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México vence África do Sul no Estádio Azteca em abertura marcada por cartões vermelhos
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A Copa do Mundo começou com vitória dos anfitriões. Em uma partida tensa e com três expulsões, o México derrotou a África do Sul por 2 a 0 na tarde desta quinta-feira. Mais de 80 mil torcedores lotaram o Estádio Azteca, na Cidade do México, para acompanhar o duelo inaugural do torneio. Julián Quiñones e Raúl Jiménez foram os responsáveis pelos gols que garantiram os primeiros três pontos dos mexicanos no Grupo A.
O jogo
O placar foi aberto logo no início. Aos 9 minutos do primeiro tempo, após uma falha na saída de bola sul-africana, Quiñones recebeu de Érik Lira, driblou a marcação e finalizou com precisão para marcar o primeiro gol desta edição do Mundial. O México seguiu dominando a etapa inicial e quase ampliou com Jiménez e o próprio Quiñones, que chegou a acertar a trave antes do intervalo.
A situação dos visitantes se complicou aos 5 minutos do segundo tempo, quando Yaya Sithole foi expulso por interromper uma chance clara de gol de Brian Gutiérrez. Com um jogador a mais, os donos da casa chegaram ao segundo gol aos 22 minutos: Roberto Alvarado cruzou na medida para Raúl Jiménez, que cabeceou firme para o fundo das redes.
A reta final do confronto foi marcada pelo rigor da arbitragem brasileira, comandada por Wilton Pereira Sampaio. Aos 39 minutos, Themba Zwane recebeu cartão vermelho direto após agressão revisada pelo VAR. Já nos acréscimos, aos 46, foi a vez do México perder um jogador, quando César Montes foi expulso por uma entrada dura em Mudau.
Com o resultado, o México assume a liderança provisória da chave, enquanto a África do Sul fica na lanterna. O Grupo A terá o fechamento da primeira rodada ainda hoje, com o confronto entre Coreia do Sul e República Tcheca, em Guadalajara.
Próximas partidas
México
Jogo: México x Coréia do Sul
Competição: Copa do Mundo – Fase de Grupos (2ª rodada)
Data e horário: Quinta, 18 de junho de 2026, às 22h (de Brasília)
Local: Estádio Akron, em Guadalajara (MEX)
África do Sul
Jogo: República Tcheca x África do Sul
Competição: Copa do Mundo – Fase de Grupos (2ª rodada)
Data e horário: Quinta, 18 de junho de 2026, às 13h (de Brasília)
Local: Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta (EUA)
| FICHA TÉCNICA | |
|---|---|
| MÉXICO 2 x 0 ÁFRICA DO SUL | |
| Competição | Copa do Mundo – 1ª rodada do Grupo A |
| Local | Estádio Azteca, Cidade do México (MEX) |
| Data e Horário | 11 de junho de 2026, às 16h (de Brasília) |
| Gols | Quiñones (9′ 1ºT) e Raúl Jiménez (21′ 2ºT) |
| Cartões Amarelos | Brian Gutierrez (MEX); Teboho Mokoena (RSA) |
| Cartões Vermelhos | César Montes (MEX); Sithole e Zwane (RSA) |
| Arbitragem | Wilton Pereira Sampaio (BRA), Bruno Pires (BRA), Bruno Boschilia (BRA). VAR: Nicolas Gallo (COL) |
| México | Raúl Rangel; Israel Reyes, César Montes, Johan Vásquez, Jesús Gallardo; Brian Gutiérrez (Luis Chávez), Erick Lira (Álvarez), Álvaro Fidalgo (Gilberto Mora); Roberto Alvarado, Raúl Jiménez (González), Julián Quiñones (Vega). Técnico: Javier Aguirre |
| África do Sul | Ronwen Williams; Khuliso Mudau, Sibisi, Ime Okon, Mbokasi, Modiba (Appolis); Sithole, Mokoena, Adams (Themba Zwane); Rayners (Makgopa), Forster (Thalente Mbatha). Técnico: Hugo Broos |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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