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Bahia vence e quebra invencibilidade do Palmeiras no Brasileirão
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O Palmeiras viu sua impressionante sequência de 11 jogos de invencibilidade no Campeonato Brasileiro chegar ao fim neste domingo, com uma derrota por 1 a 0 para o Bahia, na Arena Fonte Nova. O gol de Ademir, que saiu do banco de reservas no segundo tempo, não apenas garantiu o triunfo tricolor, mas também impediu o Verdão de assumir a liderança da competição.
O jogo
O início da partida foi marcado por chances para ambos os lados. Logo aos quatro minutos, o Bahia criou perigo com Sanabria, desarmado por Giay. A resposta palmeirense veio em seguida, com Felipe Anderson obrigando o goleiro Ronaldo a espalmar para escanteio. Aos 13, o Esquadrão testou Weverton em finalização de Willian José.
O Bahia assustou novamente aos 20 minutos, em jogada de Kayky defendida por Weverton, enquanto Flaco López tentou de longe para o Palmeiras. O primeiro tempo, contudo, foi especialmente preocupante para o técnico Abel Ferreira, que precisou realizar duas substituições forçadas antes dos 30 minutos. Evangelista e Piquerez deixaram o campo com dores na coxa direita e no joelho direito, respectivamente, dando lugar a Aníbal Moreno e Jefté, alterando a estratégia inicial do Verdão.
Segundo Tempo
A segunda etapa começou com o Bahia pressionando o Palmeiras. Kayky e Everton Ribeiro tiveram boas oportunidades nos primeiros minutos, exigindo mais uma vez a intervenção de Weverton. O Palmeiras tentava responder, mas não conseguia ser efetivo, como na cobrança de falta de Andreas por cima do gol e na antecipação de Ronaldo a Vitor Roque.
Aos 32 minutos, a Arena Fonte Nova explodiu: o goleiro Ronaldo lançou Ademir no ataque, o atacante driblou Jefté com agilidade, invadiu a área e finalizou cruzado, no ângulo, sem chances para Weverton, abrindo o placar para o Bahia. O Palmeiras ainda teve uma chance clara de empatar aos 40 minutos, com Allan cabeceando perto da trave após cruzamento de Giay. Nos segundos finais, Ademir quase marcou o segundo, mas a bola foi para fora.
Tabela e próximos desafios
Com a derrota, o Palmeiras perdeu a chance de assumir a ponta do Brasileirão, permanecendo na terceira colocação com 49 pontos. O resultado abre caminho para o Flamengo, que joga ainda neste domingo, ampliar a vantagem na liderança.
Para o Bahia, a vitória marca o fim de um jejum de quatro jogos sem triunfos. A equipe de Rogério Ceni agora soma 40 pontos, consolidando-se na sexta posição da tabela e sonhando mais alto na competição.
Ambas as equipes já têm compromissos marcados pela 26ª rodada:
- Bahia: Enfrenta o Botafogo na quarta-feira, 1º de outubro de 2025, às 21h30 (de Brasília), no Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ).
- Palmeiras: Recebe o Vasco também na quarta-feira, 1º de outubro de 2025, às 19h (de Brasília), no Allianz Parque, em São Paulo (SP).
FICHA TÉCNICA
BAHIA 1 X 0 PALMEIRAS
Competição: Campeonato Brasileiro (25ª rodada)
Local: Arena Fonte Nova, em Salvador (BA)
Data: 28 de setembro de 2025 (domingo)
Horário: 16h (de Brasília)
Gols: Ademir (Bahia), aos 32′ do 2º T
Cartões Amarelos:
- Bahia: Acevedo, Gilberto, Nestor, Ademir
- Palmeiras: Giay, Flaco López
Arbitragem:
- Árbitro: Anderson Daronco (RS)
- Assistentes: Guilherme Dias Camilo (MG) e Michael Stanislau (RS)
- VAR: Caio Max Augusto Vieira (GO)
Escalações:
Bahia: Ronaldo; Gilberto, Gabriel Xavier, Ramos Mingo e Luciano Juba; Nicolás Acevedo (Rezende), Nestor (Michel Araújo), Everton Ribeiro; Kayky (Ademir), Sanabria (Zé Guilherme) e Willian José (Tiago). Técnico: Rogério Ceni
Palmeiras: Weverton; Giay, Gustavo Gómez, Murilo e Piquerez (Jefté); Lucas Evangelista (Aníbal Moreno), Emiliano Martínez, Andreas Pereira (Allan) e Felipe Anderson (Sosa); Flaco López e Vitor Roque (Facundo Torres). Técnico: Abel Ferreira
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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