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ATP 250 de Brisbane começa com desfalque de João Fonseca, vitórias de Tiafoe e duelo Australiano empolgante
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O ATP 250 de Brisbane 2026 teve início neste domingo (4) com uma mistura de emoções: um desfalque inesperado, vitórias consistentes e a promessa de confrontos de alto nível. O torneio, que serve de aquecimento para o Aberto da Austrália, viu um de seus cabeças de chave, o jovem brasileiro João Fonseca, se retirar da competição devido a uma lesão nas costas.
A desistência de Fonseca adia sua estreia na temporada 2026. Ele estava escalado para enfrentar o norte-americano Reilly Opelka. A lesão levanta preocupações sobre sua participação no ATP 250 de Adelaide, na próxima semana, e principalmente sobre o primeiro Grand Slam do ano.
Tiafoe avança e aguarda Medvedev
No entanto, o dia também foi de celebração para outros tenistas. O carismático Frances Tiafoe, ex-top 10, demonstrou boa forma ao garantir sua vaga na segunda rodada. O norte-americano superou o australiano Aleksandar Vukic com autoridade, vencendo por 6-2 e 6-2. Tiafoe exibiu um jogo dominante, acumulando 12 winners e cometendo apenas oito erros não forçados, contrastando com os 26 erros de seu adversário.
A vitória de Tiafoe prepara o terreno para um aguardado encontro com o cabeça de chave número 1, Daniil Medvedev. Para que o confronto se materialize, o russo precisará superar Marton Fucsovics em sua estreia, marcada para esta segunda-feira.
Campeões do Australian Open retornam com vitória
Nas duplas masculinas, a torcida australiana teve motivos para comemorar com o retorno vitorioso de Thanasi Kokkinakis e Nick Kyrgios. A dupla, que foi campeã do Australian Open em 2022, mostrou entrosamento ao vencer Matthew Ebden e Rajeev Ram por 5-7, 6-4 e um decisivo 10-8 no match tie-break, animando o público presente na Pat Rafter Arena.
Destaques na Chave Feminina
O torneio feminino também reservou duelos intensos. A russa Anastasia Potapova protagonizou uma batalha de três sets contra Daria Kasatkina, saindo vitoriosa com parciais de 7-5, 4-6 e 6-4. Potapova agora enfrentará Diana Shnaider na próxima fase. Já a local Ajla Tomljanovic teve uma estreia mais tranquila, derrotando Elsa Jacquemot por 6-1 e 6-3, e terá pela frente a tcheca Karolina Muchova.
Com grandes nomes em ação e a expectativa de duelos emocionantes, o Brisbane International se consolida como um dos eventos mais atrativos do início da temporada de tênis, prometendo fortes emoções tanto nas chaves de simples quanto nas de duplas.
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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