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Soja lidera geração de renda no campo e reforça dependência brasileira das commodities

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A agricultura brasileira continuou altamente concentrada em poucas culturas em 2025. Dados da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), divulgados pelo IBGE, mostram que a soja manteve ampla liderança no valor de produção, seguida por açúcar e milho, consolidando o protagonismo das commodities no desempenho econômico do agronegócio nacional.

Sozinha, a soja gerou R$ 260,2 bilhões em valor bruto de produção no ano passado — um montante superior ao de várias cadeias produtivas somadas e mais que o dobro da segunda colocada. O açúcar aparece em seguida, com R$ 105 bilhões, impulsionado pelo mercado internacional e pela rentabilidade do setor sucroenergético. O milho completa o grupo principal, com R$ 88,1 bilhões, sustentado pela demanda interna de ração animal e pelas exportações crescentes.

O levantamento mostra que o topo da renda agrícola brasileira está cada vez mais associado a produtos voltados ao mercado externo. O café, quarto colocado com R$ 69,2 bilhões, mantém posição tradicional como cultura de maior valor agregado, enquanto o algodão, com R$ 31,3 bilhões, consolidou-se como uma das cadeias mais competitivas do país, apoiada em produtividade elevada e forte demanda da indústria têxtil internacional.

Na sequência aparecem laranja (R$ 28,5 bilhões), arroz (R$ 22,3 bilhões) e mandioca (R$ 18,1 bilhões). Diferentemente dos grãos, essas culturas possuem maior participação no abastecimento interno e renda regional. A banana gerou R$ 16,1 bilhões e o cacau, R$ 15,3 bilhões, impulsionado pela valorização global do produto. Fecham o ranking fumo e feijão, ambos com R$ 12,2 bilhões.

O resultado evidencia um padrão estrutural: poucas cadeias concentram grande parte da riqueza agrícola, enquanto culturas alimentares essenciais mantêm importância social e regional, mas participação menor no valor econômico total.

A liderança da soja, por sua vez, vai além do território nacional. Segundo estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o Brasil também ocupa a primeira posição mundial na safra 2024/25, com produção estimada em 171,5 milhões de toneladas, bem à frente dos Estados Unidos, com 119 milhões, e da Argentina, com 51,1 milhões.

O ranking global confirma a concentração da oferta nas Américas. Brasil, Estados Unidos, Argentina, Paraguai, Canadá e Uruguai respondem pela maior parte da produção mundial do grão, o que transforma a região em eixo central da segurança alimentar internacional, especialmente no fornecimento de proteína vegetal para ração animal.

A predominância da soja ajuda a explicar o peso do agronegócio na economia brasileira. O grão participa diretamente das exportações, do equilíbrio da balança comercial e da formação de renda em diversas regiões do país. Ao mesmo tempo, aumenta a sensibilidade do setor a fatores externos, como preços internacionais, câmbio e clima.

Isan Rezende

DEPENDENCIA – Os dados da PAM indicam que o agronegócio segue forte, mas também mais dependente de mercados consolidados. Em anos de preços elevados, a renda cresce rapidamente; em ciclos de baixa, o impacto se espalha por toda a economia rural. Nesse contexto, a liderança da soja representa ao mesmo tempo a principal força do campo brasileiro e sua maior vulnerabilidade econômica.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a discussão sobre financiamento no campo já não envolve apenas juros, mas o modelo produtivo que o Brasil pretende adotar nos próximos anos.

“O levantamento do IBGE confirma algo que o setor já percebe no dia a dia: o agro brasileiro é extremamente eficiente, mas ainda muito concentrado. Quando três ou quatro culturas respondem pela maior parte da renda agrícola, o produtor e a economia ficam mais expostos à volatilidade internacional de preços e câmbio”, comentou.

“Não se trata de reduzir a importância da soja, do milho ou do açúcar, que são pilares da nossa competitividade global. O desafio agora é avançar para a próxima etapa, que é agregar valor. O Brasil exporta muito grão, mas ainda exporta pouca transformação industrial. Cada tonelada que sai in natura representa renda, mas poderia representar emprego, tributo e estabilidade econômica se fosse processada aqui”, defendeu Rezende.

“Por isso, políticas públicas voltadas à industrialização do agro e à diversificação produtiva são estratégicas. Incentivar bioindústria, proteína animal, biocombustíveis e processamento de alimentos reduz a dependência das commodities e protege o produtor das oscilações externas. O país já provou que sabe produzir em escala; o próximo passo é capturar mais valor dentro da porteira”.

“O Brasil ainda concentra grande parte da renda do agro na exportação de produtos primários. Sem políticas públicas que estimulem armazenagem, processamento e agregação de valor dentro da fazenda e nas regiões produtoras, o produtor continua dependente do preço internacional e da variação cambial, fatores que ele não controla”.

“O crédito rural precisa evoluir para financiar não só plantio e compra de máquinas, mas também industrialização, energia, irrigação e tecnologia. Quando o produtor consegue armazenar, processar ou gerar sua própria energia, ele reduz risco, ganha previsibilidade de receita e passa a vender melhor, não apenas colher mais”, completou Rezende

Fonte: Pensar Agro

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Safra de urucum impulsiona pequenas propriedades

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A colheita do urucum avança nas principais regiões produtoras do país com preços entre R$ 12,50 e R$ 15 por quilo das sementes. No noroeste do Paraná, onde a produtividade pode chegar a 1,5 tonelada por hectare, a regularidade das chuvas favoreceu as lavouras depois de dois ciclos prejudicados pela seca.

Nas áreas de melhor desempenho, a combinação entre produtividade e preço representa uma receita bruta potencial de R$ 22,5 mil por hectare. O valor não desconta os gastos com implantação, adubação, manejo, mão de obra, colheita e beneficiamento das sementes.

O Brasil ocupa a liderança mundial na produção de urucum. Levantamento do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), elaborado com dados de 2020 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estimou uma colheita nacional de 13,6 mil toneladas, equivalente a aproximadamente 57% da produção global naquele ano.

São Paulo concentra o principal polo produtor do país, especialmente na Nova Alta Paulista. Municípios localizados entre Tupã e Panorama têm parte da economia agrícola ligada à cultura. Na região, a safra principal ocorre entre junho e agosto, com preços atuais entre R$ 12,50 e R$ 13 por quilo.

No Paraná, o cultivo comercial ganhou espaço a partir da década de 1980 e encontrou condições favoráveis nos municípios do noroeste. A combinação entre solo arenoso, elevada luminosidade e temperaturas adequadas permitiu o desenvolvimento da atividade, principalmente em pequenas propriedades.

A colheita paranaense começa em março nas áreas mais precoces, atinge o maior volume entre junho e julho e pode seguir até setembro. A estimativa consolidada da produção regional deverá ser conhecida em outubro, depois do encerramento dos trabalhos nas lavouras.

Levantamentos locais indicam produtividade entre 800 e 1.500 quilos de sementes por hectare, dependendo da variedade, da idade das plantas, dos tratos culturais e das condições climáticas. A melhora dos preços também estimulou a retomada dos investimentos em adubação e manutenção das áreas.

A maior parte dos agricultores utiliza as variedades Piave tradicional e Piave anão. A primeira forma árvores de maior porte. A segunda apresenta plantas mais baixas, característica que facilita o acesso às cápsulas e reduz o esforço necessário durante a colheita.

Segundo especialistas, o porte das plantas é um fator importante principalmente nas propriedades que dependem de mão de obra familiar. A uniformidade da maturação e a disposição dos galhos também interferem na velocidade da colheita e no aproveitamento das sementes.

O urucum tem espaço em áreas nas quais a produção de soja ou milho em grande escala encontra limitações econômicas e operacionais. Em propriedades de até dez hectares, a cultura pode complementar a renda obtida com a pecuária leiteira e outras atividades.

A colheita é semimecanizada. As cápsulas são retiradas dos galhos e encaminhadas para equipamentos que fazem a separação das sementes. O processo ainda exige participação considerável de trabalhadores, o que torna o custo e a disponibilidade de mão de obra pontos importantes no planejamento.

Os frutos do urucuzeiro são cápsulas revestidas por espinhos maleáveis. Em seu interior ficam as sementes cobertas por um pigmento avermelhado utilizado na fabricação de colorau e de corantes naturais.

A bixina, principal pigmento extraído das sementes, abastece sobretudo a indústria de alimentos. A substância é empregada na coloração de queijos, embutidos, massas, molhos, bebidas, sorvetes, doces e outros produtos.

A matéria-prima também possui aplicações nas indústrias cosmética, química, têxtil e de vernizes. A procura por corantes de origem natural ajuda a sustentar o mercado, mas a remuneração depende da qualidade das sementes e do conteúdo de pigmento.

O teor de bixina é um dos principais critérios avaliados pela indústria. Sementes com maior concentração proporcionam melhor rendimento no processamento, o que aumenta a importância da escolha da variedade e do manejo correto da lavoura.

Pesquisas conduzidas pelo Instituto Agronômico (IAC), ligado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), buscam desenvolver plantas que reúnam porte reduzido, maior produtividade, elevado teor de bixina e resistência às principais doenças.

Entre os problemas acompanhados está o oídio, doença identificada pela formação de uma camada esbranquiçada nas folhas. Quando não controlada, pode reduzir a capacidade de desenvolvimento das plantas e afetar o potencial produtivo.

Os estudos também avaliam espaçamento, arquitetura das plantas, adaptação regional e diversidade genética. O instituto mantém um banco de germoplasma com 378 genótipos, utilizados na seleção de materiais com características de interesse dos agricultores e da indústria.

Por ser uma cultura perene, o urucum exige planejamento de longo prazo. A implantação das mudas deve ser feita preferencialmente entre a primavera e o verão, quando o período chuvoso favorece o crescimento inicial.

Antes de iniciar o cultivo, o produtor precisa avaliar a existência de compradores, a distância até as unidades de beneficiamento e a disponibilidade de trabalhadores. Ao contrário das grandes commodities, o urucum possui um mercado mais restrito e depende de canais comerciais organizados.

A produtividade elevada e os preços próximos de R$ 15 por quilo melhoram as perspectivas desta safra. Para as pequenas propriedades, a cultura representa uma alternativa de diversificação, mas o resultado depende de assistência técnica, qualidade das sementes, eficiência na colheita e segurança na comercialização.

Fonte: Pensar Agro

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