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Palmeiras empata com o Cruzeiro e chega ao terceiro jogo sem vencer no Brasileirão
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Palmeiras e Cruzeiro ficaram no empate por 1 a 1 na noite deste sábado, na Arena Barueri, em partida válida pela 16ª rodada do Campeonato Brasileiro. Em um confronto marcado por momentos de equilíbrio e problemas físicos no time paulista, Felipe Anderson balançou as redes para o Verdão, enquanto Arroyo marcou para a equipe mineira. Com o resultado, o time comandado por Abel Ferreira completou três partidas seguidas sem vitória na competição.
Mesmo com o tropeço em casa, o Palmeiras segue na liderança do campeonato, agora com 35 pontos. A situação, no entanto, pode ficar mais apertada ao fim da rodada. Se o Flamengo derrotar o Athletico-PR neste domingo, na Arena da Baixada, a diferença entre os dois cairá para apenas dois pontos. Além disso, o Rubro-Negro ainda tem uma partida a menos e será justamente o próximo adversário do líder, em confronto marcado para o Maracanã. Já o Cruzeiro chegou aos 20 pontos e subiu para a 12ª colocação.
O jogo
O time mineiro foi mais eficiente na primeira chegada perigosa da partida. Aos 11 minutos, Matheus Pereira arrancou em velocidade após erro de passe de Sosa, encontrou Christian, que fez o passe para Arroyo. O atacante equatoriano trouxe para o meio, deixou Arthur para trás e finalizou rasteiro para abrir o placar.
Depois de sair atrás, o Palmeiras aumentou a pressão. Aos 18 minutos, a arbitragem chegou a marcar pênalti em lance envolvendo Jonathan Jesus e Flaco López, mas a decisão foi revista em seguida, com marcação de escanteio. Na cobrança, o empate veio rapidamente. A defesa cruzeirense afastou mal, e Felipe Anderson arriscou de fora da área. A bola ainda desviou em Otávio antes de entrar.
Com o jogo novamente igualado, o Palmeiras passou a ocupar mais o campo de ataque e quase virou aos 31 minutos. Após receber de Felipe Anderson, Jhon Arias finalizou forte de longa distância, e a bola saiu perto da trave direita do goleiro cruzeirense. Na parte final do primeiro tempo, a principal preocupação do time alviverde foi a lesão de Felipe Anderson, que sentiu em uma arrancada aos 44 minutos.
Na volta do intervalo, o duelo ganhou velocidade. O Cruzeiro teve mais posse de bola nos primeiros minutos, mas a melhor oportunidade foi do Palmeiras. Aos 15, em lance originado de escanteio cobrado por Andreas Pereira, Marlon Freitas levantou para Gustavo Gómez, que tentou uma bicicleta e parou em grande defesa de Otávio.
A partir desse lance, o Palmeiras voltou a crescer no jogo e empurrou o adversário para o campo de defesa. Aos 29 minutos, Andreas Pereira desperdiçou uma chance clara após erro na saída de bola de Jonathan Jesus, chutando por cima. Depois disso, com a entrada de Paulinho, o time paulista intensificou ainda mais a pressão e criou novas oportunidades, mas não conseguiu transformar o volume ofensivo em gol.
Nos minutos finais, o Cruzeiro se fechou, suportou a pressão palmeirense e segurou o empate fora de casa, somando um ponto importante diante do líder da competição.
Agora, as duas equipes voltam suas atenções para a Copa Libertadores. O Palmeiras entra em campo na quarta-feira, 20 de maio, às 21h30, contra o Cerro Porteño, no Nubank Parque, em São Paulo. O Cruzeiro joga antes, na terça-feira, 19 de maio, também às 21h30, quando enfrenta o Boca Juniors, na Bombonera, em Buenos Aires.
| FICHA TÉCNICA | |
|---|---|
| Palmeiras 1 x 1 Cruzeiro | |
| Competição | Campeonato Brasileiro (16ª rodada) |
| Local | Arena Barueri, em Barueri (SP) |
| Data | 16 de maio de 2026 (sábado) |
| Horário | 21h (de Brasília) |
| Cartões amarelos | Flaco López (Palmeiras); Keny Arroyo, Artur Jorge, Matheus Pereira, Otávio e Lucas Silva (Cruzeiro) |
| Cartões vermelhos | Nenhum |
| Arbitragem | Árbitro: Savio Pereira Sampaio (DF); Assistentes: Rafael da Silva Alves (RS) e Leila Naiara Moreira da Cruz (DF); VAR: Pablo Ramon Gonçalves Pinheiro (RN) |
| Gols | Keny Arroyo, aos 11′ do 1ºT (Cruzeiro); Felipe Anderson, aos 19′ do 1ºT (Palmeiras) |
| Palmeiras | Carlos Miguel; Giay (Khellven), Gustavo Gómez, Murilo e Arthur (Jefté); Marlon Freitas, Andreas Pereira (Paulinho), Arias e Felipe Anderson (Lucas Evangelista); Sosa (Maurício) e Flaco López |
| Técnico | Abel Ferreira |
| Cruzeiro | Otávio; Fagner, Fabrício Bruno, Jonathan Jesus e Kaiki Bruno; Gerson, Lucas Romero e Matheus Pereira (Sinisterra); Christian (Lucas Silva), Arroyo (Kaique Kenji) e Kaio Jorge |
| Técnico | Artur Jorge |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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