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Grêmio aplica goleada de 7 a 0 no Galvez e encaminhando vaga na Copinha
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O Grêmio mostrou sua força na Copa São Paulo de Futebol Júnior e conquistou uma contundente vitória por 7 a 0 sobre o Galvez/AC, na tarde desta segunda-feira, pela segunda rodada da fase de grupos. No estádio Plinio Marin, em Votuporanga, o Tricolor gaúcho não tomou conhecimento do adversário e, com um hat-trick de Fellipe Magalhães, além de gols de Zortea, João Borne, Ryan e um contra, ficou muito perto de garantir sua classificação antecipada para a próxima fase do torneio.
A equipe gremista começou o jogo de forma avassaladora. Logo aos 10 minutos, Jeferson foi derrubado na área, e a arbitragem assinalou pênalti. Zortea cobrou com precisão no canto direito, abrindo o placar para o Grêmio. Com a vantagem, o Tricolor manteve o controle do jogo, ditando o ritmo com maior posse de bola e volume ofensivo. Pedro Gabriel quase ampliou aos 14 minutos com um chute forte que explodiu no travessão.
Após um período de menor intensidade, o Grêmio voltou a pressionar e, aos 43 minutos, Adrielson cobrou uma falta lateral que, após desvio no zagueiro Liedson do Galvez (gol contra), enganou o goleiro Jhonatan e resultou no segundo gol gremista. Antes do intervalo, aos 46, João Borne fez uma grande jogada individual pela esquerda, driblou o marcador e chutou forte para fazer um golaço, levando o placar para 3 a 0. O Galvez só conseguiu chegar ao ataque uma vez, aos 48, mas o goleiro gremista João Victor fez a defesa.
Segundotempo de gols e talento
Na volta para o segundo tempo, com a entrada de Danillo no lugar de Zortea, o Grêmio não tirou o pé do acelerador. Aos sete minutos, Fellipe Magalhães aproveitou um rebote do goleiro após chute de Vitor Ramon e empurrou para o gol, fazendo 4 a 0. Não demorou muito para o mesmo Fellipe Magalhães brilhar novamente. Aos 12, em um contra-ataque rápido iniciado por João Borne, o camisa 10 recebeu livre e tocou com categoria, marcando seu segundo gol no jogo.
O show de Fellipe Magalhães ainda teria mais um capítulo. Aos 21 minutos, Vitor Ramon avançou pela direita e cruzou na medida para o atacante testar firme para o fundo das redes, consolidando seu hat-trick e elevando a goleada para 6 a 0. Com a partida já definida, o técnico gremista promoveu novas substituições, dando oportunidade a Higor, Rogério, Smiley e Benjamin.
Nos acréscimos, aos 49 minutos, o Grêmio selou a vitória com mais um gol. Danillo lançou Ryan em velocidade, que dominou, passou pela marcação e finalizou rasteiro, por baixo do goleiro, fechando o placar em 7 a 0.
Com este resultado expressivo, o Grêmio alcança duas vitórias em duas partidas e lidera isoladamente seu grupo, ficando em situação extremamente confortável para garantir sua passagem para a segunda fase da Copinha. A confirmação matemática da classificação aguarda os resultados da outra partida do Grupo 2.
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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