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Investigação chinesa sobre carne bovina traz incertezas para o setor em 2026

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A decisão da China de concluir que o avanço das importações de carne bovina, noticiada pela chamada grande imprensa, esta semana, acende um sinal de alerta para o agronegócio brasileiro justamente na virada para 2026. O país asiático, que respondeu por 53,9% das exportações brasileiras de carne bovina entre janeiro e novembro de 2025, reconheceu formalmente à Organização Mundial do Comércio (OMC) que o crescimento das compras externas comprometeu preços, estoques, rentabilidade e emprego no mercado interno, abrindo espaço para eventuais medidas de salvaguarda.

Embora Pequim ainda não tenha anunciado tarifas adicionais ou cotas de importação, o simples enquadramento técnico da investigação muda o ambiente de risco para os grandes exportadores. O processo analisou o período de 2019 ao primeiro semestre de 2024, no qual as importações chinesas passaram de 165,9 mil toneladas para 273,7 mil toneladas, chegando a 143,9 mil toneladas apenas nos seis primeiros meses de 2024. Com isso, a participação da carne importada no consumo chinês saltou de 20,5% para 30,9%, pressionando a indústria local e reduzindo sua fatia de mercado.

Para o Brasil, o impacto potencial é desproporcional. Diferentemente de países menores, que poderão ser isentos por responderem por menos de 1% das importações chinesas, o setor brasileiro não aparece na lista de possíveis exceções. Na prática, isso significa que qualquer restrição — mesmo que moderada — tende a atingir diretamente o principal destino da carne bovina nacional, num momento em que o país ampliou sua dependência do mercado chinês ao longo de 2025.

O contexto preocupa porque 2026 começa com um setor que produziu e exportou com base na continuidade desse fluxo. A carne bovina brasileira ganhou espaço justamente pela combinação de escala, competitividade de preços e regularidade de fornecimento. Uma mudança abrupta nas regras pode gerar efeito em cadeia: redirecionamento de volumes para outros mercados, pressão sobre preços internos e ajuste forçado nas margens da indústria frigorífica e dos produtores.

Além disso, o movimento chinês ocorre num cenário de maior assertividade comercial global. Os Estados Unidos, concorrentes diretos do Brasil no fornecimento de carne bovina, já solicitaram consultas formais no âmbito da OMC, sinalizando que o debate tende a ganhar contornos geopolíticos e jurídicos em 2026. A abertura desse diálogo indica que a decisão chinesa não ficará restrita a um tema técnico, mas poderá influenciar negociações comerciais mais amplas.

Para o agronegócio brasileiro, o episódio reforça uma questão estrutural: a elevada concentração das exportações em um único mercado. O desempenho recorde dos últimos anos ampliou receitas e deu sustentação ao setor, mas também aumentou a exposição a decisões regulatórias externas. Às vésperas de 2026, o caso chinês deixa claro que competitividade produtiva, por si só, não elimina riscos comerciais — e que a diversificação de destinos tende a voltar ao centro da estratégia da cadeia da carne bovina no próximo ciclo.

Fonte: Pensar Agro

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Safra de urucum impulsiona pequenas propriedades

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A colheita do urucum avança nas principais regiões produtoras do país com preços entre R$ 12,50 e R$ 15 por quilo das sementes. No noroeste do Paraná, onde a produtividade pode chegar a 1,5 tonelada por hectare, a regularidade das chuvas favoreceu as lavouras depois de dois ciclos prejudicados pela seca.

Nas áreas de melhor desempenho, a combinação entre produtividade e preço representa uma receita bruta potencial de R$ 22,5 mil por hectare. O valor não desconta os gastos com implantação, adubação, manejo, mão de obra, colheita e beneficiamento das sementes.

O Brasil ocupa a liderança mundial na produção de urucum. Levantamento do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), elaborado com dados de 2020 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estimou uma colheita nacional de 13,6 mil toneladas, equivalente a aproximadamente 57% da produção global naquele ano.

São Paulo concentra o principal polo produtor do país, especialmente na Nova Alta Paulista. Municípios localizados entre Tupã e Panorama têm parte da economia agrícola ligada à cultura. Na região, a safra principal ocorre entre junho e agosto, com preços atuais entre R$ 12,50 e R$ 13 por quilo.

