Agricultura
Agrovino 2026 projeta crescimento dos negócios e reforça polo da ovinocultura
Agricultura
A ovinocultura do Sul do país abre o calendário de feiras de 2026 com a 18ª edição da Agrovino, que será realizada de 13 a 17 de janeiro, em Bagé (RS). Tradicional no setor, o evento chega a mais um ano com expectativa de aumento no público, maior circulação de animais e fortalecimento dos negócios, em um momento considerado positivo para a cadeia ovina.
A feira deve reunir criadores, técnicos e compradores de diferentes regiões do Brasil e também do Mercosul, consolidando Bagé como uma das principais vitrines da atividade no país. Ao longo de cinco dias, o Parque Visconde Ribeiro de Magalhães será palco de julgamentos, exposições nacionais de raças, leilões, atividades técnicas e atrações voltadas ao público urbano.
O cenário de mercado tem favorecido o otimismo dos organizadores. A programação inclui cinco leilões de diferentes raças, além de exposições nacionais que costumam concentrar genética de alto padrão. A expectativa é manter ou superar o volume de negócios registrado na edição anterior, acompanhando o movimento de recuperação e valorização da ovinocultura em diversas regiões produtoras.
Entre os destaques técnicos estão as exposições nacionais das raças Ideal e Texel, que devem atrair criadores de vários estados. A estimativa da organização é de mais de 600 animais em julgamento e cerca de 1,5 mil ovinos circulando pelo parque durante o evento, com presença confirmada de produtores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, além de visitantes do Uruguai e da Argentina.
A agenda inclui ainda concursos de carcaça, avaliações de classificação, julgamentos em múltiplas pistas e grandes remates ao longo da semana. A diversidade da programação busca atender tanto o produtor focado em genética e reprodução quanto quem atua na terminação e na comercialização de animais.
Além do eixo técnico e comercial, a Agrovino mantém uma proposta de integração com o público. Estão previstas atividades gastronômicas, concurso de assado, exposição de artesanato e ações educativas, ampliando o alcance da feira para além do setor produtivo e fortalecendo o vínculo da ovinocultura com a economia local.
A realização da feira conta com apoio institucional e de entidades ligadas ao agro, o que garante estrutura, segurança e uma programação abrangente. A expectativa é que a Agrovino 2026 reforce o papel do Rio Grande do Sul como referência nacional na produção de ovinos e na difusão de tecnologia para o setor.
SERVIÇO – 18ª AGROVINO
📍 Onde: Parque Visconde Ribeiro de Magalhães – Bagé (RS)
📅 Quando: 13 a 17 de janeiro de 2026
🐑 O que terá:
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Exposições nacionais de raças
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Julgamentos e concursos técnicos
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Cinco leilões de ovinos
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Atividades gastronômicas e culturais
ℹ️ Informações: junto à Associação Bageense de Criadores de Ovinos (Abaco) e ao Sindicato Rural de Bagé
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Tarifaço vigora a partir de hoje e põe o agro no centro de disputa que vai além do comércio
A tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros entra em vigor nesta quarta-feira (22.07) colocando cadeias do agronegócio no centro de uma disputa que começou longe das lavouras. Mais do que corrigir supostos desequilíbrios comerciais, a medida é utilizada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, como instrumento de pressão política sobre o Brasil, tendo como pano de fundo temas como regulação das plataformas digitais, sistemas de pagamento (o nosso Pix), propriedade intelectual e acesso ao mercado de etanol.
A sobretaxa será cobrada dos importadores norte-americanos e se soma às tarifas que já incidiam sobre cada mercadoria. Na prática, o custo adicional pode reduzir a competitividade dos produtos brasileiros, provocar o cancelamento de encomendas e pressionar empresas exportadoras a renegociar preços.
A investigação que deu origem à medida foi aberta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. O governo dos Estados Unidos acusa o Brasil de adotar práticas que restringiriam o comércio, especialmente no ambiente digital.
O próprio documento que oficializou a tarifa, porém, deixa claro que a legislação permite atingir setores que não tenham relação direta com as práticas questionadas. A justificativa é que uma tarifa abrangente amplia o poder de negociação dos Estados Unidos e cria pressão para que o país investigado modifique suas políticas.
É nesse ponto que o agronegócio passa a funcionar como instrumento de barganha. Enquanto parte da investigação trata de plataformas digitais e meios de pagamento, segmentos como máquinas agrícolas, papel, açúcar e outros produtos agroindustriais ficaram sujeitos à cobrança. Pedidos para retirar esses setores da medida foram rejeitados, embora não haja relação direta entre a produção dessas mercadorias e as regras brasileiras para empresas de tecnologia.
O etanol é a exceção mais evidente, porque aparece diretamente no contencioso comercial. Produtores norte-americanos alegam enfrentar dificuldades de acesso ao mercado brasileiro e pressionam pela redução das tarifas aplicadas pelo Brasil ao biocombustível importado. A sobretaxa sobre o produto brasileiro, portanto, também atende a interesses da indústria de etanol dos Estados Unidos.
O desenho das exceções mostra que Washington procurou preservar mercadorias consideradas necessárias à própria economia. Produtos que poderiam causar desabastecimento, pressionar a inflação ou que não são produzidos em quantidade suficiente pelos Estados Unidos foram poupados. Já cadeias nas quais há concorrência com produtores norte-americanos ou capacidade de exercer pressão sobre Brasília permaneceram expostas.
Para pesquisadores das áreas de comércio e regulação digital, as críticas às regras brasileiras para plataformas também revelam uma disputa por soberania regulatória. O governo norte-americano sustenta que decisões judiciais e novas obrigações impostas às empresas de tecnologia ameaçam a liberdade de expressão. Especialistas brasileiros contestam essa interpretação e afirmam que o país está estabelecendo responsabilidades semelhantes às já adotadas em outros mercados, especialmente na União Europeia.
Nessa leitura, os Estados Unidos procuram proteger empresas de tecnologia sediadas no país contra controles nacionais sobre conteúdo, concorrência, uso de dados e funcionamento dos algoritmos. O Brasil também seria estratégico por seu tamanho e pela influência que suas decisões regulatórias podem exercer sobre outros países da América Latina. Trata-se, contudo, de uma interpretação sobre os interesses envolvidos, e não da justificativa formal apresentada pelo USTR.
Para o agro, a consequência mais imediata não é apenas a cobrança na alfândega. A redução das compras norte-americanas pode alcançar indústrias, usinas, fabricantes de máquinas e fornecedores de matérias-primas. Dependendo da duração da medida, o efeito poderá chegar ao produtor por meio de menor demanda, pressão sobre preços e adiamento de investimentos.
O governo brasileiro contesta as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos e considera que temas internos, como decisões judiciais e regulação de empresas, não devem ser utilizados para impor sanções comerciais. As negociações continuam, mas Washington sinalizou que pretende manter a cobrança enquanto não houver mudanças nas políticas questionadas.
A entrada em vigor da tarifa, portanto, é apenas o começo do impasse. O que está em discussão não é somente quanto os Estados Unidos comprarão do Brasil, mas até que ponto o acesso ao maior mercado consumidor do mundo será usado para influenciar decisões regulatórias brasileiras. Nesse confronto, o agronegócio tornou-se um dos principais pontos de pressão — mesmo quando pouco tem a ver com a origem da disputa.
Fonte: Pensar Agro
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