Cultura
Festival de Parintins é homenageado em exposição no Rio de Janeiro
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O Festival de Parintins, importante manifestação do Amazonas e um dos mais tradicionais da cultura popular brasileira, é o grande homenageado da exposição “Boi-Bumbá de Parintins: do Brincar ao Futuro”, em cartaz no Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro, na cidade do Rio de Janeiro.

A mostra retrata não apenas o espetáculo dos bois Caprichoso e Garantido, mas também o que está nos bastidores da festa, como o trabalho dos artistas envolvidos, técnicas, referências culturais e os saberes e a força das comunidades que mantém viva essa tradição.
A curadora Rozana Trilha explica que uma das ideias da exposição é relacionar a tradição do festival com outras manifestações da cultura brasileira.
“A gente quer que a mostra possa dialogar, reverenciar, as tradições do nosso país. Então, a gente está trazendo na primeira sala o Carnaval, o São João, o Círio de Nazaré, o Bumba Meu Boi do Maranhão. E por meio do Boi-Bumbá de Parintins, nós estamos homenageando e fazendo também com que as pessoas possam entender que nós precisamos ter orgulho das nossas manifestações culturais”.
A mostra, dividida em três grandes espaços, conta com 300 peças, apresentando personagens marcantes do espetáculo como o Curupira, a Iara e o Boto Cor-de-Rosa.
Outro destaque são os bonecos do Mini Boi, miniaturas de Boi-Bumbá que surgiram do amor das crianças pelo espetáculo.
A curadora dá mais detalhes.
“Em uma das salas da exposição temos a Sala dos Encantados, que são os verdadeiros guardiões espirituais da Amazônia. E nessa sala, os visitantes vão poder ver o Curupira, a Matita Pereira, a Iara, a Vitória-Régia, o Mapinguari, o Boto Cor-de-Rosa e a Cobra Grande. E para além disso, além da gente trazer o Boi Grande, nós colocamos na exposição também o Mini Boi, o Mini Boi Caprichoso e Mini Boi Garantido”.
A mostra, que está em cartaz desde julho, tem atraído um grande número de visitantes, entre eles estudantes de diversas escolas, que aprendem mais sobre a cultura popular.
Rozana destaca a reação do público.
“A exposição não é só algo bonito. Eu acho que ela está encantando por conta dessa tradição, porque as pessoas sentem que tem história, porque as pessoas sabem que tem verdade. As pessoas vivem e se emocionam com o festival”.
O Festival de Parintins é realizado anualmente em junho na Ilha de Tupinambarana, no Amazonas, e tem raízes no Bumba Meu Boi nordestino. Os bois Garantido, vermelho, e Caprichoso, azul, surgiram no início do século 20 nas camadas populares, onde brincantes dançavam em frente às casas em troca de comida.
A mostra “Boi-Bumbá de Parintins: do Brincar ao Futuro” fica em cartaz até 27 de março do ano que vem. A entrada é franca.
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“Traçando Veríssimo”: mostra revela o processo criativo do cronista
“A passa é a múmia da fruta”. Frases como essa, escritas à mão em cadernos de rascunho dão uma noção do processo criativo de uma das mentes mais geniais do humor brasileiro.

Criador de personagens como o analista de Bagé, Ed Mort e a família Brasil, Luis Fernando Veríssimo escreveu mais de 80 livros, entre eles, “Comédias da Vida Privada”, e publicou cartuns e charges em jornais. Por meio da palavra ou do desenho, a produção do autor gaúcho se destacava pela leveza de raciocínio e humor refinado.
Em celebração aos 90 anos, que Veríssimo completaria em 26 de setembro, uma mostra gratuita em cartaz no Centro Cultural Fiesp em São Paulo reúne mais de 300 itens pessoais do autor, como cadernos, charges e originais de livros. Isa Pessoa, curadora da exposição, comenta que a ideia é mostrar ao público como nasciam as ideias ao longo de 50 anos de carreira do autor.
“Você todo dia escrever. Você sentar e aí tem assim: ‘o otimista’. Aí tem: ‘tá chovendo’. Aí tem as várias situações que o otimista… sabe? A cada dia. É quase entrar na pré-criação. Nas várias camadas da pré-criação: aquele bilhetinho de hotel que ele começa a desenhar um boneco é um pré-pai da família Brasil, né?”
Entre os itens expostos estão fotografias de quando o autor mais introspectivo do país foi homenageado pela escola Imperatriz do Samba no carnaval de Porto Alegre e desfilou num carro alegórico. Tem ainda uma flâmula do Internacional, time sobre o qual o colorado convicto escreveu sua primeira crônica.
A montagem da exposição “Traçando Veríssimo” foi organizada a partir de frases ditas pelo próprio autor. As Cobras, personagens que dão palpite sobre tudo, ocupam um espaço central na mostra. Isa Pessoa conta o que Veríssimo dizia sobre essa dupla.
“Ele dizia ‘olha, as cobras nasceram da preguiça, né? Eu sou mal desenhista e [para] as cobras basta um pescoço e dois olhinhos e você faz as cobras, é muito fácil’. A própria maneira até como ele conta é engraçada, né? […] Esse humor, de dentro do território da classe média, eu acho que o alcance pop dele sempre teve esse ancorado nesse grande navio”.
Luis Fernando Veríssimo morreu em agosto do ano passado, aos 88 anos. Seu último desenho, feito em março de 2022, foi dado à esposa Lúcia, e pode ser visto na mostra.
Fotos de Luis Fernando na infância e com o pai, o escritor Erico Veríssimo, também fazem parte da exposição. Uma réplica da poltrona vermelha que existia na casa da família está no segmento dedicado ao jazz, junto dos discos da coleção do autor. Ele tocava saxofone e clarinete, e quis ser músico antes de se tornar escritor. O primeiro livro “O Popular, crônicas ou coisa parecida” foi publicado quando já tinha 37 anos. Ao longo da vida, Luis Fernando Veríssimo se consagrou como um grande cronista que capturou o mundano com sagacidade em frases como “a morte é uma sacanagem, sou totalmente contra”.
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