Agricultura
Impasse sobre Plano Clima trava anúncio para a COP30 e agronegócio cobra justiça nas emissões
Agricultura
O debate sobre o Plano Clima segue sem consenso dentro do governo. O grande nó está na atribuição das emissões do desmatamento ilegal ao setor agropecuário. Em cosnequencia, nesta segunda-feira (04.11) o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro anunciou que pretende sugerir ao presidente Lula o adiamento do anúncio do plano setorial, defendendo mais tempo para discutir temas que afetam diretamente o produtor rural. “Não é possível atribuir crime ilegal a quem é inocente”, disse Fávaro, destacando que as regras ainda geram divergências e que só o plano de adaptação será levado à COP30.
No setor, a reclamação é antiga. Ex-ministro Roberto Rodrigues classificou como “burro” e injusto responsabilizar o agro por emissões que vêm do desmatamento ilegal, muitas vezes em áreas públicas ou griladas.
Lideranças do campo estiveram reunidas com representantes do Ministério do Meio Ambiente para pedir que o governo crie um capítulo no Plano Clima retirando do setor as emissões causadas por desmatamento ilegal e que faça distinção clara entre desmate legal (com licença) e ilegal, com checagem dos estados (veja mais aqui).
Essa exclusão mudaria o balanço de gases de efeito estufa jogado nas costas do produtor, já que boa parte dos desmates ocorre fora de propriedades regularizadas ou em assentamentos sem rastreio do responsável.
O Ministério do Meio Ambiente informou que a análise das sugestões do Plano Clima está em curso e deve terminar em breve. Fávaro acrescentou que produtores que cumprem a legislação não devem ser penalizados no cálculo ambiental e espera que o texto do governo reflita essa posição.
No momento, o setor aguarda definição do governo, oque pode facilitar negociações globais do Brasil e dar mais segurança jurídica ao produtor. Até lá, segue a pressão para que um anúncio não traga novas inseguranças ou injustiças ao campo.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Vazio sanitário vai até 1º de abril, mas é hora de antecipar decisões para a próxima safra
Com o vazio sanitário em vigor nos principais Estados produtores, agricultores aproveitam o período sem cultivo para definir as estratégias da safra 2026/2027. A escolha das cultivares, a compra de sementes, o tratamento do material, a revisão das máquinas e o planejamento fitossanitário estão entre as decisões que precisam ser tomadas antes da abertura das janelas de semeadura.
Em Mato Grosso, maior produtor nacional de soja, o vazio sanitário começou em 8 de junho e seguirá até 6 de setembro. Em São Paulo, a Região 1 cumpre a medida entre 1º de junho e 31 de agosto. Goiás permanece no período de restrição até 24 de setembro, enquanto Minas Gerais vai até 30 de setembro. O último estado a terminar o ciclo nacional do vazio é Alagoas: 1º de abril de 2027.
Durante o vazio sanitário, o produtor não pode cultivar nem manter plantas vivas de soja nas áreas abrangidas pela norma. Também é necessário eliminar plantas voluntárias, conhecidas como tigueras ou guaxas, que podem surgir depois da colheita em lavouras, margens de estradas, carreadores e áreas próximas a armazéns.
A interrupção temporária da cultura reduz a sobrevivência do fungo causador da ferrugem-asiática e diminui a quantidade de esporos presentes no ambiente. O objetivo é retardar a chegada da doença às lavouras da próxima temporada e reduzir a pressão sobre o controle químico.
Enquanto acompanha o surgimento de plantas voluntárias, o agricultor precisa organizar a implantação da nova safra. O período é utilizado para analisar o desempenho das cultivares plantadas no ciclo anterior, revisar o histórico de pragas e doenças da propriedade e calcular os investimentos necessários para cada talhão.
Além do índice de germinação, o produtor deve avaliar o vigor das sementes. Lotes com maior vigor tendem a apresentar emergência mais rápida e uniforme e oferecem melhores condições para o estabelecimento da lavoura, principalmente quando o plantio enfrenta falta de umidade, variações de temperatura ou compactação do solo.
A definição do tratamento das sementes também faz parte desse planejamento. Fungicidas, inseticidas, nematicidas, inoculantes e produtos biológicos podem ser utilizados para proteger as plantas durante a fase inicial, mas a combinação precisa considerar o histórico da área, a cultivar escolhida e a compatibilidade entre os produtos.
No tratamento realizado na propriedade, a conta deve incluir mão de obra, equipamentos, tempo de preparação, segurança dos trabalhadores e destinação correta das embalagens. Falhas de regulagem ou distribuição irregular podem provocar sementes com doses insuficientes ou excessivas, comprometendo a proteção e, em alguns casos, o vigor.
O tratamento industrial oferece maior padronização na aplicação e entrega as sementes prontas para abastecer a plantadeira. A decisão, no entanto, deve ser baseada no custo total da operação e nas necessidades de cada propriedade, sem substituir a avaliação técnica do lote e dos produtos utilizados.
Os insumos biológicos exigem atenção adicional. Microrganismos empregados na inoculação ou na proteção do sistema radicular podem perder eficiência quando são misturados de maneira inadequada com determinados defensivos. O produtor precisa verificar a compatibilidade, as condições de armazenamento e o intervalo entre o tratamento e a semeadura.
A revisão de plantadeiras, tratores, pulverizadores e equipamentos de distribuição também deve ser feita antes do fim do vazio sanitário. Deixar a manutenção para os últimos dias aumenta o risco de atrasos justamente quando as condições de umidade permitem o início do plantio.
Com custos elevados e margens mais estreitas, erros cometidos antes da semeadura podem comprometer o resultado de toda a temporada. O produtor não controla o clima nem as oscilações do mercado, mas pode reduzir riscos com sementes adequadas, máquinas reguladas, insumos disponíveis e um plano de manejo definido para cada área.
O vazio sanitário, portanto, não representa um período de paralisação da propriedade. Enquanto a ausência de plantas vivas ajuda a interromper o ciclo da ferrugem-asiática, o trabalho de planejamento prepara a lavoura que começará a ser implantada a partir de setembro.
Fonte: Pensar Agro
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