Cultura
Iphan abre consulta para preservação do Centro Histórico de Salvador
Cultura
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Iphan, está com uma consulta pública aberta para que a sociedade civil apresente contribuições sobre normas de preservação do Conjunto Arquitetônico e Paisagístico do Centro Histórico de Salvador. 

A proposta de norma de preservação foi elaborada pelo Instituto em parceria com a Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia.
O superintendente do Iphan no estado, Hermano Fabrício Queiroz, reforça a importância da participação popular.
“Essa etapa é fundamental pra consolidar essa norma, pois garante que diretrizes de preservação reflitam, justamente, o diálogo da sociedade com o estado. E busca conciliar a proteção desse patrimônio cultural com as demandas atuais da sociedade, como mobilidade, acessibilidade, adaptação às mudanças climáticas, aos novos usos e apropriações desse patrimônio”.
A consulta pública tem como objetivo ouvir a sociedade sobre as diretrizes de preservação e os critérios de intervenção propostos para os conjuntos tombados. Os interessados têm até o dia 11 de novembro de 2025 para enviar suas contribuições. O formulário está disponível no endereço gov.br/participamaisbrasil, acessando em seguida o link “consulta pública”.
O Conjunto Arquitetônico, Paisagístico e Urbanístico do Centro Histórico de Salvador foi tombado pelo Iphan em 1984 e reconhecido como Patrimônio da Humanidade pela Unesco no ano seguinte. É um dos mais importantes exemplares do urbanismo da colonização portuguesa e se divide em dois planos: as funções administrativas e residenciais na chamada Cidade Alta e o porto e o comércio à beira-mar, na região conhecida como Cidade Baixa.
Depois do encerramento da consulta, o Iphan vai analisar e consolidar todas as contribuições, publicando as respostas e o texto final da portaria com as novas normas. Dúvidas podem ser enviadas para o e-mail: consultapublica.norm@iphan.gov.br.
*Com produção de Luciene Cruz
Cultura
Morre Luiz Carlos Barreto, referência do cinema nacional
O produtor, roteirista e diretor de cinema Luiz Carlos Barreto morreu nesta quarta-feira (22), aos 98 anos, no Rio de Janeiro. Um dos maiores produtores do cinema nacional, Barreto produziu clássicos como “Terra em Transe” e “Vidas Secas”.

Em reconhecimento à contribuição de sua obra para a cultura brasileira, o presidente Lula decretou luto oficial de três dias.
Luiz Carlos Barreto estava internado desde segunda-feira, no Hospital Copa Star, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, para tratar uma infecção pulmonar.
Amor ao Cinema
A trajetória de mais de 60 anos de Barreto foi marcada pelo amor à sétima arte. O cearense de Sobral começou a carreira como fotógrafo da Revista O Cruzeiro, na década de 1950, no Rio de Janeiro.
No cinema, estreou como um dos roteiristas da ficção policial “O Assalto ao Trem Pagador”, de Roberto Farias, lançada em 1962. No ano seguinte, fundou a L.C. Barreto Produções, ao lado da esposa, Lucy, e teve papel importante na defesa do cinema nacional durante a ditadura militar. A estreia na produção veio com o longa “Vidas Secas”, de Nelson Pereira dos Santos, um dos filmes-chave do movimento Cinema Novo.
Com mais de 50 filmes produzidos, destacam-se títulos como “Terra em Transe”, de Glauber Rocha; “O Beijo no Asfalto” e “Dona Flor e seus dois maridos”, ambos dirigidos por Bruno Barreto, filho de Luiz Carlos. O último foi sucesso de crítica e de público e se manteve por mais de 30 anos como a maior bilheteria do cinema nacional.
Barretão
Barretão, como era conhecido, foi indicado duas vezes ao Oscar pelos filmes “O Quatrilho”, de Fábio Barreto, também filho de Luiz Carlos, e “O Que é isso, Companheiro?” de Bruno Barreto.
Entidades do audiovisual e profissionais do setor lamentaram a morte de Luiz Carlos Barreto. A Ancine, Agência Nacional do Cinema, afirmou em nota que “Barretão falava em cinema brasileiro com identidade, ousadia e vocação própria” e que “sua atuação foi decisiva para o fortalecimento da produção independente e para o desenvolvimento da indústria audiovisual.”
A Academia Brasileira de Letras destacou que Barreto “formou gerações de cineastas que certamente encontrarão nele uma inspiração”. A insituição também ressaltou seu papel como “articulador político importante, sempre atuando na defesa do audiovisual brasileiro e na discussão sobre políticas públicas para o cinema.
O velório de Luis Carlos Barreto vai ser realizado nesta quinta-feira, no Palácio da Cidade, uma das sedes da Prefeitura do Rio, na Zona Sul da capital fluminense. O corpo será cremado no Memorial do Caju, na Zona Norte.
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