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Empate eletrizante em Bragança: Santos cede igualdade ao Bragantino em jogo de quatro gols
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O Santos não conseguiu consolidar sua ascensão no Campeonato Brasileiro. Em um confronto recheado de emoções neste domingo, o Peixe ficou no empate por 2 a 2 com o Red Bull Bragantino, no Estádio Municipal Cícero de Souza Marques, em Bragança Paulista, pela 25ª rodada da competição nacional. O resultado interrompe a busca pela segunda vitória consecutiva do Alvinegro Praiano, mas estende a invencibilidade santista para quatro partidas.
O destaque da partida ficou por conta do argentino Lautaro Díaz, que balançou as redes pela primeira vez com a camisa santista.
O jogo
A partida começou com o Santos demonstrando ímpeto ofensivo, quase abrindo o placar aos nove minutos com Lautaro Díaz, que finalizou com perigo após um rápido contra-ataque. O Bragantino respondeu com reclamações de um possível pênalti e investidas perigosas de Guilherme e Barreal, que exigiram boas defesas do goleiro santista Cleiton. No entanto, foi o Massa Bruta quem balançou as redes primeiro. Aos 30 minutos, Lucas Barbosa, um ex-jogador do Alvinegro Praiano, aplicou a “lei do ex” com uma cavadinha que superou Brazão e inaugurou o marcador.
Segundo tempo
A etapa complementar trouxe um Santos determinado a reverter o placar. Aos 10 minutos, a persistência foi recompensada: Guilherme acionou Souza pela esquerda, que cruzou rasteiro para Lautaro, garantindo seu primeiro gol pelo clube e empatando a partida. A virada não demorou a vir. Apenas quatro minutos depois, Barreal recebeu de Lautaro e chutou no ângulo, sem chances para Cleiton, colocando o Peixe em vantagem.
A partida também marcou a estreia do atacante argelino Billal Brahimi pelo Santos, que entrou no lugar de Rollheiser. Contudo, a vantagem santista não durou até o fim. Aos 32 minutos, em uma jogada de bola parada, o Bragantino chegou ao empate definitivo. Pedro Henrique aproveitou uma cobrança de escanteio de Jhon Jhon, subiu mais alto que a defesa e cabeceou para o fundo das redes, selando o 2 a 2.
Situação na tabela
Apesar do ponto conquistado fora de casa e da série invicta, o Santos permanece na parte de baixo da tabela, ocupando a 16ª posição com 27 pontos, mantendo uma distância de cinco pontos para o Juventude, o primeiro time na zona de rebaixamento (Z4). O Red Bull Bragantino, por sua vez, figura na nona colocação, com 32 pontos.
Próximos confrontos
- Santos: Enfrentará o Grêmio na Vila Belmiro, no dia 1º de outubro (quarta-feira), às 21h30 (de Brasília), pela 26ª rodada do Brasileirão.
- RB Bragantino: Jogará contra o Mirassol no Estádio Campos Maia, também no dia 1º de outubro (quarta-feira), às 19h (de Brasília).
Aqui está a ficha técnica da partida:
FICHA TÉCNICA
Santos 2 x 2 Red Bull Bragantino
Competição: 25ª rodada do Campeonato Brasileiro
Local: Estádio Municipal Cícero de Souza Marques, em Bragança Paulista (SP)
Data: 28 de setembro de 2025 (domingo)
Horário: 18h30 (de Brasília)
Cartões Amarelos:
- Santos: Souza, Mayke
- Bragantino: Eduardo Sasha, Jhon Jhon, Fabinho
Arbitragem
Árbitro: Flavio Rodrigues de Souza (SP)
Assistentes: Daniella Coutinho Pinto (BA) e Gustavo Rodrigues de Oliveira (SP)
VAR: Adriano de Assis Miranda (SP)
Gols:
- Bragantino: Lucas Barbosa, aos 30′ do 1º tempo
- Santos: Lautaro Díaz, aos 10′ do 2º tempo
- Santos: Álvaro Barreal, aos 14′ do 2º tempo
- Bragantino: Pedro Henrique, aos 32′ do 2º tempo
Escalações:
Red Bull Bragantino: Cleiton; Nathan Mendes, Pedro Henrique, Guzmán Rodríguez e Vanderlan; Gabriel (Fabinho), Eric Ramires (Matheus Fernandes) e Jhon Jhon; Lucas Barbosa (Vinicinho), Laquintana (Fernando) e Eduardo Sasha (Thiago Borbas). Técnico: Fernando Seabra.
Santos: Brazão; Mayke, Alexis Duarte, Luan Peres e Souza (Igor Vinícius); Zé Rafael, João Schmidt, Barreal (Caballero) e Rollheiser (Billal Brahimi); Guilherme e Lautaro Díaz (Tiquinho Soares). Técnico: Juan Pablo Vojvoda.
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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