilal não demorou a reagir. Com apenas um minuto do segundo tempo, Marcos Leonardo subiu mais alto que a defesa e cabeceou para o fundo das redes, empatando a partida após um cruzamento rasteiro de Cancelo e um bate-rebate na pequena área. A virada saudita veio cinco minutos depois, em um contra-ataque fulminante. Malcom atravessou todo o campo, invadiu a área e bateu na saída do goleiro Ederson para fazer 2 a 1.
A alegria do Al-Hilal, no entanto, durou pouco. Aos nove minutos, Haaland aproveitou um novo bate-rebate na área e, de pé esquerdo, mandou para o gol, igualando o marcador em 2 a 2.
Com o placar empatado no tempo normal, a partida seguiu para a prorrogação. Logo aos dois minutos do primeiro tempo extra, o Al-Hilal retomou a liderança. Após cobrança de escanteio de Rúben Neves, Koulibaly subiu entre dois defensores do City e testou para o fundo da rede. Mas o Manchester City novamente buscou o empate aos 12 minutos, com Foden, que havia acabado de entrar. O camisa 47 recebeu lançamento de Cherki e tocou no cantinho de Bono, deixando tudo igual em 3 a 3.
A vitória do Al-Hilal foi selada na segunda etapa da prorrogação, aos seis minutos. Após lançamento de Renan Lodi, Milinkovic-Savic cabeceou, Ederson espalmou, e Marcos Leonardo, atento no rebote, completou para o gol, garantindo a classificação histórica da equipe saudita.
FICHA TÉCNICA
MANCHESTER CITY 3×4 AL-HILAL
Local: Estádio Camping World, em Orlando (EUA)
Data: 30/06/2025
Horário: às 22h (de Brasília)
Árbitro: Jesús Valenzuela (VEN)
Assistentes: Jorge Urego (VEN) e Tulio Moreno (VEN)
VAR: Juan Soto (VEN)
Cartões amarelos: Gvardiol, Matheus Nunes, Aké (CIT); Marcos Leonardo (HIL)
Gols: Bernardo Silva (CIT), ao 9’ do 1º T; Marcos Leonardo (HIL), a 1′ do 2º T e aos 7’ do 2º T da prorrogação; Malcom (HIL), aos 6’ do 2º T; Haaland (CIT), aos 9’ do 2º T; Koulibaly (HIL), aos 3’ do 1º T da prorrogação; Foden (CIT), aos 12 ‘ do 1º T da prorrogação.
MANCHESTER CITY: Ederson; Matheus Nunes (Aké), Rúben Dias, Gvardiol (Akanji) e Ait-Nouri; Gundogan (Rodri) (Foden), Reijnders (Cherki) e Bernardo Silva; Savinho, Doku e Haaland (Marmoush). Técnico: Pep Guardiola
AL-HILAL: Bono; João Cancelo (Al-Yami), Koulibaly, Al-Harbi (Al-Bulayhi) e Renan Lodi; Rúben Neves, Al-Dawsari (Al-Juwayr) e Milinkovic-Savic; Malcom (Kaio César), Kanno (Ali Lajami) e Marcos Leonardo. Técnico: Simone Inzaghi
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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