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Ancelotti revela otimismo e define caminho da Seleção para a Copa do Mundo
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Com a marca de quase dez jogos à frente da Seleção Brasileira, o técnico Carlo Ancelotti demonstra confiança no planejamento e no progresso da equipe rumo à Copa do Mundo. Em declarações recentes, o treinador italiano não só confirmou que a escalação para a estreia contra Marrocos já está definida, como também revelou que a lista final de convocados para o Mundial está praticamente fechada, com anúncio previsto para 18 de maio.
Ancelotti avaliou o período de trabalho como “muito positivo”, ressaltando a classificação da equipe e a oportunidade de conhecer novos atletas. “Acho que esse período passado aqui, esse ano, foi muito positivo, porque nos classificamos. Ponto. Nos jogos, fizemos muitas avaliações de jogadores que não conhecia, agora temos uma ideia muito clara. Tenho a escalação bastante definida para o primeiro jogo, assim como a lista final. Estamos em um caminho correto, temos feitos jogos bons, outros um pouco menos”, afirmou o técnico. Ele enfatizou a necessidade de aprimoramento contínuo, mas reiterou a clareza sobre os objetivos no torneio. “Precisamos de calma, tranquilidade, porque toda a CBF e a comissão estão convencidas de que estamos no caminho correto, porque o trabalho foi bom até agora.”
Danilo garantido na lista final
Em uma das poucas antecipações sobre a convocação, Ancelotti cravou a presença de Danilo, do Flamengo, na lista final de 26 jogadores. O treinador destacou a versatilidade e a liderança do jogador como fatores cruciais para sua escolha. “Danilo é um jogador importante, tanto dentro como fora de campo. É certeza que vai estar na lista final dos 26 jogadores, porque eu gosto dele como jogador, como caráter e personalidade. Pode fazer todas as posições na defesa. Entre os nove defensores, certamente estará na Copa”, garantiu.
Amistosos atípicos e teste de novas opções
O plano inicial para os últimos amistosos antes da convocação era testar a equipe titular contra seleções europeias de elite. Contudo, uma série de lesões de atletas importantes, como o goleiro Alisson, o zagueiro Gabriel Magalhães, o atacante Raphinha e o lateral-direito Wesley, alterou a estratégia.
Diante das baixas, Ancelotti aproveitou para observar novos nomes, ampliando a base de jogadores considerados para o Mundial. “O objetivo nesses dois jogos era testar a equipe titular. A equipe titular não está, porque temos muitas lesões, então aproveitamos para testar jogadores que não estiveram, como Léo Pereira, Danilo, Sara. Tivemos boas sensações desses jogadores, aumentam a concorrência para a lista final, mas a ideia era não fazer testes, era tentar meter o time mais titular possível. Não foi possível por lesões, tivemos que buscar outro caminho”, explicou.
O técnico concluiu reiterando a importância de manter o foco nos resultados próximos à Copa. “Críticas são normais, porque tenho muito claro que o mais importante é o resultado. Mas tem resultados mais importantes e menos importantes. Para nós, o mais importante é o resultado perto da Copa do Mundo.”
Próximo desafio da Seleção
A Seleção Brasileira terá seu próximo compromisso nesta terça-feira, 31 de março, em um amistoso internacional contra a Croácia. A partida será realizada às 21h (horário de Brasília) no Camping World Stadium, em Orlando, Estados Unidos.
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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