Cultura
Exposição sobre história da arte brasileira está em cartaz em Salvador
Cultura
Momento marcantes das artes plásticas no Brasil, do modernismo às produções contemporâneas, podem ser conhecidos na exposição “Uma História da Arte Brasileira”, em cartaz no Museu de Arte Moderna da Bahia, em Salvador, até o próximo dia 28. Concebida pelo Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro para a cúpula do G20 em 2024, a mostra reúne importantes peças do acervo da instituição e foi apresentada a chefes de Estado e delegações internacionais antes de ser aberta ao público carioca. Depois, passou por circulação nacional que termina agora na capital baiana. Raquel Barreto, uma das curadoras responsáveis pelo projeto, destaca os pontos altos da exposição.

“A gente tem Portinari, Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Heitor dos Prazeres, Djanira, Maria Martins… Artistas modernos brasileiros acompanhando tanto os concretos, os neoconcretos, como a produção que a crítica nomeou como abstracionismo informal, que são artistas que não estão fazendo mais arte figurativa, mas que estão nesse período produzindo”.
A mostra é apresentada em ordem cronológica, dividida por décadas, e reúne cerca de 80 obras. A curadora detalha a idealização da iniciativa.
“A exposição foi feita pensando num itinerário, num percurso histórico que desse uma perspectiva da arte brasileira, mas uma perspectiva construída a partir do que o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro tem em suas coleções. E se essa mesma exposição fosse feita pensando no que que o MAM da Bahia pode contar da história da arte brasileira, o MAM da Bahia contaria outra história. Isso é muito interessante, pensar que os museus guardam em seus acervos parte da história de seu tempo e uma determinada narrativa”.
Raquel Barreto conta como foi a recepção da mostra pela cúpula do G20, em 2024, no Rio de Janeiro.
“A exposição foi muito elogiada, que houve muito interesse em conhecer a arte brasileira. As artes visuais talvez não sejam tão destacadas internacionalmente como é a nossa música, por exemplo, e agora como tem sido o cinema nacional. Então, foi interessante poder trazer a arte brasileira nesse contexto que as pessoas pudessem conhecer alguns artistas e alguns movimentos e momentos da arte do Brasil”.
Ela fala ainda sobre as outras temporadas da mostra pelo país.
“A exposição teve três itinerâncias: passou pelo Centro Cultural Banco do Brasil em Belo Horizonte, depois em Brasília e aqui em Salvador, como o CCBB ainda não está pronto, o CCBB estabeleceu uma parceria com o MAM da Bahia e a gente teve a oportunidade de trazer a exposição aqui para Salvador apresentando no MAM. Para a gente foi uma alegria muito grande, né, do museu do MAM do Rio poder estar dialogando com o MAM de Salvador, poder apresentar essa exposição aqui. A receptividade tem sido boa, os retornos também, uma relação crítica dos públicos com o acervo, com a exposição, o que nos alegra muito”.
E lembrando, essa é a última temporada da mostra. A entrada é franca e a classificação livre.
Cultura
Começa nesta terça Festival Melanina Acentuada em Salvador
Começa nesta terça-feira (28), em Salvador, a 8ª edição do Festival Melanina Acentuada, evento multicultural que busca fomentar, dar visibilidade e valorizar a produção artística preta e afroindígena. 

Vários espaços culturais da capital baiana receberão mais de 20 atividades, entre espetáculos teatrais e leituras dramáticas, shows, oficinas, lançamentos literários e debates.
A programação se divide entre o Goethe-Institut Salvador; os teatros Sesc Casa do Comércio, Jorge Amado e Martim Gonçalves; além do Sesi Rio Vermelho.
Este ano, o festival celebra os 80 anos do Teatro Experimental do Negro, criado pelo político, artista e ativista dos direitos humanos e da população negra no Brasil Abdias do Nascimento.
Essa iniciativa, fundada no Rio de Janeiro por Abdias em 1944, é um símbolo da luta pelo protagonismo de artistas negros nas mais variadas atmosferas artísticas, como produção cultural, literatura e teatro.
O Melanina segue até o próximo dia 3 de agosto.
Destaques da programação
A atriz baiana e mestre de cerimônias do Festival, Laura Eme, destaca, pelas redes sociais do evento, os espetáculos que estreiam e aqueles que retornam para esta edição do Melanina Acentuada.
“A peça ‘Abdias do Nascimento’ estreia em Salvador, contando um pouco da história do fundador do Teatro Experimental do Negro, que é nosso homenageado este ano. Também pela primeira vez por aqui, ‘Black Machine’ nos apresenta um Shakespeare pop que mergulha em debates de raça e gênero. Teremos ainda os espetáculos baianos de ‘Férias com Koanza’, com Sullivä Bispo; e o ‘Candomblé da Barroquinha’, que propõe uma viagem ao tempo. E o público terá mais uma oportunidade de conferir os espetáculos ‘Namíbia, Não’, que completa 15 anos este ano, e ‘Macacos’, que retornam ao Melanina nesta edição”.
Outro destaque da programação são os Ateliês de Ideias, que contarão com a presença de escritores, especialistas e pesquisadores. Um deles é o crítico de teatro Guilherme Diniz, que vai lançar seu trabalho justamente sobre o Teatro Experimental do Negro.
“Eu estou profundamente honrado em poder lançar o meu livro ‘Teatro Experimental do Negro: Histórias, Críticas e Outros Dramas’, além de mediar alguns ateliês de ideias com pessoas maravilhosas. Nós vamos festejar e debater o legado do Teatro Experimental do Negro, nosso vivo ancestral, além de reafirmar a importância política, histórica, estética e cultural dos teatros negros na vida brasileira”.
Outro evento muito aguardado é a leitura dramática do texto “O Poder Negro”, peça do norte-americano Amiri Baraka que será apresentada pelo ator Antônio Pitanga, que protagonizou o espetáculo há 60 anos. A leitura será encenada por Fernando Lufer com direção de Eugênio Lima.
Ainda no segmento de leituras dramáticas, outro texto abordado será Joanna Mina, de Luciany Aparecida. A autora fala sobre o que o público pode esperar da obra e do bate papo do qual ela vai participar no festival.
“Já pensou que a leitura de um documento do século XIX pode te apresentar um pouco do Brasil do século XXI? Foi mobilizada por essa ideia que eu escrevi a dramaturgia Joanna Mina, a partir de pesquisas em processos, crimes e testamentos de mulheres do século XVIII e XIX. Eu quis buscar trajetórias de mulheres que estavam tentando comprar sua própria carta de alforria, de mulheres que estavam tentando se separar num período em que o divórcio ainda não era lei. A junção dessas leituras fez com que eu fizesse a composição dessas personagens”.
Os detalhes dos eventos dia a dia estão disponíveis no Instagram do evento.
*Com produção de Luciene Cruz
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