Cultura
Peça aborda o luto pela perda de um filho no CCBB Rio
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A morte de um filho é considerada um dos maiores tipos de luto. Essa dor é retratada na peça Veneno, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro, até a próxima segunda-feira.

Na trama, uma carta anuncia que o filho de um casal precisará ser removido do cemitério em que foi enterrado, pois há veneno no solo. A questão leva ao reencontro dos pais, dez anos depois, e escancara as dores ainda existentes. A partir daí, o espetáculo apresenta um diálogo comovente, mas também com momentos cômicos, que ocorrem até mesmo nas grandes tragédias.
O ator Alexandre Galindo, que também assina a direção de produção da peça, fala sobre a escolha deste texto tão profundo.
“Eu sou um ator-produtor que pesquiso muita dramaturgia. Estou sempre lendo textos em busca de uma boa história para levar para os palcos. Quando eu me deparei com a peça Veneno, eu enxerguei ali um potencial muito grande, uma história na qual você tem duas pessoas lidando de maneiras completamente diferentes em relação ao luto e você consegue concordar com as duas. Para além disso, a história ela toca em temas muito profundos. Ela fala da relação do casal, ela fala de que questões entre mãe e filho, entre pai e filho”.
A dramaturgia é da premiada holandesa Lot Vekemans, que escreve para teatro há mais de trinta anos. Galindo fala sobre a autora e a importância da obra.
“A autora da peça Lot Vekemans é uma das dramaturgas contemporâneas mais importantes da Europa. Veneno é uma peça que foi montada em mais de 30 países e é o texto holandês mais montado fora da Holanda até hoje. Ela foi premiada com esse texto e com muitos outros que ela já escreveu e essa história já virou um filme, que também teve a assinatura dela no roteiro”.
O ator, que no ano passado foi indicado pela atuação no espetáculo ao Prêmio Shell, um dos mais tradicionais da cena teatral do Brasil, aborda os desafios de representar um texto tão forte e, ao mesmo tempo, tão delicado.
“A experiência de trabalhar esse texto, ela sempre foi muito desafiadora. Uma dramaturgia que você olha para ela e pensa: Será que eu vou dar conta? No processo de ensaios, a gente esgarçou bastante todas as emoções desses personagens pra gente encontrar esse lugar, criar memória física. É uma experiência incrível, experiência única, e muito, mas muito prazerosa.
Ele destaca ainda a repercussão que a peça tem tido entre os que assistem.
“O que a gente pode observar nas temporadas que já fizemos em São Paulo e nas viagens que a gente vem fazendo com a peça, é que as pessoas saem muito tocadas, muito emocionadas. Então, ela é uma história que realmente mexe com as pessoas”.
O espetáculo “Veneno” fica em cartaz até o dia 6 de julho no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro, com ingressos a partir de R$ 15.
Cultura
90 anos Rádio Nacional: o legado do Repórter Esso no radiojornalismo
A imprensa é análise, o rádio é síntese. A imprensa dirige-se aos que sabem ler. O rádio fala, também, aos que são analfabetos”. Essas palavras são de Heron Domingues, jornalista que apresentou o Repórter Esso entre 1944 e 1962. O noticiário estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro em agosto de 1941, com a cobertura da Segunda Guerra Mundial. Um ano antes, em março de 1940, a emissora fundada pelo grupo do jornal A Noite havia sido estatizada pelo presidente Getúlio Vargas. 

Numa época em que mais da metade da população brasileira era analfabeta, o rádio conseguiu ampliar o alcance da informação.
Para João Batista de Abreu, jornalista e professor da UFF, a Universidade Federal Fluminense, o Repórter Esso estabeleceu uma relação de confiança com os ouvintes.
“Eu acho que a ideia de credibilidade, talvez seja a coisa mais importante. Até hoje, a gente tem a expressão: deu no rádio. Se deu no rádio, é porque é verdade. Isso é marcante em todas as emissoras. Mas basicamente por conta do Repórter Esso”.
Com o slogan “o primeiro a dar as últimas”, fazendo referência às notícias, o Repórter Esso trouxe a ideia de agilidade e instantaneidade ao rádio, em quatro edições de cinco minutos ao longo do dia, além das edições extras. Antes dele, as informações vinham de recortes do que os jornais impressos já haviam anunciado. Com o Esso, surge uma linguagem própria de radiojornalismo. Marcelo Abud, pesquisador de rádios e professor do tema na Universidade FAAP em São Paulo, destaca Heron Domingues como referência.
“É muito interessante ouvir o manual do Repórter Esso na voz do Heron Domingues, porque ele vai dar essas noções, ele vai dizer, olha, você vai acordar as pessoas dando notícia, então você precisa passar isso com animação. Não pode ser algo que você fale monotonamente, porque senão ninguém vai querer te ouvir e tudo mais. É uma grande marca”.
Em 1948, Heron Domingues assumiu a Seção de Jornais Falados e Reportagens na Rádio Nacional, a primeira redação voltada ao radiojornalismo no país, com equipe formada por um chefe, quatro redatores e um colaborador do noticiário parlamentar.
Atualmente, a equipe da emissora é bem maior: tem quase 50 pessoas, entre repórteres, editores, produtores, locutores, coordenadores e gerência, que respondem a uma diretoria de jornalismo.
São produzidas três edições do radiojornal Repórter Nacional, os boletins Nacional Notícias, além dos programas jornalísticos Ritmo da Notícia e Alô, Alô Brasil.
Em 2007, a Rádio Nacional passou a ter caráter público e não mais estatal, com a criação da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação.
A diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, destaca o compromisso do Radiojornalismo com o interesse social e a cidadania.
“Hoje, como comunicação pública, a nossa missão, claro, é honrar essa tradição de credibilidade com olhar atento ao interesse social, aos direitos humanos e, eu diria, principalmente, à diversidade. O rádio evoluiu, mas a confiança do ouvinte no nosso compromisso com a verdade, com certeza, é o patrimônio da Rádio Nacional”.
O jornalismo da emissora de 90 anos segue com a essência da revolução trazida pelo Repórter Esso, testemunha ocular da história, com foco no interesse da sociedade brasileira e o compromisso com a busca da verdade, da precisão e da clareza, o respeito aos fatos, aos direitos humanos e a diversidade de opiniões.
*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia.
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