No Paraná, o cultivo comercial ganhou espaço a partir da década de 1980 e encontrou condições favoráveis nos municípios do noroeste. A combinação entre solo arenoso, elevada luminosidade e temperaturas adequadas permitiu o desenvolvimento da atividade, principalmente em pequenas propriedades.

A colheita paranaense começa em março nas áreas mais precoces, atinge o maior volume entre junho e julho e pode seguir até setembro. A estimativa consolidada da produção regional deverá ser conhecida em outubro, depois do encerramento dos trabalhos nas lavouras.

Levantamentos locais indicam produtividade entre 800 e 1.500 quilos de sementes por hectare, dependendo da variedade, da idade das plantas, dos tratos culturais e das condições climáticas. A melhora dos preços também estimulou a retomada dos investimentos em adubação e manutenção das áreas.

A maior parte dos agricultores utiliza as variedades Piave tradicional e Piave anão. A primeira forma árvores de maior porte. A segunda apresenta plantas mais baixas, característica que facilita o acesso às cápsulas e reduz o esforço necessário durante a colheita.

Segundo especialistas, o porte das plantas é um fator importante principalmente nas propriedades que dependem de mão de obra familiar. A uniformidade da maturação e a disposição dos galhos também interferem na velocidade da colheita e no aproveitamento das sementes.

O urucum tem espaço em áreas nas quais a produção de soja ou milho em grande escala encontra limitações econômicas e operacionais. Em propriedades de até dez hectares, a cultura pode complementar a renda obtida com a pecuária leiteira e outras atividades.

A colheita é semimecanizada. As cápsulas são retiradas dos galhos e encaminhadas para equipamentos que fazem a separação das sementes. O processo ainda exige participação considerável de trabalhadores, o que torna o custo e a disponibilidade de mão de obra pontos importantes no planejamento.

Os frutos do urucuzeiro são cápsulas revestidas por espinhos maleáveis. Em seu interior ficam as sementes cobertas por um pigmento avermelhado utilizado na fabricação de colorau e de corantes naturais.

A bixina, principal pigmento extraído das sementes, abastece sobretudo a indústria de alimentos. A substância é empregada na coloração de queijos, embutidos, massas, molhos, bebidas, sorvetes, doces e outros produtos.

A matéria-prima também possui aplicações nas indústrias cosmética, química, têxtil e de vernizes. A procura por corantes de origem natural ajuda a sustentar o mercado, mas a remuneração depende da qualidade das sementes e do conteúdo de pigmento.

O teor de bixina é um dos principais critérios avaliados pela indústria. Sementes com maior concentração proporcionam melhor rendimento no processamento, o que aumenta a importância da escolha da variedade e do manejo correto da lavoura.

Pesquisas conduzidas pelo Instituto Agronômico (IAC), ligado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), buscam desenvolver plantas que reúnam porte reduzido, maior produtividade, elevado teor de bixina e resistência às principais doenças.

Entre os problemas acompanhados está o oídio, doença identificada pela formação de uma camada esbranquiçada nas folhas. Quando não controlada, pode reduzir a capacidade de desenvolvimento das plantas e afetar o potencial produtivo.

Os estudos também avaliam espaçamento, arquitetura das plantas, adaptação regional e diversidade genética. O instituto mantém um banco de germoplasma com 378 genótipos, utilizados na seleção de materiais com características de interesse dos agricultores e da indústria.

Por ser uma cultura perene, o urucum exige planejamento de longo prazo. A implantação das mudas deve ser feita preferencialmente entre a primavera e o verão, quando o período chuvoso favorece o crescimento inicial.

Antes de iniciar o cultivo, o produtor precisa avaliar a existência de compradores, a distância até as unidades de beneficiamento e a disponibilidade de trabalhadores. Ao contrário das grandes commodities, o urucum possui um mercado mais restrito e depende de canais comerciais organizados.

A produtividade elevada e os preços próximos de R$ 15 por quilo melhoram as perspectivas desta safra. Para as pequenas propriedades, a cultura representa uma alternativa de diversificação, mas o resultado depende de assistência técnica, qualidade das sementes, eficiência na colheita e segurança na comercialização.

Fonte: Pensar Agro

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