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Fluminense dá adeus à Sul-Americana com empate amargo e saída de Renato Gaúcho

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O sonho do Fluminense na Copa Sul-Americana chegou ao fim na noite desta terça-feira. Jogando no Maracanã, o Tricolor carioca não conseguiu reverter a desvantagem do jogo de ida e, ao empatar em 1 a 1 com o Lanús, foi eliminado nas quartas de final pelo placar agregado de 2 a 1. A frustração com o resultado culminou na imediata demissão do técnico Renato Gaúcho.

O Jogo

A partida começou com o Fluminense determinado a buscar a virada. A equipe da casa impôs pressão desde os primeiros minutos, explorando as bolas aéreas e criando oportunidades. Everaldo e Acosta, em cabeçadas que passaram perto, já sinalizavam a intenção ofensiva. Aos 19 minutos, a insistência tricolor foi recompensada: Serna fez uma bela jogada pela ponta, cruzou para Acosta escorar, e Canobbio, com um voleio preciso, abriu o placar, incendiando o Maracanã.

Mesmo com a vantagem, o Fluminense não recuou e manteve o ímpeto ofensivo. Aos 23 minutos, Samuel Xavier arriscou de fora da área e viu a bola explodir na trave, por pouco não ampliando o marcador antes do intervalo.

Na segunda etapa, o Lanús, ciente da necessidade de reagir, adiantou suas linhas em busca do empate. Contudo, foi o Fluminense quem esteve próximo de balançar as redes novamente aos oito minutos, quando Martinelli recebeu a bola na área, mas chutou em cima do goleiro Losada. Pouco depois, Freytes desperdiçou uma boa chance de cabeça.

A persistência argentina, porém, foi recompensada. Aos 22 minutos, Aquino tabelou com Marcelino Moreno e, com frieza, tocou na saída do goleiro Fábio, empatando a partida e decretando a eliminação do Fluminense. O gol do Lanús representou um golpe fatal nas aspirações do time carioca, que precisaria de mais dois gols para avançar.

Consequências e Próximos Passos

Com a eliminação confirmada e a derrota no agregado por 2 a 1, a diretoria do Fluminense anunciou a saída do técnico Renato Gaúcho após o apito final. O clube buscará um novo comandante para o restante da temporada, focando agora exclusivamente no Campeonato Brasileiro.

O Lanús, por sua vez, segue firme na competição e aguarda o desfecho do confronto entre Universidad de Chile e Alianza Lima, que se enfrentam nesta quinta-feira, para conhecer seu adversário na semifinal.

Próximos jogos:

  • Fluminense: Entra em campo no próximo domingo para enfrentar o Botafogo, no Maracanã, às 16h (de Brasília), pela 25ª rodada do Brasileirão.
  • Lanús: Visitará o Instituto AC Cordoba no Estadio Juan Domingo Perón, também no próximo domingo, às 20h15, em partida válida pela décima rodada do Clausura do Campeonato Argentino.

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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