Opinião
Mais que uma pintura, um retrato da alma!
Opinião
Por Jéssica Lima
Entre pincéis e tintas, descobrimos que o amor de um cachorro pode ser eternizado. É um amor que fala sem palavras, feito de olhares que se entendem e rabos que abanam em festa. Um amor de silêncios que acolhem e de presenças que jamais nos deixam sozinhos. Puro, sincero e, mesmo quando o tempo avança, eterno.
Transformar esse sentimento em arte é mais do que pintar: é guardar memórias em cores. Cada pincelada leva consigo lembranças, carinho e a essência desse laço único. O movimento do pincel segue o ritmo do coração: suave para traduzir a ternura de um olhar, firme para registrar a lealdade que nunca vacila, vibrante para pintar a alegria que só um cachorro é capaz de transmitir.
O quadro deixa de ser apenas imagem para se tornar memória viva. Não é a reprodução de um rosto canino, mas o retrato da alma que caminhou ao nosso lado, que descansou conosco em tardes preguiçosas, que nos recebeu em festa mesmo nos dias mais difíceis.
Cada cor escolhida é uma história contada: o marrom dos pelos que guardaram cheiros de aventura, o brilho nos olhos que refletiam confiança, o contorno do focinho que tantas vezes encontrou abrigo em nosso colo. O resultado final não é apenas arte. É o amor, tornado visível, quase palpável.
Porque um cachorro nunca parte por completo. Permanece em nosso coração e, agora, também na tela, guardado em pinceladas que jamais se apagam. Eternizar um cachorro em um quadro é, no fim das contas, pintar o amor que nunca morre.
Opinião
O varejo não quebrou, mas a cabeça do cliente mudou
Voltei da Omni Varejo 2026, em João Pessoa, com a cabeça fervendo. Não foi por causa do calor nordestino, mas de uma palestra do publicitário Walter Longo, que me fez repensar quase tudo o que fazemos no comércio cuiabano.
O varejo não está em crise. O que está acontecendo é uma mudança brutal na cabeça do consumidor. Como disse Longo: “Agora, assistimos a uma migração sem precedentes, mas ela é cognitiva, não geográfica.” Seu cliente não mudou de bairro — mudou dentro da própria cabeça. Ele quer respostas rápidas, soluções imediatas. E quem não perceber isso vai ficar para trás.
Nicholas Carr, jornalista, explica que estamos migrando a atividade neural do hipocampo (pensamento profundo) para o córtex pré-frontal (piloto automático). A revista The Economist estima que as distrações digitais custam US$ 650 bilhões por ano aos Estados Unidos. Aqui no Brasil, a conta também é pesada.
A saída? Um modelo de negócio mais leve. Longo foi direto: “O segredo do futuro não está em ter mais, e sim em ser mais leve.” Menos estoque, menos peso, mais flexibilidade. O cliente quer agilidade, e estoque enorme virou âncora.
No marketing, a virada é igualmente radical: “O futuro não está em atingir pessoas em massa, mas em compreender pessoas em frações.” Pessoas não são — pessoas estão. Tratar o cliente como ficha cadastral é coisa do passado.
E a cereja do bolo: “Gerir uma empresa daqui para frente significa entender como funcionam as pessoas, e não apenas o negócio.” A economista inglesa Dame Minouche Shafik resume bem: “No passado, empregos dependiam de músculos; agora, do cérebro; no futuro, vão depender do coração.”
Mas não dá para ignorar o presente: juros nas alturas, inadimplência que não dá trégua e um fenômeno que vem arrasando milhares de pessoas no país, apostas esportivas e jogos online passaram a disputar espaço no orçamento dos brasileiros, além do custo de capital corroendo margens. A realidade é dura e fingir que ela não existe é receita para o fracasso.
E é justamente aí que mora a oportunidade. Estoque enxuto não é só modernidade: é menos dinheiro parado pagando juros altos. Atendimento personalizado não é só marketing: é fidelizar quem já compra, mesmo com crédito restrito. Gestão com coração não é só empatia: é time engajado, que vende mais e gera indicações — o melhor remédio contra a queda de consumo.
E a inadimplência? A saída é usar tecnologia para analisar o perfil de crédito em tempo real, oferecer prazos que cabem no bolso e recuperar clientes com abordagem humana. Porque coração também se usa na hora de negociar.
Os lojistas que vão crescer não são os que ignoram os juros, são os que aprendem a dançar com eles. Margem apertada exige giro rápido. Capital caro exige criatividade. Cliente endividado exige oferta inteligente, não apenas desconto.
Como presidente da CDL Cuiabá, saio do evento convicto: nossos desafios são reais, mas nossas armas também. Temos tecnologia, conhecimento e, acima de tudo, um comércio que já provou que sabe renascer.
O varejo cuiabano vai ser mais leve, mais humano e mais esperto. Vai usar a crise como combustível para inovar.
Não tem mais volta: a cabeça do cliente já mudou. Os juros estão altos, a inadimplência existe, mas nossa capacidade de reinventar é maior. Agora é a nossa vez — e vamos sair dessa maiores do que entramos.
*Júnior Macagnam, empresário da moda e presidente da CDL Cuiabá
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