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Arias marca e Palmeiras vence o Botafogo no Brasileirão

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O Palmeiras garantiu uma importante vitória por 2 a 1 sobre o Botafogo na noite desta quarta-feira (18.03), em partida válida pela sétima rodada do Campeonato Brasileiro. O confronto, realizado no Allianz Parque, foi marcado por momentos de emoção e pela expulsão de um jogador do time carioca ainda no primeiro tempo, o que influenciou diretamente o andamento da partida.

Com o resultado, o Verdão de Abel Ferreira soma agora 16 pontos em sete jogos. Já o Botafogo, que não conseguiu reagir, permanece na delicada 17ª posição, na zona de rebaixamento, com apenas três pontos em cinco partidas disputadas.

O Jogo

O Botafogo começou a partida assustando, com uma boa chance logo aos dois minutos, quando Matheus Martins finalizou de dentro da pequena área. No entanto, foi o Palmeiras que abriu o placar aos oito minutos. Após boa jogada iniciada por Allan e Arias, Flaco López cruzou rasteiro para Andreas Pereira, que, com um desvio na bola, enganou o goleiro Raul e balançou as redes.

O Palmeiras continuou pressionando e criando oportunidades, com Flaco López e Jhon Arias quase ampliando. A situação do Botafogo se complicou nos minutos finais do primeiro tempo, quando Medina foi expulso diretamente aos 43 minutos por derrubar Arias em uma jogada promissora.

Mesmo com um a menos, o Botafogo teve um lampejo de perigo no início do segundo tempo. Contudo, foi o Palmeiras que ampliou a vantagem aos sete minutos. Jhon Arias, após brigar pela bola no meio-campo, invadiu a área pela direita, driblou Ferraresi e finalizou com precisão, marcando seu primeiro gol com a camisa alviverde.

Apesar da desvantagem numérica, o Botafogo não se entregou e conseguiu diminuir o placar aos 13 minutos. Em um lance de “lei do ex”, Danilo recuperou a bola, tabelou com Matheus Martins e, mesmo desarmado por Giay, conseguiu concluir a jogada, colocando a bola no fundo da rede e reacendendo as esperanças do Glorioso.

Nos minutos finais, o Palmeiras administrou a posse de bola e criou mais algumas chances, mas sem conseguir converter em gol. O Botafogo, mesmo desfalcado, tentou buscar o empate, mas a defesa palmeirense se manteve firme até o apito final.

Próximos Jogos

Palmeiras terá um clássico pela frente na oitava rodada do Campeonato Brasileiro, enfrentando o São Paulo no Morumbis, no sábado, 21 de março de 2026, às 21h (de Brasília).

O Botafogo, por sua vez, buscará a reabilitação contra o Red Bull Bragantino, no mesmo dia, às 16h (de Brasília), no Estádio Cícero de Souza Marques, em Bragança Paulista (SP).

FICHA TÉCNICA
                                                      PALMEIRAS 2 x 1 BOTAFOGO
Competição Campeonato Brasileiro (7ª rodada)
Local Allianz Parque, em São Paulo (SP)
Data 18 de março de 2026 (quarta-feira)
Horário 19h (de Brasília)
Público 29.450 torcedores
Renda R$ 2.143.279,00
Cartões Amarelos Ramón Sosa (Palmeiras); Joaquín Correa e Lucas Villalba (Botafogo)
Cartões Vermelhos Medina (Botafogo)
Arbitragem
Árbitro Rafael Rodrigo Klein (RS)
Assistentes Bruno Boschilia (PR) e Michael Stanislau (RS)
VAR Pablo Ramon Goncalves Pinheiro (RN)
Gols
Palmeiras  Andreas Pereira, aos 8′ do 1°T
Jhon Arias, aos 7′ do 2°T
Botafogo  Danilo, aos 13′ do 2°T
Escalações
Palmeiras Carlos Miguel; Giay, Gustavo Gómez, Murilo e Arthur; Marlon Freitas, Andreas Pereira (Lucas Evangelista), Jhon Arias (Larson) e Allan (Felipe Anderson); Mauricio (Ramón Sosa) e Flaco López (Vitor Roque).
Técnico: Abel Ferreira
Botafogo Raul; Vitinho, Bastos (Artur), Ferraresi (Justino) e Alex Telles; Danilo, Medina e Jordan Barrera (Lucas Villalba); Matheus Martins (Joaquín Correa), Montoro e Júnior Santos (Santi Rodríguez).
Técnico: Pablo de Muner

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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