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Corinthians vence o Barra e confirma vaga nas oitavas da Copa do Brasil

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O Corinthians confirmou a classificação para as oitavas de final da Copa do Brasil na noite desta quinta-feira ao derrotar o Barra por 1 a 0 na Neo Química Arena, no jogo de volta da quinta fase. Com o resultado, o time paulista fechou o confronto com 2 a 0 no placar agregado e assegurou presença entre os 16 clubes que seguem na disputa.

O gol da vitória foi marcado por Yuri Alberto, que voltou a balançar as redes depois de nove partidas sem marcar. O atacante, assim, encerrou sua maior sequência sem gols desde setembro defendendo o clube do Parque São Jorge.

O jogo

No primeiro tempo, o Corinthians teve as principais ações ofensivas e criou as melhores oportunidades. Logo aos oito minutos, Garro não conseguiu o domínio, a bola ficou com Yuri Alberto, que acabou derrubado perto da área, pelo lado esquerdo. Na cobrança da falta, o próprio camisa 8 bateu rasteiro e acertou a trave direita do goleiro Ewerton.

A equipe alvinegra voltou a levar perigo aos 20 minutos. Rodrigo Garro encontrou Yuri Alberto em boa condição, o atacante invadiu a área e finalizou de perna esquerda, mas parou na defesa do goleiro do Barra. Pouco depois, aos 28, Breno Bidon também assustou. Após cruzamento rasteiro de Angileri, ele finalizou de primeira e novamente viu Ewerton impedir o gol corintiano.

Na volta do intervalo, o Barra começou tentando ter mais controle da bola, mas o Corinthians retomou o domínio conforme as alterações feitas por Fernando Diniz surtiram efeito. Aos 12 minutos, Kaio César, recém-colocado em campo, fez jogada individual dentro da área e obrigou Ewerton a trabalhar. No rebote, Garro arriscou de fora, mas mandou para fora.

A pressão corintiana aumentou na reta final. Aos 31, Gabriel Paulista aproveitou sobra após cobrança de falta de Rodrigo Garro e acertou a trave direita. Três minutos mais tarde, Breno Bidon quase abriu o placar mesmo escorregando no momento da conclusão, exigindo outra grande defesa do goleiro adversário.

O gol que definiu a partida e a classificação saiu aos 38 minutos do segundo tempo. Allan roubou a bola no campo de ataque, Garro pegou a sobra e serviu Yuri Alberto. Com tranquilidade, o atacante tocou por cobertura na saída de Ewerton e garantiu a vitória do Corinthians diante da torcida.

Classificado, o Corinthians agora aguarda o sorteio da CBF para conhecer o adversário da próxima fase. Até o momento, além do time paulista, já estão garantidos nas oitavas Juventude, Chapecoense, Remo, Atlético-MG, Athletico-PR, Internacional, Fluminense, Palmeiras, Cruzeiro, Mirassol, Santos, Vasco e Grêmio.

Antes de voltar o foco para a Copa do Brasil, o Corinthians terá compromisso pelo Campeonato Brasileiro no domingo, às 16h, contra o Botafogo, no Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro. No mesmo dia, às 20h, o Barra enfrenta o Anápolis, no Estádio Jonas Duarte, pela sétima rodada da Série C.

FICHA TÉCNICA
Corinthians 1 x 0 Barra
Competição 5ª fase da Copa do Brasil | Volta
Local Neo Química Arena, em São Paulo (SP)
Data 14 de maio de 2026 (quinta-feira)
Horário às 19h30 (de Brasília)
Cartões amarelos Lingard (Corinthians) | Vavá e Lazaroni (Barra)
Cartões vermelhos Nenhum
Arbitragem Árbitro: Marcelo de Lima Henrique; Assistentes: Nailton Junior de Sousa Oliveira e Renan Aguiar da Costa; VAR: Gilberto Rodrigues Castro Junior
Gols Yuri Alberto, aos 38′ do 2ºT (Corinthians)
Corinthians Hugo Souza; Matheuzinho, Gustavo Henrique, Gabriel Paulista e Angileri (Matheus Bidu); Allan, André (Kaio César), Rodrigo Garro (Dieguinho) e Bidon; Lingard (Zakaria Labyad) e Yuri Alberto (Pedro Raul)
Técnico do Corinthians Fernando Diniz
Barra Ewerton; Fábio, Jean Pierre, Everton Alemão e Da Rocha (Bernabé); Cleiton Tetê, Vavá (Pablo Gabriel) e Matheus Barbosa; Cléo Silva (Lazaroni), Vinícius Popó (Saymon) e Gabriel Silva
Técnico do Barra Bernardo Franco

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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