Cultura
Recife celebra até dia 20 o dramaturgo Hermilo Borba Filho
Cultura
Neste mês de férias, o Recife ganha uma programação cultural gratuita para pernambucanos e turistas que circulam pela capital. Começa nesta terça-feira (8), mais uma edição da Semana Hermilo, que celebra o legado do escritor, dramaturgo, tradutor, crítico de teatro e incentivador da cultura popular nordestina, Hermilo Borba Filho.

Até o próximo dia 20 de julho, o evento irá apresentar seis montagens teatrais inspiradas na obra do dramaturgo, além de palestras, rodas de conversa, aula espetáculo, lançamento de livro e oficinas. A programação é toda gratuita e acontece nas dependências do Teatro Municipal Hermilo Borba Filho, que fica no Cais do Apolo, no bairro do Recife.
Entre as montagens teatrais que serão encenadas está “Vossa Mamulegecência”, de Ariano Suassuna e Artur Cardoso – e também inspirada na obra de Hermilo, que perpassa pelas raízes do Teatro Popular Pernambucano e a tradição do Teatro de Mamulengos. Outro texto encenado será “Tudo de novo no front”, do dramaturgo espanhol Fernando Arrabal. Já o professor e pesquisador Roberto Lúcio fará palestra onde discutirá a contribuição de Hermilo Borba Filho para a formação de atores e atrizes do Recife.
Os ingressos para os espetáculos de teatro e dança podem ser retirados uma hora antes das apresentações.
Nascido no Engenho Verde, município de Palmares, zona da Mata Sul de Pernambuco, Hermilo atuou em várias áreas ligadas ao teatro, jornalismo e literatura. Bacharel em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito do Recife, tornou-se um nome fundamental do teatro brasileiro, publicando mais de 24 obras entre romances, contos, pesquisas e ensaios, além de mais de uma dezena de traduções. Das mais de 20 peças que escreveu, apenas 7 foram publicadas em vida. Teve seus textos encenados em todo o Brasil e em pelo menos outros 10 países.
Cultura
90 anos Rádio Nacional: o legado do Repórter Esso no radiojornalismo
A imprensa é análise, o rádio é síntese. A imprensa dirige-se aos que sabem ler. O rádio fala, também, aos que são analfabetos”. Essas palavras são de Heron Domingues, jornalista que apresentou o Repórter Esso entre 1944 e 1962. O noticiário estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro em agosto de 1941, com a cobertura da Segunda Guerra Mundial. Um ano antes, em março de 1940, a emissora fundada pelo grupo do jornal A Noite havia sido estatizada pelo presidente Getúlio Vargas. 

Numa época em que mais da metade da população brasileira era analfabeta, o rádio conseguiu ampliar o alcance da informação.
Para João Batista de Abreu, jornalista e professor da UFF, a Universidade Federal Fluminense, o Repórter Esso estabeleceu uma relação de confiança com os ouvintes.
“Eu acho que a ideia de credibilidade, talvez seja a coisa mais importante. Até hoje, a gente tem a expressão: deu no rádio. Se deu no rádio, é porque é verdade. Isso é marcante em todas as emissoras. Mas basicamente por conta do Repórter Esso”.
Com o slogan “o primeiro a dar as últimas”, fazendo referência às notícias, o Repórter Esso trouxe a ideia de agilidade e instantaneidade ao rádio, em quatro edições de cinco minutos ao longo do dia, além das edições extras. Antes dele, as informações vinham de recortes do que os jornais impressos já haviam anunciado. Com o Esso, surge uma linguagem própria de radiojornalismo. Marcelo Abud, pesquisador de rádios e professor do tema na Universidade FAAP em São Paulo, destaca Heron Domingues como referência.
“É muito interessante ouvir o manual do Repórter Esso na voz do Heron Domingues, porque ele vai dar essas noções, ele vai dizer, olha, você vai acordar as pessoas dando notícia, então você precisa passar isso com animação. Não pode ser algo que você fale monotonamente, porque senão ninguém vai querer te ouvir e tudo mais. É uma grande marca”.
Em 1948, Heron Domingues assumiu a Seção de Jornais Falados e Reportagens na Rádio Nacional, a primeira redação voltada ao radiojornalismo no país, com equipe formada por um chefe, quatro redatores e um colaborador do noticiário parlamentar.
Atualmente, a equipe da emissora é bem maior: tem quase 50 pessoas, entre repórteres, editores, produtores, locutores, coordenadores e gerência, que respondem a uma diretoria de jornalismo.
São produzidas três edições do radiojornal Repórter Nacional, os boletins Nacional Notícias, além dos programas jornalísticos Ritmo da Notícia e Alô, Alô Brasil.
Em 2007, a Rádio Nacional passou a ter caráter público e não mais estatal, com a criação da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação.
A diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, destaca o compromisso do Radiojornalismo com o interesse social e a cidadania.
“Hoje, como comunicação pública, a nossa missão, claro, é honrar essa tradição de credibilidade com olhar atento ao interesse social, aos direitos humanos e, eu diria, principalmente, à diversidade. O rádio evoluiu, mas a confiança do ouvinte no nosso compromisso com a verdade, com certeza, é o patrimônio da Rádio Nacional”.
O jornalismo da emissora de 90 anos segue com a essência da revolução trazida pelo Repórter Esso, testemunha ocular da história, com foco no interesse da sociedade brasileira e o compromisso com a busca da verdade, da precisão e da clareza, o respeito aos fatos, aos direitos humanos e a diversidade de opiniões.
*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia.
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