Esportes

Brasil empata com Tunísia em amistoso e deixa dúvidas para a Copa do Mundo

Publicado em

Esportes

;

A Seleção Brasileira encerrou sua série de amistosos desta data FIFA com um empate por 1 a 1 contra a Tunísia, na tarde desta terça-feira, no Decathlon Stadium, em Lille. O resultado, que incluiu um pênalti desperdiçado no final, adiciona uma camada de incerteza à preparação da equipe comandada por Carlo Ancelotti, que agora tem apenas uma janela de jogos antes da convocação final para a Copa do Mundo.

A Tunísia surpreendeu ao abrir o placar com Mastouri, após um cruzamento preciso de Abdi aos 23 minutos do primeiro tempo. O gol africano serviu como um alerta para a equipe brasileira, que, apesar de criar as melhores chances, não conseguia converter em gols.

A reação do Brasil veio ainda na primeira etapa. Após uma cobrança de escanteio, Bronn desviou a bola com o braço dentro da área. O árbitro, após consulta ao VAR, assinalou a penalidade máxima. Estêvão, com frieza, converteu a cobrança, deslocando o goleiro e marcando seu quinto gol em onze jogos pela Amarelinha, igualando o marcador em 1 a 1.

No segundo tempo, Carlo Ancelotti promoveu diversas alterações, buscando dar ritmo a novos nomes e encontrar soluções ofensivas. Vitor Roque e Danilo entraram no intervalo, seguidos por Lucas Paquetá, Fabrício Bruno e Fabinho. Contudo, as substituições não foram suficientes para quebrar a sólida defesa tunisiana.

A oportunidade de virada surgiu aos 30 minutos da etapa complementar. Vitor Roque foi derrubado na área após desarmar Sassi, e o árbitro marcou mais um pênalti para o Brasil. Desta vez, Lucas Paquetá assumiu a responsabilidade, mas, para a decepção da torcida presente, chutou por cima do travessão, selando o empate.

Este amistoso marcou o último compromisso do Brasil nesta data FIFA. A próxima e derradeira oportunidade para Carlo Ancelotti avaliar o elenco antes da definição da lista para a Copa do Mundo será em março de 2026. A expectativa é que a Seleção enfrente adversários de peso como França e Croácia nessa janela, em testes cruciais para a afinar o time rumo ao mundial.

FICHA TÉCNICA

Brasil 1 x 1 Tunísia

  • Competição: Amistoso Internacional
  • Local: Decathlon Stadium, Lille (França)
  • Data: 18 de novembro de 2025 (Terça-feira)
  • Horário: 16h30 (horário de Brasília)

Cartões Amarelos:

  • Tunísia: Abdi
  • Brasil: Wesley

Arbitragem:

  • Árbitro: Jérome Brisard (França)
  • Assistentes: Alexis Auger (França) e Erwan Finjean (França)
  • VAR: Alexandre Castro (França)

Gols:

  • Tunísia: Mastouri (23′ do 1oT)
  • Brasil: Estêvão (44′ do 1oT)

BRASIL:

  •  Bento; Wesley (Danilo), Militão (Fabrício Bruno), Marquinhos e Caio Henrique; Casemiro (Fabinho) e Bruno Guimarães (Lucas Paquetá); Estêvão, Matheus Cunha (Vitor Roque), Vinícius Júnior e Rodrygo (Luiz Henrique).
  • Técnico: Carlo Ancelotti.

TUNÍSIA:

  • Dahmen; Talbi, Meriah, Bronn e Abdi (Ben Ouanes); Valery, Sassi, Skhiri, Hannibal (Chaouat) e Saad (Achouri); Mastouri (Gharbi).
  • Técnico: Sami Trabelsi.

Fonte: Esportes

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Esportes

O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

Publicados

em

;

A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTES

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA