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Bahia lança painel para gastos com festas juninas

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A partir desta segunda-feira, os gestores dos municípios baianos já podem informar os gastos públicos para a realização das festas juninas deste ano no portal da transparência criado pelo Ministério Público da Bahia.

O Painel de Transparência dos Festejos Juninos nos Municípios do Estado da Bahia é uma ferramenta de incentivo à transparência pública, ao exercício da cidadania e de apoio à gestão eficiente dos recursos públicos no incentivo à cultura e ao turismo baianos.

A ferramenta vai receber os dados fornecidos voluntariamente pelos entes públicos sobre contratações artísticas realizadas entre 1º de maio e 31 de julho, período que abrange as principais festas juninas, como Santo Antônio, São João e São Pedro, além de outros eventos tradicionais do estado como festas de padroeiras, aniversário da cidade e cavalgadas.

O Painel tem dados abertos e pode ser acessado pela população; possibilita realizar entre outras consultas, o cachê pago a cada artista ou apresentação artística, o gasto por festa individualmente e a origem do recurso. O endereço é 

paineljunino.mpba.mp.br

Gildásio Penedo Filho, Presidente do Tribunal de Contas do Estado da Bahia, destaca a importância do Painel como mais uma fonte de transparência de aplicação dos recursos públicos.

Entre as atualizações do Painel, criado em 2023, está a possibilidade de cadastro inicial simplificado pelos municípios, de instauração de procedimento administrativo ao final da segunda etapa de coleta de dados, com previsão de penalidades, em caso de não justificar a ausência de informações complementares.

O Painel também criou dois bancos de dados: da Inadimplência, onde constarão os municípios que ao final de todo o processo estiverem nessa situação, e dos Amigos da Transparência, para os gestores que enviarem todas as informações solicitadas.

Uma nota técnica assinada pelo MP baiano, pelo Tribunal de Contas estadual e o Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia estabelece os parâmetros para comparação entre contratações realizadas em condições semelhantes de mercado, considerando a sazonalidade típica do período junino e orientou a realização de pesquisa de preços tendo como referência a média dos cachês pagos ao artista no período de 1º de maio a 31 de julho de 2025, no mesmo estado, com atualização monetária pelo IPCA, Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo.

Em 2025, os 417 as cidades baianas contrataram mais de oito mil e seiscentas apresentações artísticas durante os meses de maio, junho e julho, onde foram investidos cerca de 701 milhões de reais em recursos públicos para realização dos festejos juninos.


Fonte: EBC Cultura

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90 anos Rádio Nacional: o legado do Repórter Esso no radiojornalismo

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A imprensa é análise, o rádio é síntese. A imprensa dirige-se aos que sabem ler. O rádio fala, também, aos que são analfabetos”. Essas palavras são de Heron Domingues, jornalista que apresentou o Repórter Esso entre 1944 e 1962. O noticiário estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro em agosto de 1941, com a cobertura da Segunda Guerra Mundial. Um ano antes, em março de 1940, a emissora fundada pelo grupo do jornal A Noite havia sido estatizada pelo presidente Getúlio Vargas. 

Numa época em que mais da metade da população brasileira era analfabeta, o rádio conseguiu ampliar o alcance da informação.

Para João Batista de Abreu, jornalista e professor da UFF, a Universidade Federal Fluminense, o Repórter Esso estabeleceu uma relação de confiança com os ouvintes. 

“Eu acho que a ideia de credibilidade, talvez seja a coisa mais importante. Até hoje,  a gente tem a expressão: deu no rádio. Se deu no rádio, é porque é verdade. Isso é marcante em todas as emissoras. Mas basicamente por conta do Repórter Esso”. 

 

Com o slogan “o primeiro a dar as últimas”, fazendo referência às notícias, o Repórter Esso trouxe a ideia de agilidade e instantaneidade ao rádio, em quatro edições de cinco minutos ao longo do dia, além das edições extras. Antes dele, as informações vinham de recortes do que os jornais impressos já haviam anunciado. Com o Esso, surge uma linguagem própria de radiojornalismo. Marcelo Abud, pesquisador de rádios e professor do tema na Universidade FAAP em São Paulo, destaca Heron Domingues como referência. 

“É muito interessante ouvir o manual do Repórter Esso na voz do Heron Domingues, porque ele vai dar essas noções, ele vai dizer, olha, você vai acordar as pessoas dando notícia, então você precisa passar isso com animação. Não pode ser algo que você fale monotonamente, porque senão ninguém vai querer te ouvir e tudo mais. É uma grande marca”.

Em 1948, Heron Domingues assumiu a Seção de Jornais Falados e Reportagens na Rádio Nacional, a primeira redação voltada ao radiojornalismo no país, com equipe formada por um chefe, quatro redatores e um colaborador do noticiário parlamentar.

Atualmente, a equipe da emissora é bem maior: tem quase 50 pessoas, entre repórteres, editores, produtores, locutores, coordenadores e gerência, que respondem a uma diretoria de jornalismo.

São produzidas três edições do radiojornal Repórter Nacional, os boletins Nacional Notícias, além dos programas jornalísticos Ritmo da Notícia e Alô, Alô Brasil.

Em 2007, a Rádio Nacional passou a ter caráter público e não mais estatal, com a criação da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação.

  A diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, destaca o compromisso do Radiojornalismo com o interesse social e a cidadania.

“Hoje, como comunicação pública, a nossa missão, claro, é honrar essa tradição de credibilidade com olhar atento ao interesse social, aos direitos humanos e, eu diria, principalmente, à diversidade. O rádio evoluiu, mas a confiança do ouvinte no nosso compromisso com a verdade, com certeza, é o patrimônio da Rádio Nacional”.

O jornalismo da emissora de 90 anos segue com a essência da revolução trazida pelo Repórter Esso, testemunha ocular da história, com foco no interesse da sociedade brasileira e o compromisso com a busca da verdade, da precisão e da clareza, o respeito aos fatos, aos direitos humanos e a diversidade de opiniões.

*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia.


Fonte: EBC Cultura

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