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Cruzeiro derrota CRB e garante vaga nas quartas da Copa do Brasil com atuação heróica de Cássio

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O Cruzeiro carimbou sua classificação para as quartas de final da Copa do Brasil na noite desta quinta-feira (7), ao vencer o CRB por 2 a 0 no Estádio Rei Pelé, em Maceió. Com gols de Lucas Villalba e Carlos Eduardo, e uma defesa de pênalti crucial do goleiro Cássio, o Cabuloso avançou no torneio, deixando para trás a equipe alagoana.

A partida, válida pelo jogo de volta das oitavas de final, viu um Cruzeiro determinado a selar sua passagem. Após o empate no jogo de ida, a equipe mineira buscou o resultado desde os primeiros minutos. O primeiro gol veio aos 42 minutos da etapa inicial, em um lance de oportunismo: o zagueiro Lucas Villalba aproveitou um vacilo do goleiro Matheus Albino e, de cabeça, abriu o placar para o time visitante.

A emoção da partida se intensificou no segundo tempo. Aos 40 minutos, o CRB teve a chance de igualar o marcador em uma cobrança de pênalti. No entanto, o goleiro Cássio, em um momento decisivo, acertou o canto e fez uma defesa espetacular, frustrando o chute de Gegê e salvando a classificação cruzeirense. O lance foi um divisor de águas, garantindo a tranquilidade para os minutos finais.

Para selar a vitória e a vaga, Carlos Eduardo marcou o segundo gol do Cruzeiro já nos acréscimos, aos 50 minutos. Aproveitando mais uma falha da defesa do CRB, o jogador fez uma jogada individual e finalizou rasteiro, dando números finais ao confronto.

Com o resultado, o Cruzeiro agora aguarda o sorteio para as quartas de final, que será realizado na próxima terça-feira (12), na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Para o CRB, a derrota marca a despedida da Copa do Brasil, e a equipe volta suas atenções para a Série B do Campeonato Brasileiro. O próximo compromisso do Galo será na terça-feira (12), contra o Athletic, novamente no Estádio Rei Pelé, pela 21ª rodada. Já o Cruzeiro retorna aos gramados neste domingo (10), quando receberá o Santos no Mineirão, às 18h30 (horário de Brasília), pela 19ª rodada do Brasileirão.

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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