Agricultura
Agro ampliou peso na economia e manteve crescimento em 2025
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O agronegócio brasileiro encerrou 2025 com crescimento de 12,2% no Produto Interno Bruto (PIB), atingindo R$ 3,2 trilhões e ampliando sua fatia na economia nacional para 25,13%. O resultado, porém, carrega um sinal de alerta: a expansão foi sustentada, em grande parte, pela valorização de preços ao longo do período, um movimento que perdeu força no segundo semestre e já impacta o ritmo da atividade.
Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Com a consolidação do quarto trimestre, o desempenho final ficou abaixo das projeções mais otimistas feitas ao longo do ano, refletindo a acomodação dos preços reais, principal motor da alta.
O segmento primário liderou a expansão, com avanço de 17,06%, impulsionado por maior produção agrícola, sobretudo de milho e café, e por um ambiente de preços ainda elevados na pecuária. Já os agrosserviços cresceram 13,76%, acompanhando o volume movimentado dentro da porteira. O elo de insumos teve alta mais moderada, de 5,37%, com desempenho puxado por fertilizantes, defensivos e máquinas, enquanto a base pecuária foi penalizada pela retração na indústria de rações.
Na agroindústria, o cenário foi mais fragmentado. As atividades ligadas à agricultura recuaram 3,33%, pressionadas pela queda dos preços industriais, enquanto a cadeia pecuária avançou 36,54%, refletindo a valorização das proteínas e o aumento da produção. O dado reforça uma assimetria crescente dentro do setor, com desempenho mais favorável à pecuária em 2025.
O recorte do último trimestre mostra a mudança de direção. Entre julho e dezembro, o PIB do agro entrou em trajetória de desaceleração e fechou o quarto trimestre com queda de 1,11% frente ao período anterior, com retração em todos os segmentos. O movimento confirma a perda de tração iniciada ainda no terceiro trimestre, à medida que o ciclo de alta de preços iniciado em 2024 se esgotou.
Na prática, o resultado de 2025 combina dois vetores distintos: ganho real de produção e efeito inflacionário favorável. A leitura para 2026, portanto, passa menos pelo volume colhido e mais pela capacidade de sustentação de margens em um ambiente de preços menos pressionados, um ponto sensível em um setor que depende cada vez mais de custo, crédito e eficiência para manter o crescimento.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio IA), Isan Rezende (foto), os números confirmam algo que o produtor já percebe na prática: o agronegócio segue como um dos principais vetores de geração de riqueza do país.
“Quando o setor cresce mais de dois dígitos e amplia participação no PIB, não é apenas um resultado estatístico, é reflexo direto de produtividade, tecnologia e gestão dentro da porteira. Isso mostra que, mesmo em um ambiente de custos elevados, o campo continua entregando resultado e sustentando parte relevante da economia brasileira”, lembra Isan.
“Agora, é importante fazer uma leitura mais completa desse avanço. Uma parcela significativa desse crescimento veio da sustentação de preços ao longo do período, o que não necessariamente se traduz em melhora de margem para o produtor. O custo de produção segue pressionado, o crédito ficou mais caro e o risco aumentou. Ou seja, o PIB cresce, mas isso não significa automaticamente mais rentabilidade no caixa de quem produz. Esse descompasso precisa entrar no debate”, destacou o presidente do IA.
“Outro ponto que chama atenção é a desaceleração no fim do ano. Isso indica que o ciclo mais favorável de preços começa a perder força e exige um nível ainda maior de eficiência do setor. O agro brasileiro já mostrou capacidade de crescer, agora o desafio é sustentar esse desempenho com base em produtividade, gestão de risco e acesso a financiamento adequado. Sem isso, o crescimento pode até aparecer nos números, mas fica mais difícil de se traduzir em renda no campo”, completou Rezende.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Suinocultura deve atingir 53 milhões de cabeças até 2030
O rebanho suíno brasileiro deve chegar a 53 milhões de cabeças até 2030, crescimento de cerca de 10% em relação ao patamar atual, segundo projeção da Fundação Getulio Vargas (FGV). A expansão acompanha um mercado que vem ganhando tração no consumo interno e nas exportações, mas também pressiona a conta de custos dentro da porteira, especialmente por causa da dependência de milho, farelo de soja, energia e mão de obra.
O Brasil contabilizou 43,9 milhões de suínos em 2024, alta de 1,8% sobre o ano anterior, conforme a Pesquisa da Pecuária Municipal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A produção segue concentrada no Sul. Santa Catarina é o principal estado produtor, seguido por Paraná e Rio Grande do Sul. O Paraná, segundo maior rebanho do país, chegou a 7,3 milhões de cabeças em 2024, com 16,6% do efetivo nacional; juntos, os três estados do Sul respondem por 51,9% da produção brasileira.
A força do setor também aparece no comércio exterior. As exportações brasileiras de carne suína somaram 1,510 milhão de toneladas em 2025, recorde histórico e alta de 11,6% sobre 2024. A receita chegou a US$ 3,619 bilhões, crescimento de 19,3%, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). As Filipinas passaram a liderar os destinos, com 392,9 mil toneladas, à frente de China, Chile, Japão e Hong Kong.
O início de 2026 manteve o ritmo positivo. No primeiro trimestre, o Brasil embarcou 392,2 mil toneladas de carne suína, avanço de 16,5% sobre igual período de 2025. A receita no intervalo somou US$ 916 milhões, alta de 16,1%. Em março, os embarques chegaram a 153,8 mil toneladas, maior volume mensal da série, com receita de US$ 361,6 milhões. Santa Catarina também liderou as exportações no mês, com 71 mil toneladas, seguida por Rio Grande do Sul e Paraná.
A projeção da FGV indica que a expansão não ficará restrita ao eixo tradicional. A maior parte do crescimento continuará no Sul, mas estados fora da rota clássica da suinocultura devem ganhar espaço. Roraima pode chegar a 247 mil cabeças, avanço de 222% frente a 2019, enquanto Pernambuco deve dobrar o plantel, alcançando 1,7 milhão de animais. A interiorização da atividade reduz a dependência do Centro-Sul e aproxima a produção de novos mercados consumidores.
O crescimento, porém, não garante margem automaticamente. Entre julho de 2010 e maio de 2025, o preço médio do suíno subiu 237%, acima da inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), que avançou 176% no período, segundo os dados do estudo. Ainda assim, o produtor seguiu exposto à oscilação dos grãos. A alimentação representa a maior parcela do custo de produção, e qualquer alta do milho ou do farelo de soja reduz rapidamente a rentabilidade da granja.
Além da conta econômica, há pressão ambiental. A expansão do rebanho aumenta o volume de dejetos e as emissões de metano, o que torna o uso de biodigestores uma alternativa cada vez mais importante. A tecnologia permite transformar resíduos em biogás, energia e biofertilizantes, reduzindo passivos ambientais e criando uma nova fonte de receita. Levantamentos da Embrapa apontam que os custos de produção de suínos voltaram a subir em 2025, reforçando a necessidade de eficiência dentro da propriedade.
A tendência é que a suinocultura brasileira avance apoiada em três pilares: demanda interna por proteína mais acessível, diversificação dos mercados externos e maior profissionalização das granjas. Para o produtor, o desafio será transformar crescimento de rebanho em renda. Isso dependerá menos do número de animais alojados e mais da capacidade de controlar custo, aproveitar dejetos, melhorar conversão alimentar e acessar mercados que paguem melhor pela proteína brasileira.
Fonte: Pensar Agro
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