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O Congresso da Especialidade Médica

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Por Dr. Adriano B. Pinho

Na era da Inteligência Artificial, onde múltiplas informações são compiladas, formatação de planilhas, criação de dados e formação de textos organizados em minutos. Uma forma antiga e bem estruturada de reunir especialistas ainda resiste, o chamado evento “Congresso Médico”.

Cuja definição poderia ser:  Evento científico ou acadêmico que reúne profissionais, estudantes e pesquisadores para compartilhar conhecimentos, discutir novas pesquisas, apresentar avanços tecnológicos e tendências, e fortalecer redes de contato, “networking” (fonte: internet).

As pessoas são seres sociais, necessitam de ouvir e serem ouvidas, encontrar presencialmente um antigo mestre docente, conversar e além de tudo, saberem o que está acontecendo de novo ou na vanguarda da informação naquilo que é a essência do seu trabalho diário, como melhor atender o seu paciente e cliente.

Esta talvez seja uma contradição moderna, dos dias regidos pelas Inteligências Artificiais. Onde estamos no meio de tudo isso? Qual será o futuro dos encontros ou dos Fóruns Médicos?

Custos cada vez maiores, com logísticas complexas, dificultam a manutenção desses eventos.

Mas existe algo que é insubstituível dentro deste mercado saúde-educação, chama-se “ser humano”. Cada vez mais, esquecido pelos anseios e necessidades financeiras das instituições, mas que resiste ao tempo, com seus anseios próprios, suas características e desejos.

Somos essencialmente complexos, razão e emoção dentro da mesma pessoa. Trabalho e lazer, necessidades e desnecessidades, isso tudo no mesmo ser, onde se encontra cada um de nós.

Obviamente, haverá mudanças, por todas as razões já citadas, mas algo ainda permanecerá, a satisfação de unir no mesmo ambiente, antigos chefes e preceptores e seus “eternos alunos”, ascendentes a docentes, com alguns com rostos tão jovens que nos fazem lembrar das primeiras alegrias, no início da nossa jornada profissional, onde ainda, podíamos sonhar com o almejado e difícil de alcançar título de médico.

Para os que desistiram desse tipo de evento, digo que o ato de aprender é eterno e quando vejo, pessoas com mais de 80 anos, saírem dos seus lares, fazerem longas viagens, enfrentarem o desconforto das longas jornadas e ficarem longe dos seus lares, e estas terem o mesmo brilho nos olhos, dos jovens estudantes de medicina e estarem sentados na mesma plateia, penso que a renovação da energia, as informações novas, as tendências e o ambiente de crescimento profissional, fazem valerem a pena.

Sobre o Congresso Brasileiro de Ortopedia, de 2025, tema deste pequeno artigo, sempre é um evento ímpar, dentro da especialidade geral. Unidos no mesmo local, múltiplos universos do conhecimento ortopédico. Cada sala é única, a vanguarda da informação médica nas áreas de Traumatologia e Ortopedia, sendo escritas a cada evento, nas inúmeras salas, de forma simultânea. Os intervalos são disputadíssimos, entre as inovações mercadológicas e as tendências farmacológicas. Cada metro quadrado, respira e almeja a atenção de um público tão seleto.

Para os que foram, boas lembranças, para os que não puderam ir… próximo ano haverá novamente.

Assim caminha nossos encontros ou melhor dizendo, nossos congressos. E que venham muitos outros. Afinal, somos ávidos pelo conhecimento.

Dr. Adriano B. Pinho é Mestre em Ciências Aplicadas à Atenção Hospital, Cirurgião de Mão (RQE 3842), Ortopedista (RQE 2921) e vice-presidente do CRM-MT e da SBOT-MT

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O varejo não quebrou, mas a cabeça do cliente mudou

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Voltei da Omni Varejo 2026, em João Pessoa, com a cabeça fervendo. Não foi por causa do calor nordestino, mas de uma palestra do publicitário Walter Longo, que me fez repensar quase tudo o que fazemos no comércio cuiabano.

O varejo não está em crise. O que está acontecendo é uma mudança brutal na cabeça do consumidor. Como disse Longo: “Agora, assistimos a uma migração sem precedentes, mas ela é cognitiva, não geográfica.” Seu cliente não mudou de bairro — mudou dentro da própria cabeça. Ele quer respostas rápidas, soluções imediatas. E quem não perceber isso vai ficar para trás.

Nicholas Carr, jornalista, explica que estamos migrando a atividade neural do hipocampo (pensamento profundo) para o córtex pré-frontal (piloto automático). A revista The Economist estima que as distrações digitais custam US$ 650 bilhões por ano aos Estados Unidos. Aqui no Brasil, a conta também é pesada.

A saída? Um modelo de negócio mais leve. Longo foi direto: “O segredo do futuro não está em ter mais, e sim em ser mais leve.” Menos estoque, menos peso, mais flexibilidade. O cliente quer agilidade, e estoque enorme virou âncora.

No marketing, a virada é igualmente radical: “O futuro não está em atingir pessoas em massa, mas em compreender pessoas em frações.” Pessoas não são — pessoas estão. Tratar o cliente como ficha cadastral é coisa do passado.

E a cereja do bolo: “Gerir uma empresa daqui para frente significa entender como funcionam as pessoas, e não apenas o negócio.” A economista inglesa Dame Minouche Shafik resume bem: “No passado, empregos dependiam de músculos; agora, do cérebro; no futuro, vão depender do coração.”

Mas não dá para ignorar o presente: juros nas alturas, inadimplência que não dá trégua e um fenômeno que vem arrasando milhares de pessoas no país, apostas esportivas e jogos online passaram a disputar espaço no orçamento dos brasileiros, além do custo de capital corroendo margens. A realidade é dura e fingir que ela não existe é receita para o fracasso.

E é justamente aí que mora a oportunidade. Estoque enxuto não é só modernidade: é menos dinheiro parado pagando juros altos. Atendimento personalizado não é só marketing: é fidelizar quem já compra, mesmo com crédito restrito. Gestão com coração não é só empatia: é time engajado, que vende mais e gera indicações — o melhor remédio contra a queda de consumo.

E a inadimplência? A saída é usar tecnologia para analisar o perfil de crédito em tempo real, oferecer prazos que cabem no bolso e recuperar clientes com abordagem humana. Porque coração também se usa na hora de negociar.

Os lojistas que vão crescer não são os que ignoram os juros, são os que aprendem a dançar com eles. Margem apertada exige giro rápido. Capital caro exige criatividade. Cliente endividado exige oferta inteligente, não apenas desconto.

Como presidente da CDL Cuiabá, saio do evento convicto: nossos desafios são reais, mas nossas armas também. Temos tecnologia, conhecimento e, acima de tudo, um comércio que já provou que sabe renascer.

O varejo cuiabano vai ser mais leve, mais humano e mais esperto. Vai usar a crise como combustível para inovar.

Não tem mais volta: a cabeça do cliente já mudou. Os juros estão altos, a inadimplência existe, mas nossa capacidade de reinventar é maior. Agora é a nossa vez — e vamos sair dessa maiores do que entramos.

*Júnior Macagnam, empresário da moda e presidente da CDL Cuiabá

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