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Chapecoense e Coritiba protagonizam empate eletrizante em duelo de seis gols

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A Arena Condá foi palco de um verdadeiro espetáculo de gols nesta quarta-feira, onde Chapecoense e Coritiba empataram em 3 a 3, pela terceira rodada do Campeonato Brasileiro. Em um confronto de reviravoltas e muita emoção, o Verdão do Oeste buscou a igualdade nos instantes finais, garantindo um ponto importante diante de sua torcida.

Pelo lado do Coritiba, Breno Lopes (duas vezes) e Pedro Rocha balançaram as redes. Já para os mandantes, Walter Clar, Eduardo Doma e Ricoldi foram os autores dos gols. Com o resultado, a Chapecoense figura na segunda colocação da tabela, com cinco pontos, enquanto o Coritiba ocupa a oitava posição, somando quatro pontos.

O jogo

O primeiro tempo da partida foi marcado pela intensidade, com ambas as equipes criando oportunidades. Aos 27 minutos, Jean Carlos, da Chape, arriscou de longe e obrigou o goleiro Pedro Morisco a realizar uma boa defesa. O Coritiba respondeu aos 36, com Pedro Rocha testando o goleiro Leo.

Aos 41 minutos, o Coxa abriu o placar. Walter Clar errou na saída de bola, Lucas Ronier aproveitou, fez uma bela jogada individual e cruzou rasteiro para Breno Lopes, que se beneficiou de um corta-luz de Pedro Rocha para finalizar e colocar o Coritiba em vantagem. No entanto, a resposta da Chapecoense foi imediata. Aos 46, Everton cruzou pela direita e Walter Clar se redimiu do erro anterior, empurrando a bola para as redes após uma saída equivocada de Pedro Morisco, deixando tudo igual antes do intervalo.

O Coritiba voltou com força total para a segunda etapa e rapidamente retomou a frente do placar. Aos 11 minutos, Josué cobrou escanteio, Tinga cabeceou firme, Caetano afastou mal e a bola sobrou para Breno Lopes, que, de bico, marcou seu segundo gol no jogo. Dois minutos depois, Tinga lançou Ronier, que avançou pela direita e tocou para Pedro Rochafinalizar de primeira, ampliando a vantagem paranaense.

A Chapecoense não se entregou e lutou para diminuir a diferença. Aos 26 minutos, Jean Carlos cobrou escanteio e Eduardo Doma subiu bem para cabecear e marcar, reacendendo as esperanças da equipe catarinense. E a persistência foi recompensada nos acréscimos: aos 46, Walter Clar lançou Rubens Ricoldi, que arrancou em contra-ataque sem marcação e finalizou cruzado da entrada da área, selando o empate dramático em 3 a 3.

Próximos confrontos

Chapecoense terá um compromisso pelo Campeonato Catarinense, enfrentando o Brusque no dia 14 de fevereiro de 2026 (sábado), às 16h30 (de Brasília), na Arena Simon.

Coritiba jogará pelo Campeonato Brasileiro contra o Operário, às 16h30 (de Brasília), no Estádio Germano Kruger.

FICHA TÉCNICA
                                                              Chapecoense 3 x 3 Coritiba
Competição Campeonato Brasileiro
Local Arena Condá, em Chapecó (SC)
Data 11 de fevereiro de 2026 (quarta-feira)
Horário 19h (de Brasília)
Gols
  • Breno Lopes, aos 41′ do 1º tempo (Coritiba)
  • Walter Clar, aos 46′ do 1º tempo (Chapecoense)
  • Breno Lopes, aos 11′ do 2º tempo (Coritiba)
  • Pedro Rocha, aos 13′ do 2º tempo (Coritiba)
  • Eduardo Doma, aos 26′ do 2º tempo (Chapecoense)
  • Ricardo Ricoldi, aos 46′ do 2º tempo (Chapecoense)
Cartões Amarelos Everton e Meritão (Chapecoense); Tiago Cesar (Coritiba)
Cartões Vermelhos Nenhum
Arbitragem
  • Árbitro: Wagner do Nascimento Magalhães (RJ)
  • Assistentes: Eduarda Gonçalves da Cruz (MS) e Thiago Henrique Neto Correa Farinha (RJ)
  • VAR: José Claudio Rocha Filho (SP)
Escalação Chapecoense
  • Leo; Victor Caetano, Bruno Leonardo e Doma; Everton (Rubens Ricoldi), Carvalheira (João Vitor), Jean Carlos (Bolasie), Camilo (Meritão) e Walter Clar; Garcez e Marcinho (Italo Vargas)
  • Técnico: Gilmar Dal Pozzo
Escalação Coritiba
  • Pedro Morisco; Tinga, Maicon (Jacy), Tiago Cesar e Bruno Melo; Willian Oliveira (Fernando Sobral) e Josué; Lucas Ronier, Lavega (Vini Paulista) e Breno Lopes (Keno); Pedro Rocha (Enzo Vagner)
  • Técnico: Fernando Seabra

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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