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Palmeiras vence Botafogo no Rio e assume vice-liderança do Brasileirão
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O Palmeiras garantiu uma importante vitória por 1 a 0 sobre o Botafogo, neste domingo, no Estádio Nilton Santos, em jogo válido pela 20ª rodada do Campeonato Brasileiro. O triunfo, assegurado por um gol de Felipe Anderson no primeiro tempo, alça o Verdão à vice-liderança da competição, consolidando uma fase de invencibilidade que já dura sete partidas.
O goleiro Weverton foi peça fundamental para o resultado. Antes mesmo do gol palmeirense, o camisa 21 realizou uma defesa espetacular em finalização de Joaquín Correa, impedindo que o Botafogo abrisse o placar e mantendo o Palmeiras vivo no confronto.
Com os três pontos somados, o Palmeiras alcança 39 pontos, ultrapassando o Cruzeiro (37 pontos), que ainda joga nesta rodada. O Botafogo, por sua vez, permanece na quinta colocação, com 29 pontos.
O Jogo
A partida começou com oportunidades para os dois lados. O Palmeiras teve uma chance em bola parada no minuto inicial, enquanto o Botafogo respondeu com um chute de Marlon Freitas, defendido por Weverton, e uma finalização perigosa de Vitor Roque após cruzamento de Facundo Torres.
O Botafogo voltou a assustar aos 23 minutos. Após erro na saída de bola de Piquerez, Joaquín Correa invadiu a área cara a cara com Weverton, mas o goleiro palmeirense realizou uma defesa milagrosa, salvando o Verdão. Pouco antes do intervalo, Mateo Ponte também teve uma boa chance, mas mandou para fora.
Apesar das dificuldades na criação, o Palmeiras foi letal. Aos 44 minutos, Felipe Anderson abriu o placar em um contra-ataque rápido. Facundo Torres recuperou a bola e lançou o ataque, que passou por Flaco e Vitor Roque antes de chegar a Felipe Anderson. O camisa 7 ganhou da marcação, invadiu a área e finalizou com precisão para fazer 1 a 0.
No segundo tempo, o Palmeiras quase ampliou logo aos dois minutos, com uma cabeçada de Flaco López que passou perto do travessão. O Botafogo buscou o empate, com Savarino forçando Weverton a espalmar uma bola de fora da área. Vitor Roque teve outra grande chance para o Verdão, mas parou em John.
Nos minutos finais, o jogo permaneceu aberto. O Botafogo teve momentos de pressão, com Savarino soltando uma pancada que Weverton tocou para escanteio nos acréscimos. Luighi, pelo Palmeiras, também quase marcou o segundo gol, mas não alcançou a bola. No entanto, a defesa alviverde se manteve sólida, garantindo a vitória e a subida na tabela.
Próximos desafios
Ambas as equipes agora voltam suas atenções para a Copa Libertadores da América, com os decisivos jogos de volta das oitavas de final agendados para a próxima quinta-feira. O Botafogo viajará para Quito, no Equador, para enfrentar a LDU às 19h (de Brasília), defendendo uma vantagem de 1 a 0 conquistada na ida. Já o Palmeiras receberá o Universitario-PER no Allianz Parque, às 21h30, com uma confortável vantagem de 4 a 0.
Pelo Brasileirão, o Botafogo terá o Juventude pela frente no próximo domingo (24), às 18h30, no Estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul (RS). O Palmeiras jogará em casa, no Allianz Parque, contra o Sport no dia 25, às 19h.
FICHA TÉCNICA:
BOTAFOGO 0X1 PALMEIRAS
Local: Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)
Data: 17/08/2025
Horário: 20h30 (de Brasília)
Árbitro: Davi De Oliveira Lacerda (ES)
Assistentes: Bruno Raphael Pires (GO) e Douglas Pagung (ES)
VAR: Rodolpho Toski Marques (PR)
Cartões amarelos: Danilo (Botafogo); Aníbal Moreno e Murilo (Palmeiras)
Gol: Felipe Anderson, aos 44′ do 1°T (Palmeiras)
BOTAFOGO: John, Mateo Ponte (Vitinho), Alexander Barboza (Jeffinho), Marçal e Alex Telles; Marlon Freitas, Allan (Danilo), e Santiago Rodríguez (Savarino); Nathan Fernandes, Joaquin Corrêa e Matheus Martins. Técnico: Davide Ancelotti
PALMEIRAS: Weverton; Khellven (Giay), Gustavo Gómez, Murilo (Bruno Fuchs) e Piquerez; Aníbal Moreno, Lucas Evangelista e Felipe Anderson (Allan); Facundo Torres, Flaco López (Mauricio) e Vitor Roque (Luighi). Técnico: Abel Ferreira
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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