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Botafogo é eliminado da Libertadores após derrota em casa

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Em uma noite melancólica no Estádio Nilton Santos, o Botafogo viu seu sonho na Copa Libertadores ser encerrado precocemente nesta terça-feira. A equipe carioca foi superada por 1 a 0 pelo Barcelona de Guayaquil, sendo eliminada ainda na fase preliminar do principal torneio sul-americano de clubes.

Com o resultado, o time equatoriano garante sua vaga na fase de grupos da Libertadores, aproveitando o empate em 1 a 1 no jogo de ida, disputado no Equador, e fechando o placar agregado em 2 a 1. Para o Botafogo, resta agora a disputa da Copa Sul-Americana.

O jogo

O Barcelona de Guayaquil não demorou a impor seu ritmo e abriu o placar logo aos sete minutos do primeiro tempo. Após um cruzamento na área, Martínez escorou a bola para Celiz, que finalizou com precisão para o fundo da meta botafoguense, silenciando a torcida presente.

Na etapa complementar, o Botafogo tentou reagir e pressionou em busca do empate. Logo aos dois minutos, Alex Telles cobrou uma falta que ia no ângulo, mas encontrou uma grande defesa do goleiro Contreras. O arqueiro do Barcelona viria a ser um dos destaques da partida, parando também finalizações perigosas de Matheus Martins e Arthur Cabral, que tentaram de todas as formas furar a defesa adversária.

Nos momentos finais do jogo, o desespero tomou conta do Alvinegro, que se lançou ao ataque de forma desorganizada, esbarrando na própria falta de pontaria e na sólida defesa equatoriana. O apito final confirmou a eliminação e foi recebido com protestos por parte da torcida botafoguense, que esperava um desempenho diferente em casa.

Próximos compromissos:

O Botafogo agora volta suas atenções para o Campeonato Brasileiro. O próximo desafio será um clássico contra o Flamengo, no sábado, 14 de março de 2026, às 20h30 (de Brasília), novamente no Estádio Nilton Santos, pela 6ª rodada da competição.

Já o Barcelona de Guayaquil, com a vaga assegurada na Libertadores, terá pela frente o Guayaquil City, em partida válida pela 4ª rodada do Campeonato Equatoriano, no domingo, 15 de março de 2026, às 20h15 (de Brasília), no Estadio Christian Benitez Betancourt.

FICHA TÉCNICA
                                                         Botafogo 0 x 1 Barcelona
Competição 3ª rodada da Pré-Libertadores (jogo de volta)
Local Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)
Data 10 de março de 2026 (terça-feira)
Horário 21h30 (de Brasília)
Gols  Celiz, aos 7′ do 1ºT (Barcelona)
Cartões Amarelos Barboza (Botafogo); Perlaza, Castillo, Contreras, Celiz e Villalba (Barcelona)
Cartões Vermelhos Nenhum
Árbitro Piero Maza (Chile)
Assistentes Claudio Urrutia (Chile)
Miguel Rocha (Chile)
VAR Juan Lara (Chile)
Botafogo Léo Link, Ponte (Correa), Bastos (Arthur Cabral) e Barboza; Vitinho, Newton, Danilo, Montoro (Caio Valle), Barrera (Barrera) e Alex Telles; Matheus Martins (Nathan Fernandes).
Técnico: Martín Anselmi.
Barcelona Contreras, Carabalí (Chalá), Báez, Rangel, Sosa e Vallecilla (Mina); Celiz, Rojas (Castillo) e Quiñónez; Villalba (Benedetto) e Martínez (Perlaza).
Técnico: César Farías.

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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