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São Paulo e Flamengo empatam na Vila Belmiro em jogo de quatro gols
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São Paulo e Flamengo protagonizaram um clássico eletrizante que terminou em empate por 2 a 2, na noite desta quarta-feira, na Vila Belmiro. A partida, válida pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro, foi marcada por reviravoltas, gols e uma expulsão que mudou os rumos do confronto. Luciano e Ferreirinha garantiram os tentos tricolores, enquanto Arrascaeta, de pênalti, e Samuel Lino balançaram as redes para o Rubro-Negro, que amargou a expulsão de Plata no segundo tempo, quando já havia virado o placar.
O resultado impediu o Flamengo de assumir, ainda que provisoriamente, a liderança do Campeonato Brasileiro. Com o Palmeiras entrando em campo nesta quinta-feira contra o Santos, o Rubro-Negro perdeu a chance de colocar pressão e pode ver a diferença para o topo aumentar. Já o São Paulo segue firme na luta por uma vaga na próxima Libertadores, mantendo-se na oitava posição e de olho nos sete primeiros colocados que garantem presença no torneio continental.
Primeiro tempo
O jogo começou com intensidade máxima na Vila Belmiro. Logo aos três minutos, Luciano aproveitou uma falha da defesa flamenguista para abrir o placar para o São Paulo. A alegria tricolor, contudo, durou pouco. Aos cinco minutos, Pablo Maia cometeu pênalti em Arrascaeta, e o próprio meia uruguaio converteu a cobrança, deixando tudo igual.
A partir daí, as equipes trocaram ataques, criando boas chances. O Flamengo chegou a marcar o segundo gol nos acréscimos do primeiro tempo com Samuel Lino, mas o lance foi anulado por impedimento, mantendo o empate ao fim da etapa inicial.
Virada do Flamengo, expulsão e reação do São Paulo
O segundo tempo trouxe mais emoção. O Flamengo voltou com tudo e quase virou logo aos três minutos, após uma saída de bola errada de Rafael que Arrascaeta quase aproveitou. O São Paulo respondeu com Ferreirinha e Luciano, que arriscaram de fora da área.
A eficiência rubro-negra se fez valer aos 19 minutos, quando Emerson Royal cruzou na medida para Samuel Lino, que, sem deixar a bola cair, completou de primeira para virar a partida para o Flamengo. A euforia, porém, foi curta. Pouco depois do gol, Plata foi expulso por um pisão em Arboleda, deixando o Mengão com dez em campo.
A expulsão de Plata e as subsequentes alterações do técnico Filipe Luís para recompor a defesa abriram espaço para o São Paulo. Aos 37 minutos, Maik aproveitou a sobra da defesa e cruzou para Ferreirinha, que finalizou de primeira, decretando o empate em 2 a 2 e fechando o placar de um jogo repleto de emoções.
Próximos confrontos:
O São Paulo volta a campo no próximo sábado, quando receberá o Red Bull Bragantino na Vila Belmiro, às 21h (de Brasília).
O Flamengo terá outro clássico pela frente, enfrentando o Santos no domingo, às 18h30, no Maracanã.
FICHA TÉCNICA
São Paulo 2 x 2 Flamengo
- Competição: Campeonato Brasileiro (32ª rodada)
- Local: Vila Belmiro, em Santos (SP)
- Data: 5 de novembro de 2025 (domingo)
- Horário: 21h30 (de Brasília)
- Público: 11.228 torcedores
- Renda: R$ 884.193,50
Gols:
- São Paulo: Luciano (3′ 1ºT), Ferreirinha (34′ 2ºT)
- Flamengo: Arrascaeta (5′ 1ºT), Samuel Lino (19′ 2ºT)
Cartões Amarelos:
- São Paulo: Luciano
- Flamengo: Carrascal, Danilo, Erick Pulgar
Cartões Vermelhos:
Arbitragem:
- Árbitro: Rodrigo José Pereira de Lima (PE)
- Assistentes: Rafael da Silva Alves (RS), Francisco Chavez Bezerra Júnior (PE)
- VAR: Rodrigo D’Alonso Ferreira (SC)
Equipes:
- São Paulo: Rafael; Ferraresi, Arboleda e Sabino; Cédric Soares (Maik), Pablo Maia (Alisson), Luiz Gustavo (Marcos Antônio), Bobadilla e Ferreirinha; Luciano e Tapia (Lucas). Técnico: Hernán Crespo
- Flamengo: Rossi; Emerson Royal, Danilo, Léo Pereira e Alex Sandro; Erick Pulgar, Saúl (Wallace Yan) e Arrascaeta (De la Cruz); Carrascal (Luiz Araújo), Samuel Lino (Ayrton Lucas) e Plata. Técnico: Filipe Luís
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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